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Publicado há 08:04 | Atualizado em 13/06/19 às 11:06

Tio Jórdi morre em Rio do Oeste aos 112 anos

Será sepultado nesta quarta-feria, 12, em Timbó o corpo de Jordelino Cardoso, que morreu ontem, aos 112 anos.

Considerado um dos homens mais velhos da Região do Alto Vale do Itajaí, Jordelino Cardoso vivia no Lar Recanto Luiz Bertoli, no município de Rio do Oeste. Jordelino, nasceu em 14 de março de 1907, em Laurentino, mas viveu a maior parte da vida em Taió.  As tragédias pessoais parece que moldaram como aço a longa vida deste senhor que atingiu 112 anos de idade.

Com apenas dois anos ficou órfão, tendo falecido sua mãe, Dona Francisca Pinto, filha de Zelindo Pinto. aquela criança assustada viu o corpo da mãe sendo levado rio acima, de canoa para sepultamento na barra do Bugiu, em Anta Gorda, Rio do Oeste.

Para cuidar das crianças: Jordelino, Maria e José, o pai casou-se com Virgínia dos Santos e vieram outros filhos: João, Arvelino, Dorvalino, Alexandre, Arventino, Rosa e Doralícia.

O casal com os filhos, foi morar em Laranjeiras, distrito de Passo Manso, onde outra tragédia se abateu sobre a família: Jordelino viu o assassinato de seu pai, Manoel Cardoso, morto à tiros, dentro da casa de João Catarina. Era uma época muito diferente, e havia grave conflito entre os Cardoso e a poderosa família Colett, de Curitibanos, sobre o pagamento da terra onde moravam.

Taió estava nascendo, e Jordelino viu a chegada de 16 carros de bois, trazendo as famílias de Tubarão. Trabalhou com Manoel Largura e Bonifácio Carrara quando solteiro. Depois foi carroceiro de João Bertoli, Júlio Pretti, Walmor Heidrich e Hercílio Anderle, cuidou de serrarias, fábrica de óleo de sassafrás, mas gostava mesmo era de ser tropeiro de gado.

Aos 20 anos, casou-se com Maria Pereira, (de Torres/RS) com quem teve 5 filhos e faleceu. Mudou-se para Lebon Regis, onde foi tropeiro, conduzindo as tropas até Marilia/São Paulo, com duração de 120 dias.
Depois voltou para Passo Manso, casou-se com a filha de Ponciano Félix Leite, com a qual teve 13 filhos.

Publiquei parte de sua história, no meu primeiro livro, em 2008 quando o conheci e sua idade avançada chamou atenção de vários meios. Em 2017, por ocasião do centenário da colonização de Taió, a Câmara de Vereadores de Taió fez uma homenagem a diversas pessoas, dentre elas, Jordelino Cardoso.

TEXTO: Wanderlei Salvador

 

Em 2016, a jornalista Aline Leonhardt, fez uma entrevista com Tio Jórdi