Atrasado, repleto de brechas, enfatizando termos como “temporalidade”, “casos suspeitos” e baseado em apenas seis referências consultadas. Este é o primeiro “Boletim de Monitoramento de Eventos Adversos Pós-Vacinação contra a Covid” (EAPV) que demorou quase 10 meses até ser divulgado na semana passada pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive/SC) do governo de Santa Catarina.
O relatório não revela o nome de seus verdadeiros autores. Também não informa se o levantamento recebeu consultoria externa, financiamento privado ou recursos públicos para a sua realização.
Reunindo dados de janeiro a setembro de 2021, o material sugere parcialidade no teor das conclusões apresentadas.
O levantamento não disfarça o grande esforço feito para descartar – ao máximo – a relação entre vacinas e possíveis mortes.
Enquanto a maioria das situações (94%) figura como casos considerados Eventos Adversos Não Graves (EANG), não há nenhuma referência sobre inoculados que poderiam ter sofrido sequelas temporárias ou definitivas.
Além disso, o documento oficial do governo também não informa se há vítimas de lesões de vacinas internadas em hospitais e quem custeia eventuais tratamentos médicos.
Igualmente, não há menção a indenizações nos casos confirmados de mortes provocadas pela vacina AstraZeneca em Santa Catarina.

Defesa cega
Desconsiderando que as vacinas Covid são utilizadas pela primeira fez na história da humanidade, em caráter emergencial e com a tecnologia experimental de “RNA mensageiro” (mRNA), o boletim epidemiológico abre com uma premissa explícita, mas temerária, de defesa incondicional aos atuais “imunizantes”.
“A prevenção de doenças infecciosas mediante o processo de vacinação (imunização) é uma das medidas mais seguras e custo-efetivas para os sistemas de saúde”, generaliza o documento referindo-se a imunizantes tradicionais usados no combate a males como sarampo, rubéola, poliomielite ou varíola.
Omitindo que, neste momento, países recorrem a substâncias incipientes da chamada “Fase 3” – cujos resultados reais de supostos efeitos graves “raros” ou “raríssimos” as próprias gigantes farmacêuticas prometem divulgar somente quando findarem os testes mundiais em um prazo de até três anos -, o relatório acrescenta – cegamente: “As vacinas estão entre os medicamentos mais seguros para o uso humano”.

Subnotificação ignorada
O boletim emitido pela Dive também ignora a subnotificação dos casos de reações adversas, um problema de escala mundial.
Até mesmo nos Estados Unidos (CDC) e Europa (EMA), onde os próprios cidadãos têm acesso a plataformas abertas para registrar os casos, estima-se que apenas entre 1% e 10% das complicações vacinais acabam informadas aos governos.
No Brasil, a burocracia para relatar efeitos colaterais de vacinas é imposta pelo sistema e-Sus Notifica, que é fechado aos cidadãos.

AstraZeneca, a ‘campeã’
Apesar das fragilidades expostas pelo boletim, o documento declara que a vacina do laboratório AstraZeneca lidera os “casos suspeitos” de Eventos Adversos Pós-Vacinação em Santa Catarina com 6.373 registros.
Em seguida, há 2.528 relatos oriundos da vacina do laboratório Sinovac/Butantan, 1.093 provenientes da vacina da Pfizer e 257 originados da vacina da Janssen.
Proibida em diversos países por conta dos riscos de formação de coágulos sanguíneos, Santa Catarina acabou de receber mais 55 mil doses da AstraZeneca na última sexta-feira (12), mesmo a fabricante enfrentando forte recusa no exterior.

Mortes: “investigação” e dúvidas
Um dos tópicos mais delicados do boletim diz respeito aos Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV), especialmente à taxa de mortalidade.
Explicitamente, o relatório parece forçar a desassociação de eventos graves com as vacinas Covid-19.
Segundo o governo, de 8,7 milhões de doses aplicadas na população catarinense no período de 18 de janeiro a 30 de setembro, houve notificação de 10.251 “casos suspeitos” de EAPV no estado.
Os registros somam 17.918 reações adversas, uma vez que um mesmo paciente sofreu mais de um “sinal ou sintoma”.
Do total, 70,5% dos casos correspondem ao sexo feminino e 29,5% ao masculino. A faixa etária com maior número de notificações é de 18 a 35 anos (33,4%).
Ainda de acordo com o boletim, “dos 613 Eventos Adversos Graves (EAG) notificados foram identificados 242 óbitos”. Em sua maioria (75,2%), as mortes ocorreram na população acima de 65 anos, pontuando que a vacina do laboratório Sinovac/Butantan foi amplamente utilizada em grupos sexagenários nos primeiros meses de vacinação.
Entretanto, o relatório se apressa em afirmar que “os óbitos podem estar associados a outras causas e não necessariamente à vacina”.
Como as mortes ocorreram “no período de até 30 dias” após a inoculação, surge outra brecha: como fica o monitoramento de possíveis efeitos adversos – incluindo mortalidade – em médio e longo prazos?

