Mais uma vez, os catarinenses sofrem com as inundações. O cenário desolador tem residências invadidas pelas águas, casas arrastadas pela correnteza, desabrigados, deslizamentos, interdições de rodovias… e até mortes!
Não bastasse a situação caótica no estado, em vez de união de forças, ainda aparecem políticos fazendo das cheias, outra vez, um ‘cavalo de batalha’ para seus interesses.
“Eu fiz melhor”, gava-se um que já passou pelo governo. “Você é quem erra nas ações”, acusa outro – que pensa ser melhor.
Entretanto, imaginar que algum deles vai doar três meses de salário para os flagelados ou isentar de impostos os atingidos no comércio e na indústria não deve mesmo passar de uma fantasia febril.
O que muitos ‘alpinistas’ buscam é não desperdiçar a chance de ‘beijar com a boca dos outros’.
Por isso, valem-se até do descaramento de disputar a entrega de doações – que o povo solidário deu –, só para aparecer nas selfies de autopromoção, que nada mais fazem do que estampar a prova do oportunismo em suas próprias redes sociais.
Papo de político, desconfianças e impasse…
Enquanto há pessoas públicas querendo se dar bem usando a desgraça e gente trocando farpas, os cidadãos atingidos ficam reféns de intrigas e manipulações… e, claro, do nível dos rios. Ao mesmo tempo em que temem mais chuvas, se dão conta, de novo, como promessas de mitigação falharam.
É o caso do Alto Vale do Itajaí, uma das regiões mais castigadas pela cheia. No passado recente, as obras de sobreelevação das barragens Sul, em Ituporanga, e Oeste, em Taió, foram apresentadas como “A SOLUÇÃO” derradeira para todos os males provocados por chuvas.
Agora, reconfirmamos a verdade incontestável ao observar vertedouros ‘sangrando’ lâminas volumosas de mais de dois metros de água…
Mas não é só! Há insegurança em relação à comportas com mau funcionamento e desconfiança a respeito das dificuldades para acionar canais extravasores, além de dúvidas sobre as manobras de abrir e fechar as barragens no seu devido tempo.
É certo que a natureza não pode ser controlada por completo. Por outro lado, nenhum projeto esquecido em alguma gaveta burocrática ‘segura água’. É o caso das pequenas barragens em pontos estratégicos, outra velha promessa que ‘só Deus sabe’ quando vai sair do papel. Se é que vai…
Para piorar, a Barragem Norte, em José Boiteux – uma megaestrutura capaz de abrandar enchentes nas cidades rumo à foz do Itajaí-Açu –, está envolvida em um conflito que parece não ter fim.
O impasse de anos terminou no uso da força policial contra índios para garantir o fechamento das comportas.
A comunidade indígena ainda segue esperando obras compensatórias após a construção da represa. A Justiça já atendeu o pedido das aldeias, mas a pendência não é resolvida. Quem dificulta? Os governantes? Os caciques?
A propósito, índios que impedem o fechamento de uma represa poderiam ser processados por tentativa de homicídio ao colocar milhares de pessoas em risco?
Recado aos aproveitadores
Para esses políticos bem pagos com o dinheiro dos contribuintes, que se fartam de gordas diárias, que gastam milhões viajando pelos céus à custa do povo… o que se passa na terra tomada pelas águas parece não importar. Ou melhor, dá a impressão que faz parte do “quanto pior melhor”.
O sadismo estaria alimentando a “indústria das cheias”? É que a cada decreto de emergência ou de calamidade dá para assegurar a vinda de verbas destinadas a obras sem licitação… Seria isso do agrado dos aproveitadores?
Afinal, o que a população atingida por mais uma enchente espera? Entre outras coisas, que os políticos não venham apenas sobrevoar as regiões em aeronaves bancadas com os impostos do trabalhador.
O povo quer que desçam, que tenham a hombridade de colocar os pés na lama, que cheguem ao menos perto da inundação e se agachem por um minuto encarando a água turva – de modo a refletirem nitidamente nela os seus ROSTOS!
Por fim, externamos nossos sinceros votos de força à população, aos comerciantes e empresários. Que possamos todos fazer uma grande união para superar mais uma vez esse desafio. A todos, nesse momento difícil, fica o registro da nossa total solidariedade!


Fonte: ACRACOM