Pacientes sentem na pele dificuldades para ter acesso a tratamento rápido contra o câncer

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Um dos objetivos da Campanha Preciso Viver, promovida pela Rede Feminina Nacional de Combate ao Câncer, e que também está sendo divulgada no Alto Vale pela Rede Feminina de Ibirama, é mostrar a importância do tratamento rápido e gratuito através do SUS, já que muitas pessoas ainda precisam enfrentar uma verdadeira corrida contra o tempo e a demora impacta diretamente na chances de cura.

Foi o que aconteceu com a ibiramense Inúbia Schröder Hobus, de 32 anos. Em novembro de 2016 ela descobriu um tumor na mama durante um exame de rotina. A pedido da médica procurou com urgência uma consulta especializada para receber um diagnóstico, mas depois de meses de espera teve que pagar atendimento particular para realizar a biópsia onde foi confirmada a doença. “Então o médico me disse que eu precisava me tratar urgente porque o tumor era grave e depois de um tempo aguardando resposta do SUS, tive que pagar para receber o diagnóstico e o pior de tudo é que o câncer já estava compatível com metástase”, lembra.

Depois da confirmação do câncer, Inúbia foi encaminhada para uma consulta através do SUS, mas a médica informou que não poderia fazer nada por ela. “Me falaram que o tumor era muito grande e não dava para operar então eu precisava ir até a Secretaria de Saúde encaminhar os papeis todos novamente para tentar um outro médico. Foi então que tive que pagar novamente para me consultar com um oncologista de Lages e iniciar logo a quimioterapia. Só depois de alguns meses é que consegui o tratamento pelo SUS.”

Hoje a paciente já finalizou oito sessões de quimioterapia, uma cirurgia para a retirada do tumor e sessão de radioterapia e agora aguarda o resultado de exames para confirmar se está curada. “Passei por muita coisa então acho essa campanha fundamental porque quem tem câncer não pode esperar, se eu não tivesse o dinheiro para pagar particular talvez eu nem estivesse aqui para contar minha história”, ressalta.

Giseli Gabriel, de 26 anos, também descobriu um câncer no estomago há quatro anos e precisou retirar o órgão. Hoje ela se alimenta somente por sonda e também sentiu na pele a dificuldade de conseguir tratamento através do SUS e afirma que a campanha é muito importante. “É uma forma de conscientizar os pacientes dos seus direitos e o poder público e a sociedade de agilizar a importância do atendimento das pessoas que tem câncer, pois cada minuto é valioso”, comentou.

O oncologista Ricardo Müller explica que na grande maioria dos casos, a demora principalmente no diagnóstico compromete o tratamento. “Tem casos que precisam de mais agilidade, depende muito como está o estado da doença, mas quanto antes o paciente fizer os exames, consultas e iniciar o tratamento melhor”, comentou.

Ele destaca que na prática o tratamento através do SUS deveria ser mais rápido, mas a demora acontece por alguns fatores. “O primeiro é a má remuneração médica, por isso tem pouca gente atendendo pelo SUS e as condições precárias que são oferecidas ao profissional. Dessa forma vão se formando filas e o grande problema da oncologia é que o câncer não espera, a doença vai avançando e pode até chegar à metástase”, completou.

Balanço positivo

A presidente da RFCC, Cintia Catafesta Francisco, explica que ao longo do mês de abril foram realizadas diversas ações e o balanço da campanha é muito positivo. “Fomos à câmara de vereadores falar sobre a campanha, distribuímos panfletos, fizemos palestras e realizamos um lindo ensaio com nossas pacientes e acredito que alcançamos nosso objetivo que era chamar a atenção das autoridades e de toda a sociedade sobre a importância do tratamento rápido e gratuito que aumenta significativamente as chances de cura do paciente”.

 

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