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“Heróis da saúde” são apunhalados pelas costas e prefeitos poderão ser punidos no Alto Vale

Os profissionais chegaram a ser aplaudidos durante a pandemia, mas agora são alvo de desprezo de políticos que, em falha grave, estão passando por cima de uma lei federal; e poderão ser responsabilizados por isso.

Por Redação

14 de julho de 2022

às 08:01

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 Exigidos à exaustão e aplaudidos como “heróis” pelo seu trabalho duro de enfrentamento à Covid-19, profissionais da área da saúde agora sofrem com o desprezo de prefeitos de cidades do Alto Vale do Itajaí (SC).

 Há quatro meses – passando por cima de uma lei federal -, gestores desobedecem a determinação de pagar anuênios, triênios, quinquênios e licenças-prêmio, direitos já devolvidos à categoria e também a servidores da segurança pública em todo o Brasil.

 O fim do congelamento dos benefícios, que durou um ano e sete meses, veio já em março passado.

 Desde então, a continuidade dos pagamentos foi garantida através de uma lei complementar (LC 191/2022) que alterou outra (LC 173/2020) e suspendeu a imposição da redução de gastos públicos que havia sido estabelecida durante a execução do “Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus SARS-CoV-2 (Covid-19)”.

Aclamados como “heróis”, profissionais da saúde não têm direito reconhecido por prefeitos. (Foto: Divulgação/Ilustração)

 Prefeitos fora da lei

 No Alto Vale, a teimosia de prefeitos em não pagar os direitos restituídos a trabalhadores atinge cinco das seis cidades de atuação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rio do Sul e Região (Sinspurs).

 A ilegalidade ocorre em Agrolândia, gerida por José Constante (PP);  Atalanta, comandada por Juarez Miguel Rodermel (MDB); Aurora, administrada por Alexsandro Kohl (MDB); Lontras, sob responsabilidade de Marcionei Hillesheim (MDB); e Rio do Sul, nas mãos de José Thomé (PSD).

Constante, Rodermel, Kohl, Hillesheim e Thomé. (Fotomontagem: Alto Vale Agora)

 Conforme o sindicato, apenas o prefeito de Laurentino, Marcelo Tadeo Rocha (MDB), colocou a situação em dia, e escapa do risco de sofrer punição.

Prefeito Rocha acertou pendência em Laurentino. (Foto: Divulgação)

 Enrolação

 A presidente do Sinspurs, Arlete de Souza, diz que os servidores se sentem “enrolados” pelo poder público.

 No caso de Rio do Sul, maior cidade da região, as manobras – que constituem infração de uma ordem federal -, também revelam a total falta de vontade política da gestão do município.

 Primeiro, a promessa era que os nomes dos beneficiados seriam lançados em separado no sistema de pagamentos. Depois, conta Arlete, a desculpa foi outra: quais profissionais seriam incluídos.

 Quando o sindicato ameaçou entrar com um mandado de segurança para resolver a pendenga, a prefeitura teria pedido para aguardar. Então, em um novo capítulo, o executivo alegou ter feito um pedido de informações sobre o caso à Federação Catarinense dos Municípios (Fecam) e à Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi).

 Agora, a presidente do sindicato repassa que a conversa atual é que “todos” na saúde ganharão os pagamentos devidos.

 “A prefeitura diz que está fechando a relação e que a situação seria regularizada em agosto”, informa Arlete de Souza, que desconfia: “É o mesmo que foi dito em maio e junho”.

 Além disso, o “todos” poderia deixar de fora a Guarda Municipal, o que deverá exigir judicialização no caso dos servidores da segurança pública, revela a presidente.

 Também ainda não se sabe se haveria um decreto coletivo para regularizar os pagamentos do pessoal da saúde, ou formulação de decretos individuais, outro sinal da enrolação.

Arlete de Souza aguarda pagamento de direitos a servidores. (Foto: Divulgação)

 Vergonha para o Alto Vale

 Enquanto prefeitos da região torturam financeiramente profissionais aos quais pareciam ser gratos pelo árduo trabalho que realizaram durante a pandemia, outras cidades demonstram respeito a seus servidores no Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

 Em Indaial, por exemplo, a prefeitura nem ficou esperando por uma decisão federal para contemplar seus trabalhadores. O executivo de Blumenau, por sua vez, agilizou os pagamentos a funcionários.

 Já no Alto Vale, pelo visto, não há pressa. Talvez porque os prefeitos perderam a sensibilidade, uma vez que têm seu salário robusto garantido. Para se ter uma ideia, Thomé, em junho, teve valor de vencimento que chama a atenção: R$ 46,2 mil, de acordo com dados do Portal da Transparência.

 Responsabilização judicial

 O Sinspurs aguarda solução ao problema. Ao mesmo tempo, avisa que também já mira em outro alvo.

 “Os prefeitos poderão ser responsabilizados, caso o pagamento não sair”, adianta Arlete de Souza. “Nosso jurídico já está estudando” o tipo de ação que cabe quando há descumprimento de lei federal, finaliza.

 Caso assessorias das prefeituras citadas queiram tentar justificar a recusa em obedecer uma determinação superior, o espaço no portal Alto Vale Agora está à disposição.

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