Receita publicitária da Globo cai 17%

Grupo de mídia encerrou ano passado com faturamento total de R$ 12,523 bilhões; Globoplay teve crescimento de 112% em receitas no período

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A Globo Comunicação e Participações S.A (GCP) divulgou nesta sexta-feira, 26, os resultados financeiros referentes ao ano de 2020. No período, o grupo de mídia registrou uma receita líquida de R$ 12,523 bilhões, 11% a menos do que a apresentada em 2019, quando o faturamento havia alcançado a marca de R$ 14,1 bilhões. Os resultados compreendem os negócios da TV Aberta (Globo), TV Paga (Globosat), Globo.com. Globoplay, Som Livre e G2C. Não fazem parte da GCP os negócios de mídia impressa (Infloglobo e Editora Globo) e a Globo Ventures.

Segundo reportagem do Meio & Mensagem, o maior peso dessa redução deve-se à queda em investimentos publicitários no ano passado. A arrecadação publicitária da Globo (que corresponde a 60% da receita total, de acordo com a empresa) teve uma queda de 17% em 2020, segundo detalhamento do balanço financeiro feito pelo diretor de finanças do grupo, Manuel Belmar, em reportagem do Valor Econômico.

Em relação à receita total da GCP no período, o valor arrecadado pela Globo com publicidade no passado foi, aproxidamente, R$ 7,5 bilhões. A diminuição acontece, sobretudo, pela retração dos investimentos por parte dos anunciantes em função da pandemia da Covid-19. Em 2019, o desempenho com as receitas de publicidade já havia sido 8% menor em comparação com o ano de 2018. A receita de conteúdo, que inclui o faturamento proveniente de programação e assinaturas, e corresponde aos 40% do faturamento, totalizou R$ 5,032 milhões no período.

Presidente-executivo do Grupo Globo, Jorge Nóbrega disse, em entrevista ao Meio & Mensagem, que o ano do grupo foi atípico por combinar diferentes desafios: a desaceleração econômica que já vinha em curso no País, a pandemia de Covid-19 e o processo de unificação das estruturas da empresa, sob o projeto “Uma Só Globo”. “Houve uma imensa crise em todo o mercado publicitário e, em alguns meses, principalmente abril, maio e junho, chegamos a ficar com uma receita 30% abaixo do previsto”, declarou. A entrevista exclusiva do executivo poderá ser conferida na próxima edição de Meio & Mensagem, que será publicada com data de segunda-feira, 29.

Por vários meses do ano passado, a Globo teve de interromper praticamente toda a produção de conteúdo original, recorrendo a reprises para preencher sua grade de programação.

Em 2020, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 688 milhões, número 26% menor do que o obtido em 2019. Já o lucro líquido consolidado da operação sofreu uma queda de 77% na comparação com 2019, passando 752,5 milhões para 167,8 milhões em 2020.

A Globo fechou o ano com R$ 13,6 bilhões em caixa, valor superior aos R$ 10,5 bilhões que tinha em caixa ao final de 2019. A dívida da companhia no ano passado alcançava o montante de R$ 5,4 bilhões.RELACIONADOGlobo renova marca para unificar portfólio

Investimentos e Globoplay
A pesar da queda no faturamento e nas receitas publicitárias, a Globo manteve os investimentos planejados para o ano nas áreas de conteúdo e tecnologia. Sobre o Globoplay, houve um crescimento de 80% na base de assinantes da plataforma de streaming e um faturamento 112% superior ao registrado em 2019. O grupo, no entanto, não abre os números de assinantes e nem valores relacionados à plataforma.

O ano de 2020 foi o primeiro em que o grupo operou de forma unificada, com as divisões de TV aberta, TV paga, plataformas digitais e gestão sob uma única estrutura, de acordo com o projeto Uma Só Globo.

É importante considerar que, em 2020, a Globo não renovou contratos de direitos de transmissão da Copa Libertadores da América e da Fórmula 1, propriedades de custos elevados em termos de produtos televisivos. No ano passado, em continuidade a uma estratégia que já vinha sendo adotada anteriormente, o grupo fez uma revisão dos contratos mantidos com parte de seu elenco, passando a formalizar parcerias por obras em vez de manter contratos fixos. No processo de unificação das empresas do grupo também houve a eliminação de áreas e cargos sobrepostos.

UMA SÓ GLOBO

Desde setembro de 2018, com o projeto Uma Só Globo, o Grupo Globo vem promovendo a maior mudança estrutural desde a sua fundação, há 94 anos. Com a ajuda da consultoria Accenture, o conglomerado de mídia brasileiro e um dos maiores do mundo irá unir em um único CNPJ as empresas TV Globo, Globosat, Globo.com, DGCORP (Diretoria de Gestão Corporativa) e Som Livre. O processo vem acarretando em demissões e tensão entre seus funcionários.

Previsto para ser concluído daqui a dois anos e meio, no final de 2021, o projeto Uma Só Globo está tirando o sono de muita gente. Os profissionais da emissora vivem um momento de tensão extrema diante de transformações profundas

que ameaçam seus empregos. O projeto vai fundir a TV Globo com a Globosat, criando uma gigante que fatura R$ 15 bilhões por ano, e exigirá um alto investimento em tecnologia. Como toda fusão, a das empresas de mídia eletrônica da família Marinho visa a tornar o grupo mais enxuto, eliminando eventuais sobreposições de cargos, de pessoas que fazem a mesma coisa para unidades diferentes. Os cortes já começaram em vários setores.

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