Gestão de riscos pavimenta crescimento da indústria de consórcios no país

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Por Alexandre Luis dos Santos.  Especialista em planejamento e gestão de recursos humanos, é presidente da  BB Consórcios

Os cenários impostos por depressões econômicas apontam a necessidade do debate sobre a prática da gestão de riscos. Crises podem re-verberar por anos, mas proporcionar aprendizados e mudar os modos de administrar uma empresa ou até mesmo as finanças domésticas.

A crise de 2008 deixou a impressão de que sair de um ciclo de recessão poderia ser algo fácil, pela velocidade da recuperação observada na época. Em 2010, o país cresceu 7,5%, voltando ao mesmo status pré-crise, sem a aparente necessidade de grandes esforços ou planejamento. Talvez o país tenha “desperdiçado” aquela crise, já que a aparente facilidade fragilizou a discussão sobre a resiliência das empresas e das finanças pessoais.

Hoje, variáveis econômicas já apresentam melhorias, como a redução dos juros de longo prazo e a criação de empregos. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho no início desta semana, apontaram a criação de 673 mil vagas formais no primeiro semestre de 2017. O resultado marca a primeira criação de empregos para meses de junho desde 2014, quando foram abertas 25,3 mil vagas. Ou seja, bons indicadores já começam a apontar para a retomada neste segundo semestre de 2017. Neste cenário, a gestão de riscos tem pavimentado crescimento com qualidade em toda a indústria de consórcios no país, pois o produto tem se reinventado, trazendo a Educação financeira como atributo.

Um exemplo é o de grandes empresas atuantes no segmento atacado, buscando alternativas para aquisição de bens ou serviços com este viés de planejamento. Essa estratégia de atacado do  Banco do Brasil  tem dado retornos. De janeiro a junho, foram vendidos mais de R$ 235 milhões em consórcios. No mesmo período de 2016, R$ 46,3 milhões. Ou seja, um aumento de mais de 400%. No  Banco do Brasil  , a venda de consórcios bateu recorde histórico, com crescimento de 90%. Tivemos mais de 100 mil cotas vendidas, num total de R$ 4 bilhões. Esse valor, referente aos seis primeiros meses do ano, representa 60% das vendas de consórcios de 2016 inteiro no banco.

Segundo a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios, o mercado avançou 25%. Passamos de R$ 23 bilhões em vendas de janeiro a abril de 2016 para R$ 28,7 bilhões no mesmo período deste ano. O comportamento reflete o momento pós-crise de forma madura, com opções de financiamento aos consumidores e viés do relacionamento de longo prazo.

Pautar a gestão de riscos na sociedade é, portanto, o maior legado de uma recessão. Da mesma forma, os sistemas de controles internos nas administradoras de consórcio são vitais para agregar confiança, segurança e perenidade ao produto. Se o tópico “gestão de riscos” — como parte de uma boa governança corporativa e de administração de finanças domésticas— fizer parte da cultura dos brasileiros, é certo que isso ajudará a superar momentos difíceis. A partir disso, o crescimento vem em bases sólidas. Felizmente, essa deve ser a tendência para os próximos anos.

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