Nos corredores da prefeitura de Taió, no Alto Vale do Itajaí (SC), um questionamento começa a aparecer com cada vez mais frequência: o prefeito esqueceu suas próprias origens? O alvo da crítica é Aristides Elói Valentini (PSDB).
Antes de chegar ao comando da cidade, Valentini construiu a carreira no serviço público. Foi servidor da Câmara de Vereadores por mais de uma década, secretário municipal, vereador e vice-prefeito na gestão de Hugo Lembeck (MDB).
Durante a campanha de 2024, ele costumava repetir que se preparou por muitos anos para ser prefeito e que conhecia de perto a realidade do funcionalismo.
Mas, já no início do segundo ano de mandato, parte dos servidores afirma ver um cenário bem diferente daquele prometido nas urnas.
E o contraste incomoda. Enquanto trabalhadores relatam perda de incentivos e cortes de benefícios, o prefeito recebeu salário mensal bruto de R$ 26,3 mil em fevereiro, além das prerrogativas do cargo, que incluem circular em um carro oficial avaliado em cerca de R$ 200 mil, adquirido na gestão passada — veículo que, naturalmente, não foi dispensado por Valentini.

Lei valorizava quem trabalha
Boa parte da insatisfação atual tem origem em uma medida adotada ainda em 2019, agora deixada de lado pela atual gestão.
Naquele ano, a administração do então prefeito Almir Reni Guski (PSDB) criou a Lei Complementar nº 222, com um objetivo claro: valorizar servidores que assumem mais responsabilidades e ajudam a melhorar os serviços públicos.
A lógica era simples: quem produz mais e entrega mais resultados deve ser reconhecido.
A iniciativa foi implantada na gestão conduzida por Guski e pelo então vice-prefeito Horst Alexandre Purnhagen (MDB), marcada pela eficiência técnica e pelo respeito ao funcionalismo, e era vista como uma forma de estimular resultados e melhorar a eficiência dentro da máquina pública.
Benefícios negados e servidores desmotivados
Hoje, segundo relatos vindos de diferentes setores da prefeitura, benefícios previstos na lei vêm sendo negados ou esvaziados pela atual gestão.
O impacto aparece principalmente em áreas estratégicas, como as secretarias de Saúde e de Obras, Transportes e Serviços Urbanos. Os dois setores lidam diretamente com a população e exigem dedicação constante das equipes.
Entre servidores, o sentimento que cresce é de frustração e desmotivação.
E quando o funcionalismo perde motivação, o reflexo costuma aparecer rapidamente no atendimento à população.
“Prometeu entender o servidor”
Durante a campanha, Aristides Elói Valentini afirmava que sua experiência dentro do serviço público seria uma vantagem para administrar Taió.
A expectativa era de uma gestão próxima do funcionalismo.
Hoje, porém, a avaliação de muitos trabalhadores é que a promessa não apenas foi quebrada — a gestão parece andar em marcha a ré, isolada e cercada de “papagaios desocupados” no primeiro escalão.
O alerta é evidente: servidores estão no limite, com salários defasados e cortes nos vencimentos, o que vem gerando desmotivação e ampliando, dia após dia, o número de trabalhadores decepcionados.
Para muitos deles, a sensação é de que um prefeito que conhece o serviço público por dentro escolheu justamente o caminho do conflito com quem mantém a cidade funcionando diariamente.
Um olhar para o futuro
O debate sobre os rumos da cidade ganha um significado especial neste momento, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, 8 de março.
Em Taió, centenas de mulheres trabalham diariamente no serviço público municipal — na saúde, na educação, na assistência social e em diversas áreas que mantêm a cidade funcionando.
E, junto com as homenagens da data, cresce também uma reflexão sobre o futuro político do município.
Depois das frustrações recentes com o prefeito, começa a surgir entre moradores e servidores uma pergunta que até pouco tempo parecia distante: será que chegou a hora de Taió experimentar uma nova liderança?
Para alguns, isso marcaria a segunda vez que uma mulher assumiria o comando da prefeitura a partir de 2029.

Foto de capa: Internet