
O Município de Ibirama (SC), que teve o prefeito, Adriano Poffo (MDB), e o secretário de Administração e Finanças, Fábio Fusinato, presos na manhã desta quinta-feira (27), na quarta fase da Operação Mensageiro, aguardava “ansiosamente, a conclusão do inquérito” do Ministério Público.
A declaração foi dada ao portal Alto Vale Agora pela assessoria de imprensa da prefeitura ibiramense em fevereiro passado.
Naquele mês, nossa equipe repercutiu a ação policial que apura indícios de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro no setor de coleta e destinação de resíduos em diversas regiões de Santa Catarina, incluindo, no Alto Vale do Itajaí, outras duas prefeituras: Agrolândia e Presidente Getúlio.
Demonstrando estar confiante em uma conclusão favorável, a resposta finalizou dizendo que “o município espera, também, que o resultado das investigações ganhe na mídia tradicional, a mesma evidência e espaço que ganhou o lançamento da operação.”
Convidando, o assessor já havia chegado a dizer: “Vem conhecer o prefeito [Adriano Poffo] aqui. Sem dúvida, um dos caras mais honestos que eu já trabalhei na vida. E não ‘tô’ falando isso da boca pra fora. Tenho argumentos pra falar disso”, reforçou.

Entretanto, após a operação anterior, a própria assessoria do prefeito reeleito detalhou a seriedade da situação. Informou que o Ministério Público “requereu toda a documentação referente ao Processo Licitatório de contratação da empresa [Grupo Serrana], como também, o computador do servidor público responsável pelos processos de licitação.”
Poffo e Fusinato foram presos em casa. Ambos foram encaminhados para a capital, Florianópolis, onde devem passar por audiência de custódia.
Na prefeitura, o Gaeco recolheu novos documentos relacionados a contratos do lixo nesta quinta.
Em nota, o executivo municipal limitou-se a dizer que a investigação está sob sigilo e, por isso, não tem mais informações. Mas destacou que está à disposição da Justiça para os esclarecimentos necessários.
A empresa Serrana, pivô da Operação Mensageiro, já atua no município há cerca de uma década.

Contratos
Entre as cidades que estão na mira no Alto Vale, Ibirama tem o maior valor contratual atualizado: R$ 6,2 milhões, segundo dados do Portal da Transparência. O aditivo mais recente é de R$ 1,4 milhão. O acordo prevê a “gestão dos resíduos sólidos urbanos compactáveis e recicláveis” do município de janeiro a dezembro de 2023.
Segundo colocado na lista de gastos dos investigados, Presidente Getúlio, através do Serviço de Abastecimento de Água e Tratamento de Esgoto (Saate), tem contrato que subiu para o valor total de R$ 5,5 milhões. O aditivo de prorrogação atual, assinado no final de fevereiro, é de R$ 1,1 milhão, com data de vigência até 1º de março de 2024.
Agrolândia tem o terceiro maior contrato de coleta e destinação do lixo sob investigação na região. O valor atualizado é de R$ 4,4 milhões. O aditivo de prorrogação em vigor tem valor de R$ 1 milhão e o período de vigência vai até julho.
O Grupo Serrana informou em nota que se manifesta apenas judicalmente, “em respeito ao sigilo judicial.”
ATUALIZAÇÃO: No município de Presidente Getúlio, a prefeitura repassou à imprensa que documentos foram recolhidos e um servidor foi levado pelo Gaeco para prestar esclarecimentos. Ele era o superintendente do Saate, Edson Staloch. De acordo com o executivo municipal, ainda na quinta (27), o funcionário da autarquia pediu exoneração, que já foi publicada no Diário Oficial. Contatada na manhã desta sexta-feira (28), a defesa de Staloch não confirmou a prisão do cliente. A advogada Maria Eduarda Staloch alegou que não pode dar informações, pois o caso “está correndo em segredo de justiça”.

Mensageiro: 4ª Fase
Nesta quinta-feira (27), estão sendo cumpridos 18 mandados de prisões preventivas e 65 mandados de busca e apreensão. Além do Alto Vale, a operação ocorre nas regiões Sul, Planalto Norte e Vale do Itapocu.
As novas ordens judiciais expedidas pelo TJSC têm dois municípios citados no Alto Vale. Além de Ibirama, Presidente Getúlio.
Os demais são: Imaruí, Três Barras, Gravatal, Guaramirim, Schroeder, Major Vieira, Corupá, Bela Vista do Toldo, Braço do Norte e Massaranduba.
“Os mandados foram requeridos pelo MPSC após a análise dos depoimentos de testemunhas, dos investigados e das provas coletadas nas primeiras fases da Operação”, informou a coordenadoria de comunicação social do órgão.
No total, já foram cumpridos, até agora, 196 mandados de busca e apreensão e 40 mandados de prisão preventiva.
A quarta fase da operação ocorre com a atuação do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial Anticorrupção (Geac) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Atualizações sobre a 4ª Fase da Operação Mensageiro
Segundo o MP, todos os mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
Acerca dos mandados de prisão, dentre os quais envolvem nove prefeitos, somente uma prisão não foi realizada pelo fato de um dos alvos se encontrar no exterior.
Os presos na operação estão sendo encaminhados para audiência de custódia em Florianópolis.
* Foto de Capa: Adriano Poffo, à esquerda, e Fábio Fusinato, à direita (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Redes Sociais/Divulgação)