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Publicado há 11:43 | Atualizado em 09/09/19 às 11:09

Candidatos pagam vereadores e prefeitos para fazer campanha

Remunerados com recursos públicos, 2,6 mil vereadores e 47 prefeitos prestaram serviços para postulantes a deputado, senador e governador nas disputas do ano passado.

Uma reportagem do Jornal O Estado de São Paulo, fez um levantamento e apontou que 2,6 mil vereadores, 167 vice-prefeitos e 47 prefeitos foram contratados pelas campanhas de candidatos a deputados, senadores ou governadores nas eleições de 2018.

Duas de cada três campanhas que contrataram políticos com mandato tiveram a maioria de seus gastos bancada com dinheiro público do fundo eleitoral ou do fundo partidário. Os casos foram levantados nas prestações de contas dos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não incluem serviços prestados por empresas dos políticos, mas apenas contratações como pessoas físicas.

As eleições de 2018 foram as primeiras a ser financiadas principalmente com dinheiro público. Do fundo partidário, foram R$ 372 milhões. Já do fundo eleitoral, criado em 2017 para compensar a perda das doações de empresas, proibidas pelo Supremo Tribunal Federal, foi mais R$ 1,7 bilhão.

Para as eleições municipais de 2020, a Câmara de Deputados está articulando engordar o fundo eleitoral. Na quarta-feira passada, a aprovação de um projeto de lei abriu brecha para um aumento que pode fazer o fundo passar de R$ 3 bilhões. Parte desse dinheiro pode novamente bancar o pagamento de cabos eleitorais com mandato.

No total, políticos com mandato receberam R$ 9,6 milhões nas eleições do ano passado. De cada sete pagamentos, seis foram para serviços de militância política ou coordenação de campanha, ao custo de até R$ 47 mil. Prefeitos e vereadores também alugaram veículos e imóveis para candidatos nas eleições 2018, por até R$ 20 mil.

A contratação de quem exerce cargo público também ocorreu em outras eleições. Em 2014, foram 3,8 mil vereadores e 155 prefeitos. Já na disputa municipal de 2016, o número foi muito maior: 14 mil vereadores e 940 prefeitos. A diferença é que nessas eleições ainda havia financiamento privado, que acabava prevalecendo.

A reportagem do Estadão detectou diferentes circunstâncias envolvendo a contratação de prefeitos e vereadores nas eleições 2018: políticos que reconhecem ter feito campanha mediante pagamento, que alegam ter usado o dinheiro para fazer subcontratações – o que é irregular – e até que negam ter prestado serviço.

De 57 mil vereadores apenas  5%  declararam ao TSE que foram remunerados

Atualmente, o Brasil possui 5570 municípios com cerca de 57 mil vereadores. Praticamente todos fazem campanha para algum deputado federal e estadual em troca de apoio, ou promessa. A reportagem ouviu o vereador Glauco Kuhl, que Lontras, que também se afastou de seu mandato na Câmara Municipal para atuar nas eleições 2018.

O vereador também se desvinculou do PP, para fazer campanha para integrantes do Partido da República, dados do TSE mostram que ele recebeu R$ 20 mil por serviço prestado a candidata do PR, Maria Helena Kika. O vereador disse estar com a consciência tranquila e que se afastou até do cargo efetivo na prefeitura para trabalhar na campanha. Ao Estadão, disse ser contra o fundo eleitoral, porque “é um valor que está fazendo falta em outros setores”.