O terreno escolhido para construir um dos projetos atuais mais ambiciosos da carreira política do prefeito José Thomé (PSD), “a grande policlínica nova”, está em um local sujeito ao cerco de enchentes e afastado da região central de Rio do Sul (SC). O imóvel fica perto da BR-470, na Rua Dom Pedro II, no bairro Canoas e, segundo dados da Defesa Civil, a cota mínima de cheias é já a partir de 9,22 metros e a máxima de 10,68 metros ao longo da via.
O lugar, que já serviu como sede para a antiga Agência de Desenvolvimento Regional (ADR), situa-se na frente de um trecho onde o Rio Itajaí do Oeste faz uma curva.
Quando o nível das águas sobe e alaga grande parte da região de baixada, a correnteza forte também dificulta a movimentação de embarcações até ao local.
Em caso de inundação, o acesso ficaria arriscado ou comprometido para o transporte de pacientes.
Por outro lado, o imóvel, em uma das entradas da cidade pela BR-470, aparece bastante. Ou seja, funciona como uma espécie de vitrine.
Acesso difícil
Mesmo em épocas de tempo firme, o local previsto para a construção da sede da policlínica promete dificultar o acesso de usuários do sistema público de saúde do município. Por isso, o projeto já é alvo de críticas.
Longe do terminal urbano e sem linha direta de ônibus, pacientes sem veículo e mães com filhos no colo poderão ter que fazer sacrifício com longas caminhadas para chegar ao endereço.
Apesar disso, é neste lugar que a prefeitura pretende investir R$ 11,8 milhões de reais, de acordo com o orçamento inicial da obra da nova policlínica da Capital do Alto Vale.
Mudança
Fora de área de enchente, hoje, a Policlínica de Referência Regional funciona no Centro da cidade, perto de vários laboratórios de análises clínicas e bem ao lado do Hospital Regional Alto Vale (HRAV).

Mas o popular “Verdão” precisará sair do local para dar lugar ao novo bloco do projeto de ampliação da unidade hospitalar planejado pela Fundação de Saúde do Alto Vale do Itajaí (Fusavi).

Vendendo área nobre para investir no risco
Para alcançar os R$ 11,8 milhões do orçamento, a nova sede, no bairro Canoas, ainda depende de recursos na ordem de R$ 6,3 milhões de reais, segundo o prefeito.
E José Thomé diz que esse é – exatamente – o valor da avaliação do imóvel do antigo Fórum, localizado no bairro Jardim América, área nobre e centralizada de Rio do Sul.
O prefeito antecipa: “Há uma expectativa de vendermos esse imóvel para a iniciativa privada, para ali, no coração da cidade, ter uma empresa, pagando impostos, gerando empregos e o poder público ganhando com isso também”.
A Câmara de Vereadores riosulense já autorizou (Lei Nº 6.302 / DOM-SC) a comercialização do prédio em apoio ao projeto da nova policlínica no Canoas. Com isso, Thomé já festeja: “A gente uniu o útil ao agradável”.
Pelo visto, a despreocupação é generalizada com o fato que a nova sede ficará fora de mão e localizada em área de risco, sujeita à inundação.
De acordo com a prefeitura, há outros R$ 4,5 milhões em caixa, além de mais R$ 1 milhão do governo do estado para inteirar o valor da obra.
Atualmente, o antigo Fórum abriga, de forma temporária, o Centro Especializado de Assistência Farmacêutica (CEAF) e o Programa de Atenção ao Idoso (PAI), ambos migrados de outro prédio.

Arriscando a partir de “fevereiro ou março”
Apesar do risco de enfrentar enchentes no local escolhido no bairro Canoas para construir a nova policlínica, o prefeito José Thomé está animado: “A gente acredita que é uma obra que possa começar ali em fevereiro ou março [2022], se tudo ocorrer dentro dos trâmites legais”.

O governo catarinense ainda precisa fazer a transferência do imóvel do antigo Fórum ao Município. A expectativa é que isso já aconteça até o final de outubro.
O projeto de engenharia da nova policlínica está sendo contratado, informa o prefeito.
No entanto, houve problemas durante a reunião de abertura dos envelopes de habilitação das seis concorrentes interessadas no serviço e a comissão de licitação suspendeu o processo de escolha da vencedora no último dia 22 de outubro.
Com isso, o cronograma de construção da nova Policlínica de Rio do Sul já sofre atraso na largada.
(Processo Licitatório nº 046/2021/FMS, na modalidade de Tomada de Preços)
Fonte: Redação