Promessas, engano, perplexidade e indignação – somados à lama, ou poeira – tomam conta da rotina de moradores ao longo de um trecho de cerca de 200 metros onde a obra de calçamento foi ‘esquecida’ na Rua Francisco Ricardo Casa, no bairro Vila Mariana, em Taió (SC).
O pedaço da via está com a pavimentação pela metade desde a gestão do ex-prefeito Almir Reni Guski (PSDB) e a situação vergonhosa vai se arrastando já para o meio do mandato do atual administrador Horst Alexandre Purnhagen (MDB), ex-vice do anterior.
Não bastasse o descaso, as famílias ficaram espantadas com o sumiço das lajotas que cobririam o restante da estrada. O material, possivelmente, foi remanejado para uma das 20 ruas já calçadas em outros locais enquanto dura a pendência, imaginam algumas pessoas.
Ridícula, a situação chama a atenção até de visitantes. Regis, que mora no local há mais de duas décadas, conta que um parente veio do Mato Grosso (MT) visitá-lo e, ao contemplar a cena patética do portão da casa, perguntou: “Por que o pessoal de baixo ganha lajota na rua e vocês não? Acaba a verba no meio da rua e os privilegiados ficam pra lá? E vocês?”
O policial da reserva lembra: “Vieram as lajotas todas, complementaram a [Rua] Raulino Cuco e quando entraram na Francisco Ricardo Casa chegou até apenas três moradores, terminou a verba. As lajotas já estavam para a rua toda, recolheram o material e não deram uma explicação até hoje.” Ele acrescenta: “Já fizeram o estaqueamento duas vezes nessa rua, assim como quem diz ‘agora vai’ e, até agora, nada”.

Acordo quebrado
“Pita”, como é conhecido, mora há três décadas e meia na área. O morador é uma das muitas testemunhas do abandono e da exploração política cheia de promessas repetidas de liberação de verbas por meio de “emenda parlamentar” para finalizar a obra.
Segundo ele, há três anos, uma reunião entre o executivo municipal e 40 donos de imóveis havia firmado em ata um acordo unânime: a parte restante da via seria custeada pelos próprios moradores através de rateio. Foi descumprido pela prefeitura, conta.
Desanimada, a comunidade acredita que a falta de um “projeto complementar” teria causado a interrupção.
No entanto, os residentes não conseguem entender como é que alguém da área de engenharia a serviço do executivo teria tido a ‘capacidade’ de entregar apenas um ‘meio projeto’ de calçamento.

Apelos
Estressados, os moradores da Rua Francisco Ricardo Casa pedem solução da prefeitura de Taió.
Dona Florentina Silva critica: “Que tomem providências e que terminem de uma vez” a obra. “O esgoto está todo entupido na frente do meu portão”, reclama.
“Vamos decidir se vão fazer, ou não?”, pressiona Regis.
Convidando o prefeito Horst Alexandre Purnhagen para dar uma “voltinha” na rua, “Pita” espera consideração e respeito: “A gente quer um direito nosso, adquirido, de tantos anos de IPTU. Ninguém está pedindo nada de anormal”, enfatiza.
“Fiquei indignada porque abaixaram a rua três vezes, na última quebraram os tubos e colocaram pedra pra esquecer”, aponta Maria Cristiani. Ela chegou a procurar Purnhagen: “Estive no gabinete, falei com o próprio prefeito duas vezes (…), ele disse que tem que esperar verba parlamentar. O ‘Peixinho’ [vereador e fiscal] entrou, estão bem cientes dessa rua”. Maria diz que durante a conversa “o ‘Peixinho’ falava sempre que ‘logo saía, logo saía [a obra]’, mas promessa de político não se confia mais”.
“Assim não dá!”, desabafa Lenia Regis. “Pessoas de idade, uma que usa bengala, sofrem com a estrada ruim para caminhar”, fala a mulher ao pedir que o prefeito venha conversar para ver o que será feito. “Estamos de portas abertas para recebê-los, mas não com promessas e, sim, com ações”, antecipa.
“É uma vergonha ter que fazer uma matéria” na mídia, diz Luciana da Silva Neumann. “É importante frisar que o Emerson [vice-prefeito] morou nessa rua. A gente espera que seja atendido”.
Márcia Aparecida vai além: “Você lembra, vice [Emerson Grunfeldt], quando passou na minha rua pedindo voto? Eu disse que você iria ganhar. E você disse que iria calçar a nossa rua. A gente quer uma atitude”, fala a moradora em tom de cobrança.

Será?
E você, acha que Horst Alexandre Purnhagem e sua equipe vão resolver o drama dos moradores da Rua Francisco Ricardo Casa, no bairro Vila Mariana, em Taió?
Será preciso, da próxima vez, o povo eleger uma mulher para, enfim, a via receber o restante do calçamento?
Lembramos que a prefeitura de Taió prefere atender veículos do comunicação “sob contrato”. Não é o caso deste portal – que é independente. Ainda assim, nosso espaço está aberto para eventual manifestação dos citados.
Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora/Luciana da Silva Neumann/Divulgação