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Costurando caminhos

A trajetória e a realidade do setor têxtil no Alto Vale do Itajaí

Por Redação

5 de novembro de 2025

às 08:00

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A história do setor têxtil no Alto Vale começou na década de 70 como uma alternativa ao declínio da exploração da madeira. A produção era artesanal e realizada por donas de casa e agricultoras, que aprenderam a costurar com suas mães ou avós.

Durante os anos 80, Rio do Sul tinha cerca de 60 confecções. O setor carecia de investimentos em infraestrutura e qualificação da mão de obra. Parcerias entre a FIESC (SENAI) e outras entidades possibilitaram a oferta de cursos de costura, gestão, mecânica de máquinas, etc.

A criatividade era o motor da produção. Até 1995 não havia estilistas, tudo era feito na coragem e na vontade. Cada empreendimento desenvolvia suas modelagens. Os empreendedores compravam roupas de marcas conhecidas, desmanchavam, mediam e copiavam. Por serem empresas familiares, em uma cidade onde todos se conheciam, havia colaboração com empréstimo de tecidos, materiais e troca de experiências. Este senso de solidariedade se formalizou mais tarde por meio do associativismo sindical.

A matéria-prima e os aviamentos eram buscados na região de Brusque, enquanto o jeans era lavado em Blumenau e Timbó. Mesmo com a estrutura de trabalho improvisada, o espírito empreendedor deu o impulso inicial. Diversos produtos foram criados com malha, tecido plano, alfaiataria e, principalmente, jeans — fazendo o Alto Vale ganhar o título de “Capital do Jeans”, hoje conhecido como Vale Azul.

Com o aumento no número de empresas, representantes comerciais passaram a atender a região. As indústrias pioneiras foram: Deola, Daksul, Dulmar, Tecidos Leal, Rafree, Reale, Especific, Divero, Brix, Zackel, Antonio Pereira, Edésio Varela, Carlan, Monnari, Edex, Star Look, Zyan, Folini, Clic Rio, Visual, entre outras. Juntas, elas geraram emprego e renda, tanto direta quanto indiretamente, em centenas de facções instaladas nas casas dos moradores de Rio do Sul. Mais tarde, algumas unidades se transformaram em confecções, ampliando ainda mais a oferta de vagas.

Apesar das dificuldades — instabilidade econômica, inflação elevada, concorrência desleal da China e enchentes — muitos negócios sobreviveram investindo em tecnologia e mantendo-se abertos às novidades. O SENAI teve papel fundamental neste processo.

A década de 90 foi marcada pelo crescimento do setor. Surgiram facções nos municípios vizinhos para atender à demanda. Grandes marcas nacionais terceirizaram a produção em confecções do Alto Vale, que repassavam parte do trabalho para as facções. Isso garantiu renda a muitas famílias do interior.

O impacto positivo refletiu-se na economia regional, movimentando outras áreas como logística e transporte, manutenção, tingimento e lavanderia, design e desenvolvimento de produto, lojas de fábrica e outlets, turismo de compras, hospedagem, gastronomia e prestadores de serviços (contabilidade, TI, RH).

As vendas, que começaram de porta em porta, evoluíram para o atacado. O primeiro shopping foi criado no Hotel Meneghetti, com cerca de 40 lojas. Depois vieram as feiras na BR 470, e em seguida a abertura da Fabricenter (1993) e do Polo Têxtil (1994).

Em 1992, foi criado o Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem, Confecção e do Vestuário do Alto Vale do Itajaí (Sinfiatec), que contribuiu para o aumento da mão de obra qualificada, com cursos oferecidos em parceria com o SENAI.

Atualmente, de acordo com dados do Observatório FIESC, o setor conta com 1,1 mil empresas de diferentes segmentos. É o maior empregador regional, com cerca de 13 mil empregos diretos e sustenta cadeias produtivas locais, que repercutem no comércio e serviços.

A maioria dos negócios continua sendo familiar, com empresas de porte micro, pequeno, médio e grande, todas integradas à cadeia têxtil e de vestuário. Hoje, devido às condições da BR-470, o foco comercial está no varejo e no e-commerce, principalmente voltado ao público jovem.

Os investimentos em tecnologia e formação profissional se tornaram o diferencial, fazendo a qualidade dos produtos ser reconhecida nacionalmente. Essa evolução é impulsionada pela FIESC e pelo Sinfiatec com ações de qualificação, inovação e marketing, além de eventos para manter o setor em constante desenvolvimento.

Ainda existem desafios típicos da indústria da moda como a concorrência global, a escassez de profissionais, a adequação às práticas sustentáveis e a integração aos canais digitais. Por outro lado, há oportunidades no aumento do valor agregado, fortalecimento do turismo industrial e desenvolvimento de projetos em cluster voltados ao jeanswear.


Fonte: Jornalista – Debora Claudio 

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