- A informação que gera opinião!

Chica do Eskudlark: a mulher que colocou o Alto Vale no topo da Alesc

Ex-prefeita de Salete (SC) faz história, supera candidatos homens da região, conquista quase 40 mil votos e chega à Assembleia com a missão de transformar experiência municipal em voz para o Alto Vale e para Santa Catarina.

Por Redação

6 de outubro de 2026

às 20:08

Compartilhe

O Alto Vale do Itajaí terá, a partir de fevereiro de 2027, uma nova presença na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. E ela chega com um feito histórico: Chica do Eskudlark (PL), ex-prefeita de Salete, será a primeira mulher da região eleita para uma cadeira na Alesc.

Chica recebeu 39.929 votos e não apenas conquistou uma das 40 vagas do Parlamento catarinense. Na disputa regional, ficou à frente de vários homens que também buscavam representar o Alto Vale. Gerri Consoli (Republicanos) teve 17.799 votos, Rodrigo Preis (PT), 14.286, e José Thomé (PSD), 12.207. Acima de Chica ficaram Oscar Gutz (PL), com 51.953, e Jerry Comper (MDB), com 45.603 — os dois também eleitos.

O resultado coloca três nomes ligados ao Alto Vale na próxima legislatura: Oscar Gutz, Jerry Comper e Chica do Eskudlark. Mas é a chegada dela que carrega um simbolismo diferente.

Uma história que começou em Salete

Antes de disputar uma eleição estadual, Solange Aparecida Bitencourt Schlichting construiu sua trajetória política em Salete e no Alto Vale.

Natural de Taió, Chica, como ficou conhecida, foi a primeira mulher eleita prefeita de Salete e comandou o município por dois mandatos, de 2017 a 2024. Empresária e com atuação comunitária, também acumulou experiência ligada à APAE.

Depois, ampliou sua atuação para toda a região. Foi vice-presidente da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi), em 2023, e presidiu a entidade em 2024.

Agora, leva essa experiência para uma esfera muito maior.

Na Prefeitura, precisou lidar diretamente com saúde, educação, infraestrutura, estradas, obras, orçamento e busca de recursos. Na Amavi, passou a trabalhar com as demandas de vários municípios.

É justamente essa vivência que ela pretende transformar em atuação parlamentar.

Do gabinete da Prefeitura para a Assembleia

Durante a campanha, Chica apresentou como prioridades o fortalecimento dos municípios, saúde, educação, agricultura, infraestrutura, empreendedorismo, segurança, inclusão e políticas voltadas às mulheres.

A lógica da candidatura foi construída a partir de uma experiência que ela conhece na prática: quem está na Prefeitura sabe onde o problema aperta — e também sabe o quanto é difícil conseguir recursos para resolvê-lo.

Essa experiência municipalista deve ser uma das marcas de atuação dela na Alesc.

O desafio, agora, será ampliar esse olhar. Se antes a responsabilidade estava concentrada em Salete, a partir de 2027 ela terá diante de si as demandas de todo o Estado.

E tem o nome “Eskudlark”

Na urna, ela não apareceu como Solange Schlichting.

Foi “Chica do Eskudlark”.

A escolha não foi por acaso. O nome está ligado à parceria política com Maurício Eskudlark (PL), deputado estadual que decidiu não disputar a reeleição em 2026 e apoiou a candidatura de Chica.

Ela levou para a campanha um sobrenome político já conhecido em Santa Catarina. Mas precisou transformar esse apoio em votação própria.

E conseguiu: 39.929 eleitores escolheram Chica.

O nome emprestado abriu uma porta. O resultado das urnas colocou o nome dela dentro da Assembleia.

Uma vitória que abre caminho para outras mulheres

O feito de Chica ganha ainda mais força quando colocado dentro do cenário estadual.

A partir de 2027, a Alesc terá cinco deputadas entre as 40 cadeiras: Ana Campagnolo (PL), Luciane Carminatti (PT), Juliana Maciel (PL), Chica do Eskudlark (PL) e Anna Carolina (Republicanos).

O número iguala o recorde de mulheres eleitas para o Parlamento catarinense, registrado em 2018. As cinco representarão 12,5% da Assembleia.

Chica chega com uma história diferente das demais, mas que tem um ponto em comum: é mais uma mulher ocupando um espaço que ainda é majoritariamente masculino.

No caso dela, existe ainda o peso regional. Salete já havia sido o ponto de partida de outra quebra de barreira, quando Chica se tornou a primeira mulher eleita prefeita do município.

Agora, a história chega a Florianópolis.

O que o Alto Vale pode esperar?

A resposta definitiva virá com o mandato.

Mas Chica começa com uma experiência que poucos estreantes levam para a Assembleia: dois mandatos à frente de uma Prefeitura e a passagem pela presidência da principal associação municipalista do Alto Vale do Itajaí.

A expectativa regional é que essa experiência ajude a transformar problemas conhecidos no interior em pautas do Parlamento.

Estradas, saúde, infraestrutura, agricultura, desenvolvimento econômico e a capacidade de investimento dos municípios estão entre os temas que podem aproximar o mandato das necessidades do Alto Vale.

E ela terá companhia.

A partir de fevereiro, Chica estará ao lado de Oscar Gutz (PL) e Jerry Comper (MDB) na Assembleia, formando uma representação regional de três deputados estaduais eleitos.

Na Capital, Chica terá a oportunidade de levar as demandas do Alto Vale para o centro das decisões do Estado.

Uma nova página

Chica ainda não ocupa a cadeira. A posse está marcada para 1º de fevereiro de 2027, quando começa a 21ª Legislatura da Alesc.

Mas a história já começou.

Uma mulher que saiu de Salete, passou pela Prefeitura, chegou à presidência da Amavi, adotou na urna o nome político de Eskudlark, enfrentou uma disputa estadual com nomes já conhecidos e terminou eleita com quase 40 mil votos.

Agora, Chica do Eskudlark leva para Florianópolis mais do que um mandato. Leva a marca de ser a primeira mulher do Alto Vale do Itajaí a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa — e a expectativa de transformar uma trajetória construída no município e na região em voz para todo o Estado.

Últimas notícias

Uso de fotografias, vídeos, voz e nome foi limitado ao material produzido em sessão única.
Eleitores com voto obrigatório devem justificar ausência até 3 de dezembro
Decisão é da 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina