O prefeito de Taió (SC), Horst Alexandre Purnhagen (MDB), viralizou nas redes sociais ao criticar a primeira etapa de serviços de mitigação às cheias apresentada ao público no último sábado (11), quando o governador Jorginho Mello (PL) assinou a ordem de serviço que autorizou o início da “modesta” dragagem de rios na área urbana de Rio do Sul, no Alto Vale.
Republicando uma suposta foto oficial divulgada para anunciar a largada dos trabalhos ao longo de 8,2 quilômetros, Alexandre disparou: “Essa limpeza do Rio em Rio do Sul é a piada do século. Só serve pro povo calar a boca”, criticou ao questionar a efetividade da iniciativa.
A imagem mostra uma escavadeira sobre uma plataforma acoplada a uma embarcação. O conjunto foi fotografado flutuando no Encontro dos Rios, local onde se juntam o Itajaí do Sul, que vem de Ituporanga, e o Itajaí do Oeste, que corre de Taió. Naquele ponto, ambos formam o Itajaí-Açu, que atravessa outras cidades do Vale do Itajaí até chegar ao Litoral Norte catarinense.

Espetáculo
Com cara de show, a solenidade, festejada por inúmeras autoridades, marcou, em tese, o começo da execução de uma futura série de projetos anticheias. Ao menos, é o que diz o governo.
Jorginho Mello afirmou que o momento representa um marco histórico na prevenção de inundações. Segundo ele, é “uma fase de esperança, de botar a mão na massa e começar a dragagem que muita gente espera há muito tempo”.
Um consórcio de duas empresas venceu a disputa. O prazo de execução do serviço é de seis meses. O investimento anunciado é de R$ 16,2 milhões.
Oficialmente, a ação garantirá um melhor escoamento da água e mais segurança hídrica, mas ninguém se arrisca a dizer em quanto a “primeira obra” reduziria o nível do rio em caso de nova “pequena cheia”.

Muito além da mera dragagem
Estudiosos afirmam que a grande questão das cheias incluiria a solução para o trancamento das águas em Lontras, município vizinho, onde haveria a necessidade de dar maior vazão hídrica para, de fato, reduzir os alagamentos em Rio do Sul e cidades próximas.
Além disso, sem a construção das chamadas pequenas barragens, previstas para implantação em municípios acima da Capital do Alto Vale, populações inteiras permanecem vulneráveis em outros pontos da região.
É o caso de Taió, por exemplo. Por lá, espera-se que seja erguida uma estrutura de barramento em Mirim Doce, que fica ao lado.
Ao todo, são 25 projetos para o Vale do Itajaí, de acordo com o plano de proteção citado pelo próprio secretário de Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza.
Contudo, as obras determinantes para amenizar desastres naturais ainda dependem de autorizações.
Sonhando alto?
Enquanto políticos comemoram o início da dragagem, há velhos pesadelos. Nem mesmo as três represas existentes no Alto Vale do Itajaí escapam de ser dor de cabeça para milhares de moradores.
As barragens Norte, em José Boiteux, Sul, em Ituporanga, e Oeste, em Taió, têm problemas não sanados de longa data – pesando como perigosa dívida do governo estadual com a vida das comunidades.
A atual gestão diz que vai fazer a manutenção completa, além da dragagem de outros rios da região.
Entretanto, cabe ressaltar que o povo é “gato escaldado”. Afinal, já foram muitas ‘promessas furadas’ feitas por governantes passados.
Apesar da frustração, o início da limpeza de rios em Rio do Sul acende a esperança de parte da população.
Porém, como a mitigação de grandes cheias “depende do conjunto de obras”, para a maioria, que já não se deixa mais levar por palavras, é ver para crer.

Fotos e Print: Rede Social e Secom/Divulgação