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AEROPORTO | EPISÓDIO 2: ‘Festival’ de aditivos a contratos de iluminação gasta mais tempo e dinheiro público no ‘AERO-SEM’ do Alto Vale

Na segunda reportagem da nossa série: por que a obra de iluminação no campo de aviação em Lontras (SC) já coleciona números de 15 aditivos?

Por Redação

8 de março de 2022

às 15:30

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Nossa investigação continua… e descobre quebra de prazos, prorrogações e até um segundo contrato à proposta de viabilizar os voos noturnos. Resultado: o custo do serviço disparou para R$ 1,4 milhão, o dobro do previsto. A obra já foi anunciada como ‘pronta’. Mas os acordos ainda estão vigentes dois anos depois da assinatura do contrato inicial. Os pactos foram firmados entre a empresa Infracea e a prefeitura de Rio do Sul, dona do aeródromo. E mais: saiba porquê o Helmulth Baumgarten bem que poderia ser apelidado de “AERO-SEM”.

 Além da aparente contradição de uma obra que ‘terminou, mas não acabou’, o Aeroporto Helmuth Baumgarten, em Lontras (SC), bem que poderia ser apelidado de ‘AERO-SEM’. Afinal, permanece sem “cercamento”, sem “drenagem” e sem “terminal de passageiros”. A informação foi confirmada pela própria prefeitura riosulense, proprietária do aeródromo.

 E não tem graça. Ausência de cercamento e problemas de drenagem representam riscos à segurança de pousos e decolagens. É fácil imaginar também que animais e água da chuva invadindo a pista são ameaças que poderiam acabar provocando acidentes graves e até fatais.

 Já a falta de um terminal de passageiros revela que o Helmuth Baumgarten permanece desfalcado daquilo que é considerado o maior “equipamento” de um aeroporto.

 Somente a implantação destes itens essenciais poderá concretizar o pretendido sonho: transformá-lo em referência regional, estadual e nacional para voos comerciais de maior porte. E, dessa forma, também acelerar o desenvolvimento econômico do Alto Vale do Itajaí.

Aeroporto Helmuth Baumgarten está longe da meta de tornar-se referência na aviação comercial. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Rio do Sul)

 Dois contratos

 O projeto de balizamento noturno do Aeroporto Helmuth Baumgarten iniciou com um contrato firmado em março de 2020.

 Destinado à implantação da iluminação para viabilizar voos noturnos, o documento tinha valor de R$ 702 mil, mas saltou para R$ 883 mil após atualização de valores.

 Enganou-se quem acreditou que as despesas fossem parar por aí.

 Em janeiro do ano seguinte, surgiu um segundo contrato, também com a empresa Infracea. A ‘surpresa’ provocou um novo custo: R$ 273,6 mil.

 Desta vez, a finalidade apresentada foi a “contratação de empresa para fornecimento de materiais e mão de obra para execução do projeto de Área de Apoio à Subestação e Farol Giratório”. Após uma supressão de R$ 64,1 mil, o preço aparece atualizado para R$ 215 mil (em vez de R$ 209,5 mil).

 Como houve quebra dos prazos iniciais, um festival de aditivos à obra entrou em cena.

 Aditivos: de 1 a 15

 O Portal da Transparência permite visualizar, na aba “anexos” dos contratos, documentos que citam até o “8º Termo Aditivo”.

 No entanto, na página inicial do sistema que leva aos acordos, nossa equipe chegou a contar numerações de 15 diferentes aditivos.

 A maior parte, 11, tem relação com o contrato do “sistema para balizamento noturno” propriamente dito. Outros 4 estão ligados à contratação e pagamento de materiais e mão de obra para execução do projeto de “área de apoio à Subestação e Farol Giratório”.

 Mais repeteco e mais gastos

 Além do alongamento de prazos, há uma longa lista de despesas extras à proposta inicial disponibilizada no Portal da Transparência.

 A relação cita serviços e materiais com valores de R$ 5 mil, R$ 73 mil, R$ 100 mil e R$ 114 mil.

 Há termos aditivos até mesmo em 2022. Um deles (225-A/2022), publicado com valor de R$ 24,9 mil, tem data de 1º de janeiro deste ano e repete a finalidade: “execução da implantação de sistema para balizamento noturno (iluminação)”.

