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Publicado há 10:12 | Atualizado em 22/03/19 às 06:03

Águas em quatro cidades do Alto Vale tem resquícios de agrotóxicos aponta MP

A água fornecida pela Casan em Rio do Sul, Ibirama, Ituporanga e Taió e que chega às torneiras,  tem resquícios de agrotóxicos. O mesmo ocorrem em outras 18 cidades de Santa Catarina. Foi o que comprovou uma análise de amostras da água que é consumida em 100 cidades catarinenses, feita a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Nas amostras, se comprovou que há substâncias proibidos em outros países no mundo e que podem causar danos à saúde humana.  As coletas foram efetuadas entre março e novembro de 2018, em um programa do Centro de Apoio ao Consumidor do MPSC, em parceria com a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris) e a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc).

O material recolhido foi analisado pela consultora técnica nas áreas de saúde e meio ambiente do MPSC, a engenheira química Sonia Corina Hess. Ela é pós-doutora em Química e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Rio do Sul, aparece como o município com maior variedade de pesticidas na água, são sete tipos. As águas de Ibirama e Ituporanga, foram encontrados dois tipos de substancias , e em Taió uma.

Foram analisados 204 ingredientes ativos de agrotóxicos que são usados nas lavouras em Santa Catarina, mas o Ministério da Saúde estabelece parâmetros para 27 dessas substâncias.

Se constatou que muitos dos agrotóxicos identificados nessas águas, não possuem valores máximos definidos para o abastecimento no Brasil. Esses parâmetros estão em discussão no Ministério da Saúde, o que deve alterar a portaria que estabelece o que define se a água é própria para consumo ou não.

As cidades onde foram encontradas substancias:

Rio do Sul,  Itapema, Mafra e Itaiópolis, Rio Negrinho, Coronel Freitas, Ibirama, Ituporanga,Porto União, Joinville, Schroeder, Orleans, Gravatal, Taió, Massaranduba, Balneário Gaivota, Tubarão, Balneário Rincão, Jaguaruna, Balneário Camboriú, Balneário Piçarras e Ilhota.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Agricultura e Pesca informou ao NSC, que o órgão se manifestará após ter acesso formal à análise encomendada pelo MPSC.

Em nota, a CASAN, que fornece a água pra várias das cidades citadas,  destacou que o próprio Ministério da Saúde admite concentrações de agrotóxicos na água, tanto que estabelece que produtos e quais as suas concentrações.

O OUTRO LADO

A CASAN informa que os relatórios da saída de tratamento de água das suas estações, relativo a análises de agrotóxicos, apresentam parâmetros bem abaixo dos exigidos pela legislação federal. Sendo assim, a água distribuída pela Companhia à população está completamente dentro dos níveis de potabilidade exigidos.

Estranhamente, reportagens veiculadas nesta sexta-feira trazem laudos com resultados muitas vezes abaixo dos limites máximos tolerados, como é o caso dos registrados no município de Rio do Sul, por exemplo, em que a substância tebuconazol aparece com índices 1.314 vezes abaixo do limite. Uma outra substância, a simazina, aparece 71 vezes abaixo do tolerado; o diurom está com índices 1.250 vezes abaixo do limite permitido. E outros.

Para esclarecimento da população e da imprensa é preciso destacar que o próprio Ministério da Saúde admite concentrações de agrotóxicos na água, tanto que estabelece que produtos e quais as suas concentrações.

A CASAN monitora permanentemente a qualidade de sua água justamente para garantir os padrões exigidos pela legislação e manter as condições de segurança hídrica e de saúde pública.

Nenhuma análise da Companhia chega próximo do limite máximo permitido. No Estado, a Companhia realiza um total de aproximadamente 180 mil análises anuais para garantir a potabilidade da água tratada nas nossas 365 unidades de tratamento.

A empresa disponibiliza seus laboratórios para visitas e eventuais comprovações desta potabilidade, bem como coloca à disposição os relatórios para consultas junto aos bioquímicos, químicos e engenheiros responsáveis.

A Companhia lamenta o tom do material distribuído à imprensa nesta sexta-feira, pois está gerando preocupações desnecessárias e não condizentes com o produto distribuído pela CASAN, direcionando a população a consumir água industrializada, mais cara ou de fontes não confiáveis.