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Publicado há 00:30 | Atualizado em 16/07/19 às 12:07

Autista possui cérebro hiperexcitado

Em entrevista ao portal a Alesc, o palestrante Fernando Codeiro Calil diz que o cérebro do autista é hiperexcitado.

Fernando Cordeiro Calil é Terapeuta ocupacional, especialista na área da neurologia, com formação em integração sensorial, psicomotricidade e curso básico e avançado de equoterapia. Especialista em avaliação e intervenção do Transtorno do Espectro Autista, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Específico de Aprendizagem.

Pela quarta vez, o terapeuta ocupacional Fernando Cordeiro Calil participa de seminários como esse em Santa Catarina, sempre com a plateia lotada, o que o faz sentir-se um privilegiado por poder passar um pouco de sua experiência na área e ajudar na capacitação de educadores que atendem alunos com algum tipo de deficiência. “É através destas capacitações que a gente pode passar um pouquinho do conhecimento clínico e neurológico para participar e ser utilizado dentro de um contexto educacional”, afirmou o terapeuta. Leia abaixo os principais trechos da entrevista que Calil concedeu à Agência AL.

Agência AL – Como o cérebro aprende?
Fernando Cordeiro Calil – O cérebro, neurologicamente falando, precisa de muitas informações para se desenvolver. E essas informações são fornecidas através das terapias. A criança, o adolescente, o adulto precisam de um treinamento. Alguns já nascem com estas aptidões, e outros necessitam de estimulações. Para o sistema neuronal e para a neurogênese acontecer, essas estimulações são importantes para cada indivíduo. Por isso quando eu falo que o cérebro do autista é hiperexcitado, o cérebro do TDAH tem hiperexcitação, as crianças típicas e as crianças atípicas funcionam de diferentes formas. Aí fica um pouquinho mais difícil para os professores entenderem esse contexto, porque não tem na formação deles. Daí a importância dessa junção da atuação em equipe, clinicamente falando, com família e com as escolas.

Agência AL – Qual a importância desse tipo de evento que Santa Catarina vem realizando no Estado todo?
Calil – É um privilégio poder participar aqui no estado. É a quarta vez em que estou participando, e todas as vezes com anfiteatros lotados. É através destas capacitações que a gente pode passar um pouquinho do conhecimento clínico e neurológico para participar e ser utilizado dentro de um contexto educacional.

Agência AL – Na ementa do evento, a palavra de ordem é a neurociência. Como é que ela entra nessa história da educação?
Calil – Hoje nós somos privilegiados, porque antigamente era tudo diferente: neurociência de um lado, educação de outro. Hoje nós conseguimos unificar e criamos os cinco pilares. A neurociência nada mais é do que aquela ciência que justifica e explica todo o funcionamento do cérebro, que é a peça principal para o funcionamento educacional.

Agência AL – A capacitação dos professores está muito aquém do ideal para atender esse público?
Calil – Com certeza. Eu tenho uma experiência nacional e uma internacional. Lá fora, acompanha-se junto. Criam-se leis, as leis que estão trazendo autistas, TDAHs, com flexibilização e adaptação de currículos para as escolas. Só que as leis são criadas, mas as capacitações para os professores não são criadas. Então esse evento que acontece aqui na região é fundamental. E eu aconselho as demais regiões a copiar esse modelo. Porque você pega um anfiteatro com mais de 600 pessoas, eu tenho certeza de que um pouquinho desse conhecimento que foi passado hoje eles adquiriram.