O governo catarinense já acumula 52 mortes suspeitas que foram oficialmente identificadas e registradas após a vacinação contra a Covid-19 no estado. A situação preocupante está relatada no recém-lançado “2º Boletim Epidemiológico” da DIVE, mas ainda não foi devidamente explicada, apesar de o serviço de inoculação já estar completando quase 12 meses em Santa Catarina.
Antes, entre janeiro e setembro de 2021, eram 13 óbitos suspeitos relacionados à atual vacinação em massa, conforme dados do “1º Boletim”.
Agora, segundo o levantamento mais recente, do início do ano passado até novembro último, o número destas ocorrências quadruplicou.

Demora: Controle de danos?
Com 11,3 milhões de doses aplicadas até novembro do ano passado, a campanha de vacinação contra a Covid-19, agora em janeiro de 2022, já vai completar seu primeiro aniversário.
Apesar disso, a conclusão das investigações e a divulgação oficial de dados de segurança tão relevantes sobre possíveis mortes – que podem ter relação direta com as vacinas -, se arrasta.
A lentidão alimenta dúvidas e desconfianças.
A conclusão é demorada por causa da complexidade da análise dos casos?
A devida apuração poderia estar sendo conduzida a passos lentos de propósito?
A aparente lentidão poderia, por exemplo, ser uma estratégia para não assustar ainda mais a população após a grande repercussão das mortes por vacinas – de um homem e de uma mulher -, confirmadas em outubro de 2021?
O governo catarinense estaria adiando a confirmação de novas mortes por vacinas para não afugentar a população dos locais de aplicação das doses e atingir o desempenho dos trabalhos de inoculação no estado?
Vacinas: Eventos adversos graves e mortes “em investigação”
O “2º Boletim Epidemiológico”, recentemente divulgado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC), informa: ”Dos 723 Eventos Adversos Graves (EAG) notificados foram identificados 311 óbitos que ocorreram no período de até 30 dias após o recebimento da vacina”.
Dos 311 óbitos suspeitos de EAPV, 259 (83,3%) tiveram a investigação concluída, de forma a permitir a avaliação e o encerramento do caso frente aos desfechos, mas “52 (16,7%) estão em investigação”.

Chama a atenção, a metodologia utilizada para descartar centenas de mortes, como você poderá ler na reportagem em destaque ao final deste texto.
Subnotificação, falhas e duas mortes confirmadas que tiveram forte impacto
Em novembro do ano passado, somente após quase 10 meses desde o início da campanha de inoculação, o governo divulgou o “1º Boletim de Monitoramento” sobre complicações pós-vacinação em Santa Catarina.
O documento ignorou a subnotificação dos casos, admitiu falhas de monitoramento, não mencionou acompanhamento dos inoculados em médio o longo prazos, não informou se há vítimas de vacinas lesionadas ou em tratamento médico e descartou mais de duas dezenas de óbitos através de metodologia questionável baseada em apenas seis referências consultadas para a pesquisa.
Ao final, o boletim acabou admitindo duas mortes: um homem de 28 anos, que morava em Blumenau (a própria mãe dele, Arlene Graf, diz ter comprovado a morte por vacina em exame encaminhado para a Espanha) e uma mulher de 27 anos, que era de Timbó.
Ambos os casos fatais, atribuídos à vacina da AstraZeneca, provocaram forte reação nas redes sociais.
A maior repercussão envolveu o drama do advogado Bruno Oscar Graf, vítima de um AVC hemorrágico (“Síndrome de Trombose com Trombocitopenia – STT/TTS”), conforme confirmou a própria Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC).
A questão das indenizações às famílias das vítimas não foi abordada em nenhum dos dois relatórios governamentais divulgados até aqui.

Lentidão: O que diz o governo
A demora para concluir a investigação das mortes suspeitas, que podem estar relacionadas às inoculações contra a Covid-19, é explicada no “2º Boletim Epidemiológico” de monitoramento dos Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV) da seguinte forma:
“Considerando que a notificação de quaisquer EAPV deva ocorrer num prazo de até 30 dias após o recebimento da vacina, é necessário avaliar com cautela essa informação, pois os óbitos podem estar associados a outras causas e não necessariamente à vacina. Portanto, essas notificações demandam investigação para a conclusão dos casos. Em muitas situações, os casos são notificados de forma incompleta, sendo necessária a solicitação de informações adicionais pelas unidades de saúde e equipes municipais para conclusão da investigação.”
Ainda de acordo com o boletim, dentre os 10.899 casos de EAPVs notificados, foram relatadas 21.622 reações (sinais e sintomas), a maioria considerada Eventos Adversos Não Graves (EANG).
Cabe ressaltar que o documento não apresenta nenhuma preocupação com possíveis complicações em médio e longo prazos que as vacinas incipientes poderão causar à saúde dos inoculados.
VEJA o 2º Boletim Epidemiológico oficial AQUI.
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Fonte: Redação
Foto destaque: Breno Esaki/Agência Saúde DF