- A informação que gera opinião!

Fórum reúne juízes da infância e juventude para troca de experiências e boas práticas

Proteção de jovens expostos em ambientes virtuais foi um dos temas debatidos

Por Redação

10 de agosto de 2026

às 17:00

Compartilhe

Realizados no auditório Thereza Tang na manhã e tarde de sexta-feira, 7 de agosto, o “Encontro de Juízes da Infância e Juventude do PJSC e o 2º Fórum Estadual de Juízes da Infância e da Juventude de Santa Catarina” mostraram a complexidade e a multiplicidade dos desafios que estão hoje postos à frente de magistradas e magistrados titulares da área no Estado. O evento contou com transmissão ao vivo pelo YouTube.

A programação abordou temas atuais e relevantes da infância e juventude, com o objetivo de proporcionar um espaço qualificado de diálogo, reflexão e troca de experiências entre magistrados, especialistas e profissionais da área, todos em busca da construção de soluções inovadoras. O encontro foi promovido pela Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude (CEIJ) em colaboração com o Grupo de Monitoramento e Fiscalização dos Sistemas Prisional e Socioeducativo (GMF) e o apoio da Academia Judicial (AJ) – os três, órgãos do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

Na abertura dos trabalhos, o presidente do Fórum Estadual dos Juízes da Infância e Juventude, juiz Fernando Machado Carboni – titular da Vara da Infância, Juventude e Anexos da comarca de Itajaí –, ressaltou que o bom quórum presencial demostrou o interesse dos magistrados catarinenses em se aprofundar numa área sempre complexa, sobretudo com os desafios criados pelo ambiente digital.

“Este é um importante momento para a troca de experiências, no qual podemos compartilhar as dúvidas e angústias que todos nós temos em relação à temática e ao nosso dia a dia na jurisdição”, complementou.

Por sua vez, o vice-coordenador estadual da CEIJ, juiz de 2º grau Giancarlo Bremer Nones, lembrou que atuou por mais de 14 anos na Vara da Infância e Juventude da comarca de Criciúma. À época, a realidade das varas não era tão estruturada.

“Era cada um por si, com suas angústias, resolvendo os problemas individualmente – só alguns trocavam ideias. Um importante avanço ocorreu na gestão do desembargador Antônio Fernando do Amaral e Silva aqui no TJ: 10 juízes da Infância e Juventude de Santa Catarina participaram de um grande encontro de magistrados da área em Belo Horizonte, no qual acompanharam das discussões que estavam acontecendo em âmbito nacional. Dali, iniciou-se esse trabalho de aproximação e discussão, que culminou na criação da CEIJ”, recordou.

A primeira palestra da programação foi “ECA Digital e seus Impactos na Atuação Jurisdicional na Área da Infância e Juventude”, ministrada pela advogada Patricia Peck, especialista em direito digital e cibersegurança. Ela trouxe um amplo panorama das regras de proteção a crianças e adolescentes no ambiente virtual hoje vigentes na legislação brasileira. Para ela, juízes e juízas precisam estar sempre presentes e atentos ao que acontece nos ambientes virtuais – ambientes esses que vivem em constante transformação com novas plataformas e aplicativos que capturam o interesse de menores de idade.

“As plataformas digitais hoje precisam fazer políticas preventivas, de combate ao bullying – o ECA Digital exige que elas sejam feitas nos ambientes em que pode haver crianças. São campanhas que precisam estar no celular, no tablet, nas lojinhas onde se compram e baixam os aplicativos. É uma sugestão que deixo para magistradas e magistrados – que as decisões contrárias às plataformas tragam como punições as campanhas educativas obrigatórias baseadas na legislação. Isso terá um grande impacto comunitário e social”, enfatizou.

O juiz-corregedor do Núcleo de Direitos Humanos da Corregedoria-Geral da Justiça de Santa Catarina (CGJ), Raphael Mendes Barbosa, foi o interlocutor seguinte, com o tema “Portarias na Infância e Juventude como Instrumentos de Gestão Judicial: troca de experiências e replicação de boas práticas”. Ele frisou que a atuação de magistrados na área demanda instrumentos capazes de organizar a atividade jurisdicional e administrativa diante da complexidade das demandas e da necessidade de atuação integrada com a rede de proteção.

“Em muitos casos, as portarias facilitam o trabalho do juiz e dos cartórios. Elas permitem disciplinar procedimentos, definir fluxos de trabalho, uniformizar rotinas e fortalecer a articulação entre os diversos órgãos e serviços envolvidos. Sua utilização contribui para uma atuação mais eficiente, previsível e alinhada aos princípios da proteção integral e prioridade absoluta”, pontuou.

O encontro seguiu à tarde com os painéis “Perspectivas de Atuação Judicial no Sistema Socioeducativo: gestão de vagas e audiências concentradas”; “Projeto Pós-Adoção – “Laços Encontrados” como Estratégia de Fortalecimento de Vínculos Familiares e Acompanhamento das Famílias”; e com o alinhamento de pautas e diretrizes do Fórum Estadual de Juízes da Infância e Juventude.

Também compuseram a mesa de abertura do 2º Encontro o presidente do GMF, desembargador Roberto Lucas Pacheco, e o desembargador Maurício Cavallazzi Póvoas, representando a AJ.

Fonte: Diretoria de Comunicação/DCOM

Últimas notícias

Em 2026, os parlamentares poderão deixar de cumprir certas regras fiscais
Proposta está em análise na Câmara dos Deputados
Evento realizado no Unicesusc discutiu os impactos da violência doméstica sobre crianças e adolescentes.