O atual “consultor de empresas do ramo de saúde”, Richard Da Silva Choseki, e outras 17 pessoas envolvidas na Operação Sutura tiveram os bens bloqueados por uma liminar da Justiça catarinense. O valor total da retenção é de R$ 14,7 milhões.
Choseki nega participação no esquema de corrupção que, segundo as investigações conjuntas da Polícia Civil e do Ministério Público, ocorreu no período de 2011 a 2016.
Durante a operação montada para combater o suposto desvio de dinheiro público da saúde, Richard chegou a ser preso preventivamente por 72 horas para interrogatório na Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em Florianópolis (SC).
Taió: de administrador a “consultor”
Atualmente, o ex-diretor-presidente do Instituto Vidas de Assistência à Saúde estaria prestando apenas serviços de assessoria na área.
Um dos clientes dele seria o Hospital e Maternidade Dona Lisette (HMDL), em Taió, no Alto Vale do Itajaí (SC), instituição que Choseki controlava enquanto duraram os convênios com o Vidas.


O HMDL – que não foi e não é alvo de nenhuma investigação -, mais tarde, passou a incorporar a Associação da Rede de Beneficência Cristã (Redeh).
O sistema gerencia outras 5 unidades hospitalares no estado, além de 5 unidades de pronto atendimento e outros serviços especializados, de acordo com informações do site que a entidade mantém na internet.
Choseki: “judiciário não observou”
Na tentativa de localizar Richard Choseki e repercutir o bloqueio dos bens determinado pela Justiça, o portal Alto Vale Agora procurou a assessoria de imprensa da Associação da Rede de Beneficência Cristã (Redeh).
A empresa terceirizada que faz o serviço de comunicação afirmou que ele não ocupa cargo na entidade.
Ainda assim, fez contato com ele e, depois, emitiu a seguinte nota de esclarecimento:
“O Richard tomou conhecimento da decisão do Ministério Púbico apenas hoje [23/11] e, em contato com seus advogados estes informaram não terem sido intimados da decisão que certamente será recorrida, pois novamente o judiciário não observou que de todo o período da denúncia o Richard esteve vinculado ao Instituto Adonhiran apenas nos 3 (três) primeiros meses do contrato firmado com o Município de Penha, após esse período se desvinculou totalmente daquele projeto.”
O comunicado acrescenta: “O Richard não possui nenhum cargo junto a Associação da Redeh, por um período esteve como presidente do Instituto Vidas que já não atua mais. Atualmente presta consultoria a diversas empresas do ramo da saúde.”
Assessoria na Redeh?
Como o hospital de Taió já havia dito à reportagem que Choseki frequenta a instituição, nossa equipe fez outro questionamento por aplicativo de mensagem instantânea à assessoria de imprensa da Redeh: “Qual a atividade [dele] por lá?”
Cerca de uma hora depois, a assessora escreveu confirmando a atuação dele na unidade hospitalar taioense – mas frisou: “Esporadicamente quando presta alguma assessoria ao Hospital Dona Lisette, como qualquer outro prestador de serviço.”
Quando perguntamos se a consultoria a diversas empresas do ramo de saúde abrange as demais instituições controladas pela Redeh, a assessoria informou: “Não tenho essa informação precisa. Estou entrando em uma reunião. Assim que conseguir confirmo.”
O contato ocorreu na tarde de terça-feira (23). Até o fechamento desta matéria, na manhã de quarta (24), não houve retorno.
Saiba mais: a fraude em Penha e o bloqueio dos bens
A retenção dos bens (R$ 14,7 milhões) dos 18 envolvidos na Operação Sutura é uma estratégia para garantir o ressarcimento aos cofres públicos dos prejuízos causados pelo grupo e das multas em caso de condenação, informa o Ministério Público.
O judiciário concedeu a liminar do bloqueio milionário a pedido da 1ª Promotoria de Justiça de Balneário Piçarras, litoral do estado.
Conforme a denúncia, a fraude envolveu o Instituto Adhoniran de Assistência à Saúde, a prefeitura de Penha e o Hospital Nossa Senhora da Penha, além da Clínica Saúde e Vida Diagnóstico Ltda, o Centro Médico Coper-Vida Ltda e a empresa Plano Med Representações Ltda, no período de 2011 a 2016.
Richard Da Silva Choseki atuava como gestor do Instituto Adonhiran e administrava o Centro Médico Coper-Vida e a Plano Med Representações, sustenta o MP.
A investigação da Polícia Civil de Santa Catarina concluiu que os réus conseguiam forjar prestações de serviços de saúde da clínica e do hospital ao Município pagos por meio do convênio com o Instituto Adonhiran.
A Operação Sutura também constatou o pagamento de contas superfaturadas e de serviços não executados ao Centro Médico Coper-Vida e à Plano Med Representações, empresas administradas por Richard Choseki, por meio do mesmo esquema, informa o Ministério Público.
Choseki nega o envolvimento, conforme nota reproduzida acima.
R$ 2,4 milhões: dinheiro desviado era repartido
A lista de acusados inclui um ex-prefeito, dois ex-secretários municipais de saúde e seis ex-servidores que ocuparam cargos comissionados que lhes permitiam aprovar a prestação de contas em convênios com a administração pública.
Os outros réus atuavam em funções administrativas de instituições da área de saúde e assistência social conveniadas com a prefeitura de Penha (SC).
De acordo com o Ministério Público, “os réus teriam usado de seus cargos públicos e de suas posições nas instituições conveniadas para embolsarem R$ 2.452.847,10 dos cofres municipais e, com isso, enriquecerem ilegalmente às custas do erário.”
Além da acusação de “enriquecimento ilícito”, as investigações apontaram que houve “danos ao erário do Município de Penha por atos de improbidade administrativa”.
A promotoria acusa: “o dinheiro desviado era dividido entre os envolvidos”.
Da decisão, cabe recurso.
Saiba mais sobre o caso e o bloqueio dos bens dos envolvidos AQUI.

Fonte: Redação