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Vereador de Taió expõe sobra de diárias e abre crise na Câmara

Marcos Krueger devolve mais de R$ 5 mil e revela que cada viagem a Brasília dá lucro de R$ 2,5 mil por parlamentar.

Por Redação

28 de novembro de 2025

às 10:48

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A Câmara de Vereadores de Taió (SC) vive um clima de desconforto depois que o vereador Marcos Krueger (PL) trouxe a público um tema que muitos preferiam manter em silêncio: o “rendimento extra” com as diárias pagas para viagens oficiais, especialmente a Brasília (DF). A revelação reacende a discussão sobre dinheiro público, aparente falta de transparência e um sistema que, na prática, permite que vereadores lucrem com deslocamentos custeados pela população.

Krueger devolveu cerca de R$ 5 mil aos cofres do município referentes a duas viagens realizadas à capital federal em 2025. Os depósitos — R$ 2.417,62 e R$ 2.529,83 — foram feitos diretamente na conta da Câmara, conforme determina a Lei Municipal nº 4.190/2020.

“Cada viagem sobra cerca de R$ 2.500”

A atitude chamou atenção, mas o que realmente provocou impacto foi a explicação do próprio vereador.

Segundo ele, cada viagem a Brasília deixa uma sobra de aproximadamente R$ 2.500 por parlamentar — mesmo com tudo pago: passagens aéreas, hospedagem, café, almoço e jantar.

Ou seja, se o vereador usar apenas o que realmente gasta, a diferença vira “lucro”. E é esse dinheiro que, pela lei atual, em tese deveria ser devolvido.

Krueger fez. Nem todos fazem.

Comprovantes de devoluções de sobras feitas por Marcos Krueger — gesto contrasta com prática de outros vereadores. (Imagem: Captura de tela)

Um cálculo que assusta

Se os nove vereadores viajarem duas vezes ao ano ao longo do mandato, a conta pode chegar perto de R$ 200 mil custeados pelo município — grande parte desse valor podendo, teoricamente, voltar aos cofres públicos, caso todos seguissem o mesmo procedimento de devolução.

A matemática é simples e incômoda: quanto maior a diária, maior a sobra; quanto maior a sobra, maior o incentivo para… “abafar o caso” e não mexer na legislação para corrigir a brecha e torná-la mais rígida para seu efetivo cumprimento.

Silêncio dentro da Câmara

A revelação de Krueger gera comentários nas ruas, mas dentro da Câmara a reação parece ser bem diferente: silêncio.

Nenhum parlamentar rebateu. Também nenhum indicou, até agora, intenção de definir punição para quem descumprir a lei municipal que prevê a devolução das sobras das diárias.

Entretanto, o gesto de transparência do “vereador solitário” criou um constrangimento evidente entre colegas — e levantou suspeitas sobre quem, ao longo dos anos, pretende manter o valor excedente sem informar ou devolver ao município.

O episódio também reabre comparações com outras gestões públicas. No Executivo, por exemplo, o ex-prefeito Almir Reni Guski (PSDB) segue lembrado como o ‘zero diária’ — o gestor que usava o próprio carro ao representar o município, dispensando qualquer pagamento adicional. Um contraste que volta à tona justamente no momento em que o Legislativo taioense deveria dar explicações.

Almir Reni Guski (Imagem: redes sociais)

Debate deve continuar

A discussão é necessária e urgente. Para Taió, é uma oportunidade de rever uma prática que carrega aparência de legalidade, mas abre espaço para abusos.

A população agora aguarda se a Câmara vai encarar o debate abertamente ou seguir a regra silenciosa que vigorou até aqui — aquela em que quem ganha não fala, e quem fala começa a incomodar.

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