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DENÚNCIA: “Dá-lhe detonar asfalto e ponte… e ninguém faz nada!”

Motoristas relatam prática ilegal na BR-470, uma das principais rodovias em Santa Catarina. Perigosa, irregularidade também ameaça a vida de inocentes. Diante do absurdo, denunciantes perguntam: “Cadê a Polícia Rodoviária Federal?”

Por Redação

4 de setembro de 2022

às 19:53

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 “A polícia não faz nada, ninguém faz nada. E dá-lhe detonar asfalto, dá-lhe detonar ponte!”

 Indignados com o desrespeito à legislação que regula o limite de peso do transporte de cargas, motoristas denunciam abusos praticados por caminhoneiros fora da lei e o suposto descaso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) diante da irregularidade testemunhada na BR-470, uma das mais importantes rodovias federais em Santa Catarina.

 Como a fiscalização estaria fazendo vista grossa, “ultimamente, empresas estão aproveitando e botando o máximo que dá” nos seus carregamentos.

 De acordo com a denúncia, carretas de nove eixos que transportam dois contêineres “dry”, popularmente conhecidos como “contêiner latão”, levam até 15 mil quilos de excesso de peso de carga seca normal pela rodovia.

Carretas com dois contêineres devem ter peso máximo de 74 mil quilos. (Foto: Redes Sociais)

 Já veículos que puxam os chamados “contêineres reefer”, que são os frigorificados, chegam a andar com cargas entre 16 e 18 toneladas acima do limite permitido para este tipo de conjunto.

Carretas equipadas com refrigeradores precisam compensar peso das máquinas com menos carga. (Foto: Redes Sociais)

 “Daí, não tem estrada, não tem ponte, não tem nada que vai aguentar!”, alerta uma fonte que terá o direito ao sigilo resguardado pelo portal Alto Vale Agora.

 O denunciante acrescenta algo grave: “Os caras passam na frente da polícia, a polícia não faz nada, simplesmente não aborda; e eles vão embora”.

 ‘Longo’ desrespeito…

 Esses veículos acima de 19,80 metros de comprimento precisam de autorização especial para poder trafegar, licença que, em geral, os donos possuem.

 No entanto, a permissão para circular é do raiar até o pôr do sol. Jamais à noite em pista simples.

 “Só podem andar durante o dia, mas os caras não estão nem aí! Não obedecem. Estão andando de noite, com chuva, andando em comboio, o que também não pode. Estão andando ‘tudo’ errado e ninguém faz nada. Faz-se denúncia e a polícia simplesmente não toma nenhuma providência”, protesta o denunciante.

Buracos na pista da BR-470 na passagem pela localidade de Aterrado Torto, em Pouso Redondo. (Fotos: Redes Sociais)

 Graneleira arcada; e PRF ‘comentada’…

 Carretas basculantes e graneleiras também trafegam na BR-470 em desacordo com os limites de peso, segundo a revelação.

 Recentemente, os próprios caminhoneiros flagraram o caso de “uma graneleira de quatro eixos, que é para 58 mil quilos brutos, com 50 mil só de carga”.

 O veículo seguia para descarregar em um grande frigorífico na região do Alto Vale.

 Por conta do excesso de peso, perto do destino, no pátio do posto de combustível onde encostou, “a carreta estava até arcada!”

 Apesar disso, “não acontece nada. Eles passam na cara da polícia e ninguém faz nada!”, aponta a nossa fonte.

 Entre os condutores profissionais que obedecem à lei, os frequentes abusos praticados pelos irregulares já são motivo para comentário e desconfiança da própria fiscalização: “Esse cara da região, segundo uma pessoa me falou, eles [empresa] pagam a polícia para poder andar e ficar livres no trânsito”.

 Muito estranho…

 Além disso, há caminhões circulando com o tacógrafo vencido – livremente.

 No caso informado, o equipamento que registra a velocidade e a distância percorrida tinha ultrapassado o prazo de validade havia dois anos.

 Conforme o relato, o policial fez a aferição, mas não notificou o caminhoneiro.

 “Isso o próprio cara me contou, era caminhão dele”, delata o nosso informante sobre “uma série de coisas erradas acontecendo na nossa região.”

 Já quem transporta madeira, por exemplo, usa de artimanhas.

 “Quando eles sabem que a polícia vai fazer uma abordagem, à noite está cheio de caminhão em beira de pista, em pátio de posto, oficina… Ficam parados, vão dormir, esperam até a polícia sair para – só depois – seguir viagem.”

 “A polícia poderia abordar, mas também não aborda, ou não vai atrás. Por quê? Se vê claramente que estão fugindo da fiscalização? Não dá pra entender”, conta perplexo.

 Destruição e ameaças

 Os carregamentos com peso acima do limite regulamentado representam prejuízos e ameaças à logística e à vida de usuários inocentes que dependem da BR-470.

 Como o excesso de carga contribuiu para destruir o asfalto, o problema acaba atingindo os pneus e a estrutura mecânica dos demais veículos, uma vez que os motoristas ficam obrigados a enfrentar o verdadeiro “queijo suíço” agravado pela irregularidade na rodovia federal.

 Quem cumpre a lei teme que o desrespeito cause tamanho estrago que acabe provocando até mesmo o colapso da cadeia logística, inclusive, na região do Alto Vale.

 “A ponte de Pouso Redondo quebrou por quê? Daqui a pouco vai ser a ponte de Ibirama, a segunda, que já está toda detonada. Daí, por onde a gente vai passar? Vai trancar tudo, daí eu quero ver!”

 As ‘crateras’ – que se somam ao péssimo estado de conservação da pista -, também exigem cada vez mais manobras arriscadas para desviar dos buracos.

 A situação, piorada por causa de carretas longas trafegando no período noturno, aumenta o risco de acidentes e mortes para quem não tem culpa de nada.

SC: Postos da PRF na BR-470. (Fotomontagem: Alto Vale Agora)

 Sem balança?

 Com exceção das caçambas e dos graneleiros, a falta de uma balança para controle das cargas na rodovia federal não é desculpa para a ausência de fiscalização na BR-470.

 Os documentos oficiais de venda de produtos que seguem para embarque nos portos dificilmente sofrem adulteração.

 Por isso, no caso de mercadorias que vão ser exportadas, basta somar o peso que consta na Nota Fiscal e as taras do contêiner, do caminhão e das carretas.

 O cálculo resultará no peso bruto total e, assim sendo, esta verificação indicará se há excesso de carga.

 O patrulhamento do peso das cargas afrouxou na BR-470? Carretas longas, proibidas à noite na pista, estão podendo passar sem barreira alguma?

 Está havendo algum tipo de ‘privilégio’? Conluio?

 Com a palavra, a PRF.

 Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora

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