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Delegado que saiu de grupo de WhatsApp e deixou pessoal da mídia nervosinho merece ser ‘cancelado’?

Decepcionado pela falta de apoio de parte da imprensa, Jackson Guasseli Pessoa tomou atitude - considerada “radical” – após aprovação da Reforma da Previdência que penaliza policiais civis de SC.

Por Redação

11 de agosto de 2021

às 09:20

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 Para desespero da imprensa ávida por notícias trágicas vindas da Polícia Civil, “o principal elo entre a corporação e os meios de comunicação da região” sofreu um desfalque importante na última quinta-feira (5) quando o delegado de Taió (SC), Jackson Guasseli Pessoa, saiu do grupo de Whatsapp “IMPRENSA PC ALTO VALE”, mas não sem antes externar toda a sua profunda decepção com os veículos de comunicação ligados à Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert). Outros membros do grupo seguiram a mesma atitude dele.

 A motivação

 O estopim foi a aprovação da Reforma da Previdência pela Assembleia Legislativa, em Florianópolis (SC), na noite anterior, quarta-feira (4) que, segundo a categoria, reserva tratamento diferenciado aos policiais e bombeiros militares enquanto penaliza profissionais da Polícia Civil.

 No comunicado de despedida do grupo de mensagens, o delegado Jackson Guasseli Pessoa criticou a ACAERT “que apoiou descaradamente a reforma da previdência do governo militar, sem qualquer ressalva à segurança pública civil”. Finalizando, Pessoa avisou : ”não darei mais entrevistas a qualquer emissora associada, tampouco encaminharei qualquer matéria informativa. Eventual informação de imprensa deverá ser buscada nas nossas páginas oficiais.”

 Descrédito e interesses…

 A decisão provocou alvoroço e nervosismo nos bastidores da mídia. Porém, gostem os empregados de rádio e TV ou não, o delegado está no seu direito. Afinal, exercer a função de “assessor de imprensa” não consta nas atribuições de seu cargo.

 Por outro lado, desprestigiados, trabalhadores de veículos de comunicação que atiram pedras contra o delegado jogam a “culpa” sobre os deputados estaduais, personagens que aprovaram a Reforma. Entretanto, talvez por ingenuidade ou sintonia (até mesmo inconsciente) com seus patrões, ignoram que houve uma ampla “parceria” entre Governo, Parlamento e Mídia comercial para empurrar as mudanças.

 Com a Reforma, o Executivo sustenta que busca corrigir um déficit estimado em R$ 5 bilhões em 2021. O Parlamento – gordamente remunerado – por sua vez, endossou o coro sem questionar quão injusto e desmotivador é fazer cortes que beneficiam uma categoria em detrimento de outras. Já a Mídia, ah, a Mídia… parece sempre ver saltar cifrões aos olhos quando, em tese, irá sobrar ainda mais dinheiro para gastos do poder público com publicidade. Mesmo que o preço seja cobrado às duras custas de profissionais tão importantes como os da Polícia Civil.

 O poder do silêncio

 Para a maioria do pessoal da imprensa, a saída do grupo de Whatsapp por parte do delegado Pessoa é um silêncio muito incômodo. Não por causa do ser humano em si, não pela pessoa de Pessoa que decidiu se afastar, mas pela fonte que ele representava de notícias geradoras de audiência, o fator que mantém a imprensa de pé.

 Mas, agora, essa fonte secou. E com seu gesto, o delegado não apenas coloca interesseiros no seu devido lugar. Jackson Guasseli Pessoa também prometeu silenciar completamente. E para os meios de comunicação o silêncio é um castigo cruel. Afinal, pode dar paz, mas não dá “ibope”.

 Sim, não dá “ibope”. Porém, pode favorecer a reflexão e, com sorte, surtir algum efeito corretivo. Tomara!

 Fonte: Da Redação

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