Expedição vai tentar achar meteoro em Mirim Doce

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As histórias sobre a queda de um meteorito (fragmentos de um cometa ou de algum astro), sempre intrigou moradores da região de Taió. O fato teria ocorrido na década de 60 na localidade de Serra Velha, Pinhalzinho ou Volta Grande, hoje pertencente ao município de Mirim Doce. Em Santa Catarina foram registradas quedas de meteoros, em 1875, em lugar não identificado, em Morro do Rocio em 1928, Mafra em 1941 e em Blumenau em 1986.

Segundo Sociedade Internacional de Meteoritos e Ciências Planetárias, que faz a catalogação dos meteoros que já caíram no planeta terra. O local exato da queda é divergente, por isso, um grupo de amigos resolveu iniciar uma expedição para desvendar esse misterioso caso. No dia 16 fevereiro de 1963, uma semana depois do impacto, uma Patrulha do Grupo Escoteiro Concórdia tentou localizar o ponto de queda do meteorito, mas não tiveram êxito.

Quatro meses depois, a Patrulha Rei Salomão do mesmo grupo de escoteiros, voltou a local e acamparam na fazenda de João Machado da Silva, que deu apoio logístico aos desbravadores. Relatos feitos na época, contam que o meteorito abriu uma trilha de 200 metros de largura por 700 metros de comprimento.

“Estou conversando com algumas pessoas mais antigas que confirmaram esse fato, inclusive, já ouvi muitas histórias, cada um, conta um detalhe diferente”, relatou Marcelo Albuquerque Schweitzer, proprietário da Fazenda São Jacó, que fica próximo das localidades que o meteorito pode ter caído. Ele conversou com alguns amigos a respeito do assunto, que foram simpáticos a ideia de descobrir mais detalhes dessa história.

Para o comerciante Jean Hosang, apaixonado pelo ciclo Turismo e outra aventuras, a história é intrigante. “Já fizemos muitas expedições naquela região, onde fica o   Morro do Funil, são lugares de difícil acesso, mas nada é impossível”. Hosang conta que já desbravou junto com amigos, as matas dos paredões no distrito de Passo Manso, também no interior de Taió. A mata densa na região e a grande quantidade de pedras pelo caminho são os maiores obstáculos.

Outro que está empolgado com a expedição é Francisco Bernardo Stuepp, ele é Chefe dos escoteiros Pedra Áurea de Taió. “Seria muito interessante refazer o trajeto que os escoteiros do grupo Concórdia, fizeram a mais de 50 anos atrás”. A ideia inicial do grupo é obter o máximo de informações possíveis sobre o local, depois programar a expedição e convidar mais voluntários.

História foi resgatada pelo jornalista Claber Stassum, que viu o jornal que está no Arquivo Histórico de Rio do Sul.

Jornal Nova Era relatou a queda do meteorito

Em 1963, o Jornal Nova Era de Rio do Sul, publicou relatos de pelo menos três expedições que tentaram buscar fragmentos de um meteorito que caiu no interior do Município de Taió. Hoje, a região que o fato teria ocorrido pertence ao município de Mirim Doce. A notícia chamou muito a atenção na época, dizia que “diversos caçadores” encontraram nas matas de localidade de Pinhalzinho um meteoro. “Se produziu forte estrondo e que pagava grande quantidade de fumaça azulada”.

A forma da escrita da época, contava detalhes e aguçava o imaginário dos leitores do jornal.  “Na tarde de 9 de Fevereiro, aproximadamente às 16 horas uma forte explosão abalou o Alto Vale Itajaí, na parte oriental do Planalto Catarinense os observadores viram como uma comprida lança de fumo brilhante destacando-se no firmamento azul e feriu as encostas da Serra geral, numa intensidade nunca visto antes. O sol tremeu, o gado aglutina-se como quando na iminência de grandes cataclismas, ouviu-se justas apreensões entre os moradores e correram casos de pavor, receio prolongado foi o registro mais comum”, dizia o texto do Jornal.

A reportagem contava que minutos antes da queda do meteorito, um avião a jato sobrevoou o lugar “vestindo uma comprida esteira de condensação”. Algumas pessoas relataram que poderia ser a queda de um avião, mas como nenhuma companhia de aviação se pronunciou, a dúvida intrigou ainda mais os moradores. Em outra hipótese, seria um avião de combate, onde o piloto teria esvaziado os tanques para a aeronave não explodir no solo.

O trovão produzido pelo meteorito, dizia o jornal: “o estampido mais espetacular que já se ouviu no sul do Brasil, desde a era mesozoica (Quando ocorreu a grande derrame de basalto líquido e lavas que modelaram a serra geral). Em um raio de 90 km foi claramente ouvido. Em Trombudo Central quebraram-se vidros, em Curitibanos racharam paredes, em Santa Cecília o povo foi as ruas, em Itainópolis os lustres da igreja balançaram e caíram candelabros. Em Lages imaginaram ter ido pelos ares um depósito de dinamite empregado nas obras de engenharia”.

“O rimbombar demorou quase três minutos, surdo, alto e pavoroso, como o galopar das bestas do apocalipse e a Oeste de Taió, viu-se como uma flecha incandescente proceder nos céus e ferir a terra nas alturas do Morro do Funil”.

O jornal fecha a notícia, agradecendo a ajuda inúmeras pessoas, Urbano Salles, Juiz de Direito de Taió, Valdemar Vicente da Prefeitura Municipal de Rio do Sul e João Machado da Silva proprietário do terreno onde caiu o meteorito.

TEXTO: Alexandre Salvador

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