Impressionante!
Em um trecho, o documento deixa vazar um verdadeiro absurdo ao relatar o seguinte: “Em muitas situações, os casos são notificados de forma incompleta, sendo necessária a solicitação de informações adicionais pelas unidades de saúde e equipes municipais para conclusão da investigação” (pág. 13).
Em outra parte, quando trata da análise por faixa etária, o boletim expõe mais uma falha ao reportar que “observou-se 62 notificações com idade ignorada, que podem estar relacionadas a erros de digitação”.
As revelações permitem concluir que há descontrole no monitoramento dos casos no território catarinense.
Descartando mortes
Em uma só tacada, o boletim descarta 102 mortes (42,1%). A alegação: “Relação temporal consistente, mas sem evidências na literatura para estabelecer uma relação causal” (pág. 16).
Obviamente, como as vacinas são incipientes pressupõe-se que ainda não há base literária para muitas complicações. No entanto, este fato, por si só, justifica descartar sumariamente mais de uma centena de óbitos?
Outros 86 casos de mortes (35,5%) aparecem com a classificação “inconsistente ou coincidente” e, da mesma maneira, são excluídos sem maiores detalhamentos. “Inconsistente ou coincidente” com o quê? Com quais critérios?
O descarte segue com outras 36 mortes (14,9%) rotuladas como “inclassificável”. Não conseguir classificá-las justifica eliminá-las da contagem oficial de mortos por vacinas?
Além disso, mais 3 óbitos são desconsiderados porque “os dados da investigação são conflitantes em relação à causalidade”. O “conflito” autoriza a simples exclusão?
O relatório informa ainda que 13 casos de mortes pós-vacina estão “em investigação”. Neste ponto nem sequer diz porquê a apuração não foi concluída (o que poderia evitar a impressão de retenção de dados/controle de danos), como andam estas análises e quando sairá o resultado das mesmas.

Após descartes, duas mortes
Por fim, de um total de 242 óbitos “suspeitos”, o documento reconhece duas mortes no Vale do Itajaí: um homem de 28 anos, que morava em Blumenau (a própria mãe dele diz ter comprovado a morte por vacina em exame encaminhado para a Espanha) e uma mulher de 27 anos, que era de Timbó.
Ambos foram vítimas de “Síndrome de Trombose com Trombocitopenia (STT/TTS)”, reconhece o boletim.
Mas ao admitir que a inoculação matou os dois, o texto parece usar eufemismo ao pontuar que “temporalmente” (sinônimos: durante pouco tempo, provisoriamente, passageiramente) os casos foram “associados à vacina do laboratório AstraZeneca”.
Ainda se pode falar em “temporalidade”, se já há confirmação dos fatos?

Meia frase de lamento
Em nota, o Núcleo de Imprensa da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive/SC) usa a mesma frase para dizer que ‘lamenta’ as duas mortes e seguir puxando a propaganda da campanha experimental: “A SES [Secretaria de Estado da Saúde] lamenta a ocorrência dos óbitos, reforça a importância da vacinação para o combate à disseminação do coronavírus”.
E depois dos 30 dias?
Sem considerar a possibilidade de complicações em médio e longo prazos após a aplicação de vacinas com tecnologias inéditas, a nota do Núcleo de Comunicação, que apresenta o relatório da Dive, dá o veredito: “Os dados apresentados no Boletim mostram que os benefícios da vacinação superam os riscos de eventuais eventos adversos, que são considerados raros e em sua grande maioria, leves e com boa evolução”.
Como destacamos anteriormente, somente quando terminar a “Fase 3” desse grande experimento mundial e houver a coleta e apuração total (e fidedigna) dos dados será possível conhecer a exata extensão e gravidade das reações adversas das vacinas Covid-19.

Inflamações cardíacas
Apesar da preocupação e dos casos registrados mundo afora sobretudo em jovens do sexo masculino, o boletim epidemiológico catarinense afirma: “Até o momento, não foram confirmados casos de EAPV graves relacionados a miocardite/pericardite no contexto da vacinação contra a COVID-19 em Santa Catarina”.
No entanto, ao longo dos quadros numéricos do relatório há a seguinte ressalva: “dados sujeitos à revisão”. Ou seja, também nesse ponto, em tese, poderá haver alteração.
Alerta tardio
Com atraso prestes a completar um ano, a divulgação do “Boletim de Monitoramento” acompanha, pela primeira vez, uma orientação pública da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina voltada a Eventos Adversos Graves Pós-Vacinais.
O alerta “solicita atenção de todos para a ocorrência de sinais e sintomas atípicos como dor de cabeça persistente, dor abdominal, dor no peito, náuseas, vômitos, edema em membros inferiores, falta de ar e palpitações, num período de até 4 semanas após a vacinação”.
De acordo com o aviso, “caso apresente esses ou outros sintomas, procure um serviço de saúde para atendimento”, finaliza a advertência.
Quarta Onda: a preocupante “virada da pandemia”
Em sua defesa, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) também informa no boletim que as vacinas atuaram “tendo reduzido as internações” hospitalares.
Por outro lado, países europeus (Alemanha, França, Dinamarca, Áustria) que vacinaram em altos índices e haviam experimentado a mesma “redução”, agora, informam ao mundo a explosão de novos casos com números recordes de contágio tornando-se, outra vez, “epicentro da pandemia”, conforme noticia a mídia tradicional.
Mesmo a Holanda, com 85% da população adulta totalmente vacinada, impôs novo bloqueio e restrições desde o último sábado (13).
Já Gibraltar, com quase 100% de cobertura vacinal, acaba de cancelar o Natal no território ultramarino que pertence à Inglaterra.
Esta “virada da pandemia” europeia também já reacende o alerta no Brasil.

- Confira o Boletim Epidemiológico (Nº01/2021 – Dive/SC) dos Eventos Adversos Pós-Vacinação contra Covid-19 em Santa Catarina AQUI.
Fonte: Redação