A prevenção do câncer de mama passa por escolhas cotidianas que podem contribuir para a redução dos riscos e para uma melhor qualidade de vida. Essa foi a principal mensagem compartilhada pela médica oncologista Maria Cecília de Lucena Araújo durante a roda de conversa “Fatores Preventivos do Câncer de Mama: pequenas escolhas, grandes impactos na saúde”, realizada nesta sexta-feira, 16 de outubro, em formato virtual, pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Promovido pela Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida (DSQV), em parceria com o programa Mães do Judiciário, o encontro reuniu magistradas, servidoras e público externo para refletir sobre fatores que influenciam a saúde e podem ajudar na prevenção da doença. “Algumas pessoas acreditam que ter casos de câncer na família é uma sentença ou, ao contrário, que estão livres da doença porque não conhecem ninguém próximo que teve câncer. Mas apenas cerca de 10% dos tumores de mama são hereditários. Há muita coisa que podemos fazer para prevenir e reduzir os riscos”, explicou a oncologista, ao abrir a palestra.
Hereditariedade não é destino
Segundo a especialista, fatores como idade, características da mama e histórico familiar não podem ser modificados. No entanto, hábitos relacionados ao estilo de vida podem fazer diferença mesmo para pessoas com predisposição genética. Maria Cecília observou que o aumento dos casos de câncer de mama também está relacionado às mudanças no modo de vida contemporâneo. Por isso, reforçou a importância de olhar para aspectos como atividade física, alimentação, peso corporal e saúde emocional.
Entre os fatores com evidências científicas mais consistentes para a redução do risco, a médica destacou a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado e a redução do consumo de álcool. “Quem faz atividade física ao longo da vida tem menos chance de desenvolver câncer de mama. Também é importante manter o peso adequado, especialmente após a menopausa”, destacou. A oncologista citou recomendação da Organização Mundial da Saúde, segundo a qual adultos devem realizar, semanalmente, pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa.
Outro tema abordado foi o estresse e seus reflexos na saúde. A médica esclareceu que não há comprovação de que o estresse, isoladamente, cause câncer, mas destacou que ele pode levar a comportamentos que favorecem o desenvolvimento de doenças. “Quando estamos muito estressados, tendemos a dormir menos, deixar de fazer exercícios, consumir mais álcool ou alimentos industrializados. Não é o estresse em si, mas o que ele provoca na nossa rotina que pode aumentar os riscos”, observou. Ela também chamou atenção para a necessidade de criar momentos de pausa ao longo do dia e de cultivar atividades que promovam bem-estar e equilíbrio emocional.
Alimentação e qualidade de vida
Durante a conversa, Maria Cecília reforçou que não existe um alimento específico capaz de prevenir o câncer, mas que uma alimentação equilibrada traz benefícios para a saúde como um todo. A recomendação incluiu maior consumo de frutas, verduras, legumes, proteínas e fibras, além da redução do consumo de ultraprocessados, carnes processadas e bebidas açucaradas.
O sono também foi apontado como um fator fundamental. De acordo com a especialista, dormir entre sete e nove horas por noite ajuda a regular hormônios relacionados ao apetite, à disposição e ao metabolismo. Ela orientou ainda a adoção de hábitos de higiene do sono, como evitar telas antes de dormir, manter horários regulares para deitar e acordar e criar uma rotina que favoreça o relaxamento.
Ao final da palestra, a médica destacou a importância de preservar vínculos sociais, momentos de lazer e atividades prazerosas, como ler, ouvir ou tocar músicas, mexer com plantas e sair com as amigas. “A gente se permite toda hora botar mais trabalho na rotina, então que a gente se permita também botar mais momentos de lazer no meio da semana, sair com uma amiga, fazer uma massagem, isso tem a ver com saúde”, ressaltou.
Mães do Judiciário
A chefe da Divisão de Atenção à Saúde e integrante da equipe de acolhimento do programa Mães do Judiciário, Juliane Cristina Zandonai do Amaral, destacou que a roda de conversa também marcou o encerramento de mais um ciclo de encontros do programa em 2026. “Este encontro é muito especial porque encerra mais um ciclo do programa Mães. Agradecemos a todas que participaram das atividades e contribuíram para a construção dos nossos espaços de acolhimento, diálogo e troca de experiências”, afirmou.
Nos últimos meses, a coordenação do programa foi contatada por representantes de diferentes instituições, interessados em conhecer sua estrutura e forma de atuação, entre elas a Prefeitura de Florianópolis, o Ministério Público de Santa Catarina e a Polícia Civil. O interesse reflete o reconhecimento da iniciativa e de sua relevância como espaço de diálogo, acolhimento e compartilhamento de experiências, servindo de inspiração para ações semelhantes em outros órgãos públicos.