Mentiras. Fofocas. Acusações sem prova. Esse é o cenário que vem causando confusão em Salete, no Alto Vale do Itajaí (SC), nas últimas semanas.
Uma página anônima no Instagram está sendo apontada por moradores como origem de publicações que vêm gerando intrigas, desgaste de reputações e conflitos.
O conteúdo se espalha rapidamente. E o impacto, que já ultrapassa o ambiente virtual, é considerado devastador.
Boatos que viram problema real
As publicações atribuídas ao perfil envolvem insinuações sobre empresas, pessoas e situações do cotidiano da cidade, com cerca de 7,5 mil habitantes.
De acordo com relatos, não há comprovação do que é publicado. Ainda assim, o conteúdo ganha força ao ser compartilhado, e o impacto é imediato na comunidade.
Prejuízos a empresas e relações pessoais
Empresas tradicionais do município relatam preocupação com a repercussão das informações falsas divulgadas na rede.
Num dos episódios registrados, mudanças administrativas e decisões internas teriam sido distorcidas e transformadas em boatos, gerando interpretações equivocadas e prejuízos de imagem.
Além do ambiente empresarial, há relatos de que situações expostas ou comentadas de forma irresponsável também já provocaram atritos pessoais e familiares.
Publicações envolvendo calúnia, injúria e difamação — crimes contra a honra — teriam impactado relações pessoais, incluindo até separação de casais.
O padrão das publicações preocupa: conteúdos anônimos, sem fonte e com acusações graves.
Isso tudo tem provocado um efeito dominó: um post vira comentário, o comentário vira discussão e a discussão vira conflito, gerando danos.
O rigor da lei para crimes na internet
O Código Penal Brasileiro prevê punição para crimes contra a honra — como calúnia, difamação e injúria.
Essas condutas se tornam mais graves quando praticadas por meio da internet, redes sociais ou qualquer outro meio que facilite a divulgação e ampliação do alcance do conteúdo.
Nesses casos, a legislação prevê aumento de pena, já que o dano à reputação pode se espalhar rapidamente e atingir um número maior de pessoas.
Além da responsabilização criminal, o autor de uma página ou perfil e também as pessoas que compartilham conteúdos falsos podem responder na esfera cível.
Isso significa que podem ser obrigados a pagar indenizações por danos morais e materiais às vítimas, incluindo pessoas físicas e empresas afetadas.
Identificação, orientação e expectativa
Embora o autor do perfil ainda não tenha sido oficialmente identificado, cresce a cobrança por apuração.
Especialistas reforçam que perfis anônimos não garantem impunidade. Rastros digitais, como endereço de IP, dados de criação de conta e registros de acesso, podem ser recuperados judicialmente por meio de investigação policial especializada em crimes cibernéticos.
Em Santa Catarina, esse tipo de apuração é conduzido pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), vinculada à Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC).
Às vítimas, a orientação é registrar Boletim de Ocorrência, salvar prints das ofensas (preferencialmente com ata notarial em cartório) e reunir provas. Aos demais usuários, o alerta é não compartilhar conteúdos não verificados, para evitar a ampliação de informações falsas.
Em Salete, a expectativa é de que o ‘criminoso virtual’ seja identificado antes da próxima postagem.

Empresa emite nota de repúdio contra ‘criminoso virtual’ e anuncia medidas judiciais. (Captura de Tela: Instagram)