Novidade chegou para facilitar o fim da poeira e da lama – com custo bem menor – e já virou modelo em municípios da região que se inspiraram no amplo sucesso que a tecnologia faz na Europa. “Não tem erro”, destaca engenheiro. “É uma estrada mais segura, de garantia”, afirma um prefeito. “É uma técnica construtiva em expansão”, revela outro gestor. Se é mais barato e dura mais, qual administrador público recusaria a alternativa? Pelo visto, só mesmo quem prefere desperdiçar dinheiro dos contribuintes com obras caras e manutenção sem fim…
Garantindo custo até 60% menor, maior rapidez na construção e durabilidade de até 80 anos, a pavimentação de ruas em concreto usinado ganha cada vez mais força em obras realizadas por prefeituras no Alto Vale do Itajaí (SC).
Pouso Redondo e Mirim Doce são exemplos disso. As duas cidades já despertam a atenção até de outros gestores municipais e engenheiros da região. Todos estão interessados no uso da tecnologia, que é sucesso indiscutível há muito tempo na Europa.
Além da alta resistência e do gasto final ser muito menor, o engenheiro civil da prefeitura de Pouso Redondo, Thiago Esser, destaca: “A gente executa com mão de obra [de pedreiros e serventes] da própria prefeitura. Não tem erro, não tem segredo”.
Esser também conta uma curiosidade. Enquanto o asfalto superaquece ambientes urbanos pelo fato de refletir as altas temperaturas, “o concreto ajuda a reduzir o calor no verão” porque consegue absorver a energia do sol.
Bom negócio
As vantagens do concreto não param por aí.
Se uma placa do pavimento cede, basta removê-la, estabilizar o solo e refazer aquele pedaço da pista. “É bem mais tranquilo”, afirma Esser. Já uma via asfaltada, em geral, tem vida útil de apenas 10 anos, o que exige manutenção bem mais cedo e provoca acúmulo de gastos mais elevados com maquinários e operários.
O custo da nova alternativa chega a ser menor que o das tradicionais lajotas que, para piorar, não impedem a infiltração da água da chuva. A deficiência resulta em buracos e reparos mais frequentes nas ruas de calçamento.
A segurança ao trânsito de veículos é outra qualidade da tecnologia em expansão no Alto Vale. Segundo o engenheiro, o pavimento de concreto pode ser texturizado em locais íngremes. A técnica garante uma aderência ainda maior entre a pista e os pneus. “O concreto agarra melhor do que o asfalto”, enfatiza Thiago.
E mais: como é possível concretar cerca de 500 a 600 metros quadrados diariamente, em “dois ou três dias está pronta a obra”.
Em ruas residenciais, com tráfego leve, a camada da concretagem varia de 12 a 14 centímetros. Onde há incidência de tráfego pesado, a espessura alcança entre 19 e 20 centímetros.
De fácil acesso, o material pode ser encontrado em empresas concreteiras na própria região. VEJA!
Pioneirismo
O município de Pouso Redondo é pioneiro na pavimentação em concreto usinado no Alto Vale.
A motivação foi o custo mais baixo em relação ao asfalto, que dobrou de preço nos últimos dois anos por causa do aumento do valor dos derivados do petróleo.
A iniciativa teve apoio da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), entidade que congrega as indústrias nacionais do setor. Houve treinamento on-line das equipes da prefeitura.
Animado com a novidade, o prefeito Rafael Neitzke Tambozi (União Brasil) relata que o município adquiriu os equipamentos necessários: régua vibratória, disco de corte e polidor.
O trabalho iniciou em janeiro de 2022 em ruas pequenas da cidade. Como o serviço já pegou ritmo, a equipe “vem concluindo uma rua a cada 20 dias”.
Tambozi acredita que cada obra tem sua especificidade. Por isso, vai mesclar o uso da nova tecnologia. “Em ruas onde o trânsito é mais rápido” e o motorista sentiria os pneus passando nas juntas de dilatação, “a gente vai continuar usando o asfalto. E nas ruas de bairro onde existe um tráfego mais lento [até 40 km/h], vamos optar pelo concreto”, explica o prefeito.
Rafael Neitzke diz que vários prefeitos já vieram conhecer a inovação. “Tem boa durabilidade, custo mais baixo, então é interessante”, detalha. “É uma técnica construtiva que está em expansão”, acrescenta o gestor municipal. ASSISTA!
Sonho
O prefeito de Mirim Doce, Bernardo Peron (PSD), também aposta na pavimentação em concreto.
Para ele, o uso do novo recurso é a realização de um sonho que já carregava ao assumir o cargo no início de 2021.
A tecnologia está sendo empregada em vias que levam ao interior do município.
O primeiro trecho tem 1.125 metros de extensão. Se fosse feito em asfalto de 5 centímetros de grossura, custaria cerca de R$ 2 milhões e teria durabilidade média de apenas uma década. Em concreto usinado, a obra tem 19 centímetros de espessura. Quando estiver concluída, comportará o peso do tráfego de caminhões de carga e maquinários agrícolas e deverá durar quase um século. Preço: R$ 1,39 milhão, calcula Peron.
“A primeira camada base é feita pela prefeitura” que, de acordo com o administrador, “tem bom material e trabalha para ganhar tempo e dinheiro.”
Uma segunda etapa da obra, com outros 1.700 metros, deve estar licitada antes do fim do ano.
O plano inclui ainda a futura pavimentação em concreto de 3,1 quilômetros da estrada da Margem Esquerda até a divisa com Taió, alcançando assim o trecho que deverá ser asfaltado pela prefeitura taioense em direção ao território mirindocense.
“Tio Bê”, como é conhecido, tem uma mensagem a prefeitos da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi) sobre o concreto que está sendo lançado nas ruas: “É uma estrada mais segura, de garantia”.
E finaliza: “É muito bom, é uma novidade e vai desenvolver cada vez mais a pavimentação em concreto das estradas pela durabilidade que vamos ter”. ACOMPANHE!