O afeto desempenha um papel essencial no crescimento saudável de crianças e adolescentes, pois influencia diretamente no bem-estar mental, emocional, social e até físico. Ele é a base para que desenvolvam segurança, autoestima e habilidades para construir relações equilibradas ao longo da vida. Em Lages, o recém-instituído serviço de apadrinhamento busca pessoas dispostas a oferecer essa experiência positiva aos menores que vivem em instituições de acolhimento.
Durante uma chamada pública nesta quinta-feira, dia 26, diversas pessoas tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre essa e as outras duas modalidades de apadrinhamento. O objetivo foi sensibilizar a comunidade e atrair novos padrinhos e madrinhas dispostos a oferecer afeto, atenção e apoio às crianças e aos jovens.

O serviço é desenvolvido pela Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com o Poder Judiciário, desde 2016, e até o início deste mês como projeto. Madrinha há pouco mais de um ano, Kézia Buratto representou os demais. Em sua fala, reforçou que as mudanças não existem apenas para quem é apadrinhado. “O apadrinhamento muda nossas vidas para muito melhor”, afirmou.
A oficiala da infância Ana Emília Melchiors representou a Vara da Infância e Juventude no evento. “Nas instituições de acolhimento eles são muito bem cuidados e não lhes falta nada, mas tudo é coletivo. Esse serviço é a oportunidade de torná-los únicos.”

O juiz Ricardo Fiúza lembra que, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o cuidado com crianças e adolescentes é uma responsabilidade não só da família e do Estado, mas de toda a sociedade. “Neste tipo de relação é possível oferecer vínculos, afeto e novas perspectivas de vida”, reforça.
A secretária municipal de Assistência Social, Inês das Graças Salmória, salientou sobre o potencial transformador do serviço. “A chamada pública do Serviço Acalento oportuniza maior conhecimento do serviço, um momento importante para sensibilizar e envolver a sociedade. As três modalidades de apadrinhamento permitem que cada pessoa contribua dentro das suas possibilidades, seja com afeto, serviços ou apoio material.”
Além do afetivo, há o apadrinhamento provedor, em que os padrinhos e madrinhas financiam algum serviço para a criança ou adolescente. Podem ser, por exemplo, aulas de natação, dança, inglês ou outros cursos de interesse do afilhado, ou demais serviços que atendam às necessidades dele.

A última modalidade é a prestação de serviços. Nela, as ações de responsabilidade social ocorrem nas instituições de acolhimento e podem ser desenvolvidas pelos mais diversos tipos de profissionais, como dentistas, professores, cabeleireiros e músicos entre outros.
Como se tornar um padrinho ou madrinha
Os candidatos precisam ter mais de 18 anos, apresentar documentos pessoais e passar por entrevista e capacitação com a equipe técnica da Secretaria de Assistência Social. Após a preparação e avaliação, os nomes dos possíveis padrinhos são encaminhados ao juízo para habilitação.
Os candidatos não podem estar na fila de adoção nem ter antecedentes criminais. Com o deferimento do pedido de apadrinhamento, as saídas nos fins de semana, feriados e férias escolares estão autorizadas pelo juiz. Viagens para outras comarcas, estados ou países exigem autorização judicial. Aqueles que desejarem apadrinhar podem procurar a Secretaria de Assistência Social ou os técnicos dos serviços de acolhimento.
Fonte: NCI/Assessoria de Imprensa