 Outro documento, da mesma data (169-A/2022), de R$ 5,6 mil, volta a apontar como finalidade a “contratação de empresa para fornecimento de materiais e mão de obra para execução do projeto de Área de Apoio à Subestação e Farol Giratório”.

Obra de balizamento noturno tem longa lista de aditivos. Dois estão vigentes. (Imagem: Captura de Tela)

 Até quando?

 Atualmente, dois aditivos arrastam as prorrogações em torno do projeto até os próximos dias 23 e 24 de março.

 Ambos, que não garantem o fim da novela, alegam a necessidade de aumento de prazos repetindo termos no conteúdo das suas finalidades.

 Enquanto um deles segue tratando de “materiais e mão de obra… à subestação e farol giratório” (169/2021), o outro continua citando “balizamento noturno e APAPI [equipamento de precisão para aproximação de aeronaves] nas duas cabeceiras do aeroporto” (168/2021).

 Desse modo, a iluminação no Helmuth Baumgarten já vai se arrastando ao longo de 24 meses, em Lontras, no Alto Vale do Itajaí (SC).

 Os acordos foram estabelecidos a partir de março de 2020 entre o prefeito de Rio do Sul, José Thomé (PSD), e a empresa Infracea Controle do Espaço Aéreo, Aeroportos e Capacitação Ltda, de Brasília (DF).

 A obra foi contratada por R$ 702 mil. Mas, há nove meses, quando foi anunciada como ‘finalizada’, o valor já havia disparado para R$ 1,4 milhão.

 E, até o momento, ainda não houve cumprimento da finalidade: o início da operação dos voos noturnos.

 Oficialmente, agora, a burocracia da homologação, a cargo da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), é apontada como responsável pela demora.

 A quebra de prazos, as prorrogações e o aumento das despesas são tirados de foco pelo poder público. Para a surpresa de ninguém…

Dois anos depois, voos noturnos ainda não estão autorizados em Lontras. (Foto: Infracea/Internet)

 Continua…

 Na próxima reportagem da série – “Aeroporto, Episódio 3” -, um enigma.

 Por que um equipamento fundamental para os pilotos avistarem o aeroporto durante a noite não estava previsto no projeto? A ausência motivou uma nova licitação e, claro, acabou pesando em mais custos.

 E ainda: o sistema de balizamento tinha que ter luzes embutidas, modelo que foi considerado pioneiro no Brasil?

 Mais adiante, você também vai saber o que diz o poder público em sua defesa. Não perca!

 (Atenção: As reportagens do Alto Vale Agora refletem o olhar que o cidadão pode ter das ações públicas a partir das informações disponibilizadas nos Portais da Transparência. O serviço é determinado por força de lei. As instituições públicas estão obrigadas a publicar, em meio eletrônico e em tempo real, os dados pormenorizados sobre a execução orçamentária e financeira de suas receitas e despesas. Contratos e licitações, por exemplo, devem aparecer de forma clara e completa. Infelizmente, muitas vezes, a norma é desrespeitada. Ainda assim, nossa equipe deixa espaço aberto para as assessorias de imprensa que queiram esclarecer eventuais questões que lhes pareçam inconvenientes em textos referentes à instituição que defendem.)

 (Contrato: 034/2020; Licitação: 197/2019 – Modalidade: Tomada de Preços > Aditivos: 043/2021; 064/2020; 225/2021; 225-A/2022; 129/2020; 168/2021; 199/2021; 064-A/2020; 129-A/2021; 109/2020; 094/2020 | Contrato: 012/2021; Licitação: 170/2020 – Modalidade: Tomada de Preços > Aditivos: 169-A/2022; 094/2021; 169-S/2021; 169/2021)

Acompanhe:

AEROPORTO | EPISÓDIO 1: Anunciada por R$ 702 mil e ‘concluída’ por R$ 1,4 milhão, iluminação no Helmuth Baumgarten tem contratos vigentes 9 meses após ‘finalização’ da obra

Crédito – Foto de Capa: Infracea/Internet

 Fonte: Redação

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