Barreiras instaladas nas cabeceiras da ponte pênsil permanecem impedindo acesso dos automóveis e, em breve, já completarão primeiro aniversário. Interdição repentina, que agravou situação dos congestionamentos, inferniza a vida de muitos motoristas a caminho do trabalho. E se algum condutor sonhava que a Guarda Municipal apareceria nos horários de pico para ajudar a fazer o trânsito fluir rumo ao centro da cidade, esqueça! Quanto à reabertura da ponte… é bom rezar.
O prefeito José Thomé (PSD) já castiga trabalhadores há quase um ano com a interdição para automóveis da importante ponte pênsil que liga os bairros Barragem e Pamplona, localizada perto do Posto Pinheiro, na BR-470, em Rio do Sul (SC). A travessia é a única opção para diluir engarrafamentos nas vias urbanas da margem direita do Rio Itajaí do Oeste até o centro da cidade.
De acordo com um jornal local, o fechamento ao tráfego de automóveis ocorreu no dia 6 de abril do ano passado – “por tempo indeterminado”.
Na época, a publicação finalizou informando que era “necessário contratar empresa especializada para fazer a manutenção dos cabos de sustentação” da ponte.
Quase um ano, e nada. Em vez dos supostos reparos necessários nos cabos, ‘aço’ só mesmo o dos nervos dos motoristas. Afinal, diariamente, é preciso muita resistência para não perder a calma diante do descaso que já vai completar seu primeiro aniversário.

Interdição agravou engarrafamentos
Antes da instalação de barreiras para impedir a passagem de carros pela ponte pênsil, os condutores podiam usar a travessia como rota de escape pela BR-470 rumo ao local de trabalho.
Com a interdição, a situação infernal de engarrafamentos piorou drasticamente.

Os trabalhadores são obrigados a perder tempo, combustível e dinheiro em filas ainda mais longas nos horários de pico.
É comum ver carros parados já na Estrada da Madeira, de onde parte um dos acessos à ponte. O problema aumenta no bairro Budag e segue ao longo da Avenida Governador Jorge Lacerda. Depois, a situação fica caótica de vez para quem vai atravessar a Ponte dos Arcos.
Em dias de chuva, o congestionamento é ainda maior.

Guarda Municipal? Esqueça!
Os condutores não podem sequer contar com a ajuda da Guarda Municipal para melhorar o fluxo do trânsito que foi piorado com o trancamento da ponte pênsil.
Procurada, a assessoria de imprensa da prefeitura de Rio do Sul informou que, durante os horários de pico, a corporação está ocupada com o atendimento da movimentação em regiões próximas de instituições de ensino.
No entanto, o executivo admite que até este serviço é precário. Afinal, “são 12 escolas acompanhadas para apenas duas viaturas e quatro guardas disponíveis por turno”, o que exige um “sistema de revezamento”.
Por outro lado, também não é segredo que ajudar a organizar o trânsito caótico pode não ser atraente. Afinal, isso não rende dinheiro, ao contrário do que aplicar ‘multas’, por exemplo.

Interdição: “projeto em andamento”
Há quase um ano, a ponte pênsil entre os bairros Barragem e Pamplona permite passagem apenas para pedestres, ciclistas e motociclistas.
A prefeitura diz que tem conhecimento que a interdição da travessia para carros piorou a situação dos engarrafamentos do lado direito do rio.
Apesar disso, a última intervenção para para melhorias no trânsito da região foi em 2017.
Além disso, esta mudança, implementada nas imediações da Ponte dos Arcos, onde todo o problema acaba desembocando, não resolveu.
Diante da situação agravada, a mensagem de resposta ao portal Alto Vale Agora acrescenta que, atualmente, “há estudo em andamento com empresa especializada em trânsito que deve propor melhorias para diversos pontos da cidade”. O cronograma desse levantamento não foi informado.
E continua: “ainda há uma nova ponte sendo prevista para interligação entre os bairros Budag e Canoas, também com foco no trânsito daquela região, chamada de ‘Acesso Oeste’.” Valor, fonte dos recursos financeiros e prazo de execução desta obra também não foram repassados.
Quanto à ponte pênsil interditada, a explicação é a seguinte: “a estrutura não apresenta mais segurança para a passagem de automóveis e precisa ser refeita. O projeto está em andamento e em um mês deve ser encaminhado para licitação.”
O executivo municipal não revelou sua expectativa para início e fim dos trabalhos de recuperação da travessia.



Pulando da cama…
Enquanto isso, moradores relatam que, por conta do fechamento da ponte para automóveis, o jeito tem sido acordar mais cedo para tentar escapar do trânsito matinal travado no trecho.
Já o prefeito José Thomé, que mora em outra área, não depende desse percurso para seus deslocamentos rotineiros.
Em tese, o político poderia continuar a dormir até um pouco mais tarde, ou, se desejar, quem sabe, até por “tempo indeterminado”.

Foto de Capa: Alto Vale Agora
Fonte: Redação