Com cinco assistentes sociais efetivas, o prefeito de Taió (SC), Horst Alexandre Purnhagen (MDB), decidiu contratar uma “empresa especializada para prestar serviços de assessorias, consultorias técnicas e capacitações na área”.
Conforme apurou o portal Alto Vale Agora, a decisão acabará saindo mais caro do que o custo de cada uma das profissionais concursadas que já integram o quadro de pessoal da prefeitura do município do Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina.
A assessoria, representada pela “Empresa Ana Paula de Araújo”, implica em gasto de R$ 71,9 mil, segundo o contrato que tem validade por um ano.
O desperdício dessa quantia de dinheiro não precisaria ocorrer. A certeza é de uma fonte que já fez parte da equipe da Secretaria de Assistência Social de Taió: “Esse trabalho poderia ser feito por uma das assistentes sociais efetivas do quadro de funcionários” do município, afirma a ex-integrante do executivo.
Juntas, as cinco servidoras concursadas já somam custos salariais que atingem quase R$ 300 mil aos cofres públicos anualmente, segundo cálculo feito com base nos dados disponíveis no Portal da Transparência.

Revelações
A reportagem do Alto Vale Agora foi informada que a assistente social da empresa contratada pelo executivo até maio do ano que vem já trabalhou no município na gestão passada.
No entanto, a nossa fonte destaca que ela tinha vindo “de Rio do Sul – através de processo seletivo – para trabalhar no Acessuas”, Programa Nacional de Promoção do Acesso ao Mundo do Trabalho para famílias em situação de vulnerabilidade social.
Ainda de acordo com a fonte, a Secretaria de Assistência Social de Taió sofria com a falta de profissionais da área naquela época, mas lembra: “A assessoria jurídica [da prefeitura] nunca deixava fazer nada. Engraçado, agora pode tudo”, observa ao referir-se à atual contratação que considera desnecessária.
Críticos observam que verbas da União para determinados programas federais precisam ser usadas sob pena, inclusive, de devolução.
Por isso, muitos municípios brasileiros acabam arrumando um jeito de ‘queimar’ os recursos.
Para impedir que isso ocorra, compete aos vereadores exercer seu papel de fiscalização.

Secretário fora de cena
Apesar de o contrato de prestação de serviços de assessorias e consultorias técnicas estar voltado para a Secretaria Municipal de Assistência Social de Taió, o nome do secretário Jeferson Kniess não aparece no acordo estabelecido pelo prefeito Horst Alexandre Purnhagen.
Ocupante do cargo máximo da pasta, Kniess teve remuneração de R$ 7 mil reais em agosto, conforme números do Portal da Transparência.

A jornada de trabalho do secretário é de “200” horas mensais. Apesar disso, ele, que não é jornalista, também havia recebido a função de assessor de comunicação na prefeitura.
A estranha ‘onipresença’ do ‘secretário-assessor’ inclui ainda tempo para fazer aparições na Rede Web TV.
O Portal da Transparência mostra que a TV on-line conseguiu dois contratos de divulgação com o poder público local. Ambos já somam quase R$ 100 mil.
Um deles foi firmado com a Câmara Municipal de Taió. O valor atualizado é de R$ 46,8 mil.
O outro, com valor atualizado de R$ 50 mil, coincidentemente, foi fechado com a prefeitura taioense, instituição onde Kniess recebeu as múltiplas funções.
Foto de Capa: Ascom/Prefeitura de Taió