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LAURENTINO: Sob suspeita de fraude na operação ‘Vaga Certa’, concurso público tem contrato que previa punições à empresa em caso de quebra de sigilo

Câmara de Vereadores pagou contratada no ‘apagar das luzes’ de 2022, às vésperas da virada de ano...

Por Redação

26 de abril de 2023

às 06:25

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Sob suspeita de fraude na operação “Vaga Certa” do Gaeco, o legislativo municipal pagou no ‘apagar das luzes de 2022’ a empresa que realizou o concurso público à Câmara de Vereadores de Laurentino, no Alto Vale do Itajaí (SC).

A “Seletec Serviços de Saúde e Apoio Administrativo Ltda”, com sede em Ibirama, recebeu R$ 4,5 mil três dias antes do fim do ano, em 28 de dezembro de 2022, segundo dados do Portal da Transparência.

As datas dos eventos que envolvem o processo sugerem que havia pressa.

No dia 1º de novembro do ano passado, a então presidente Marinel Tarsia Cristofolini (MDB) assinou o contrato da “contratação de empresa especializada para elaboração, aplicação e correção do concurso público, destinado ao provimento de cargos em caráter efetivo”.

Marinel Tarsia Cristofolini, ex-presidente do legislativo laurentinense. (Foto: Divulgação)

As inscrições ficaram abertas de 7 de novembro a 7 de dezembro. A prova objetiva ocorreu nas dependências da Escola Municipal Honorata Stédille, com duração de três horas, das 9h às 12h, no dia 18 do mesmo mês.

O gabarito provisório foi agendado para divulgação no dia seguinte, 19. Já a relação definitiva e a “classificação provisória” para o dia 28 daquele mês, mesma data do registro de pagamento à Seletec.

Reunião ordinária no plenário da Câmara de Vereadores em Laurentino, Santa Catarina. (Captura de Tela: Reprodução/Facebook)

Suspeitas

De acordo com as investigação, “dois candidatos com possíveis ligações com pelo menos um agente público teriam se beneficiado do certame”, informa a coordenadoria de comunicação social do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Havia vagas para candidatos com formação no ensino fundamental (agente de serviços gerais – 20h), ensino médio (agente legislativo – 40h) e ensino superior (contador – 40h).

De acordo com o MP, os dados da apuração “reforçaram as suspeitas, bem como elementos de autoria e materialidade”.

Além disso, “há fortes indícios que há ilegalidade também no próprio processo licitatório que resultou na escolha da empresa que organizou o certame”.

O Portal da Transparência da Câmara de Vereadores de Laurentino não informa se a disputa teve a participação de outras concorrentes.

Mas identificamos que o contrato não deixou de exigir o que era esperado: “manter sigilo absoluto do conteúdo e do gabarito das provas”.

Inclusive, em caso de descumprimento, o documento alertava que haveria aplicação das penas contratuais, além das “sanções administrativas, civis e penais cabíveis”.

Entretanto, não há informação de que alguma punição tenha sido adotada em desfavor da contratada.

Operação “Vaga Certa” apura fraude em concurso público em Laurentino. (Foto: Divulgação/MPSC)

Seletec

A contratação da “Seletec Serviços de Saúde e Apoio Administrativo Ltda” tem como representante do acordo “Adelar José Tolfo”.

Nossa equipe apurou que, em 2014, esse nome aparece associado à exoneração do cargo de secretário parlamentar da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), mais especificamente do gabinete da então deputada estadual Dirce Aparecida Heiderscheidt, do MDB, mesmo partido da ex-presidente da Câmara de Laurentino que assinou o contrato do concurso público investigado.

A empresa de Adelar também presta serviço à prefeitura de Salete desde 2017, de acordo com o Portal da Transparência.

Os pagamentos efetuados – totalizando R$ 288 mil – foram: R$ 12.900,00 (2023); R$ 101.663,80 (2022); R$ 36.000,00 (2021); R$ 40.000,00 (2020); R$ 33.000,00 (2019); R$ 35.940,00 (2018); e R$ 28.500,00 (2017).

Segundo informações da assessoria de imprensa da prefeitura, a atual operação não teve nenhuma ligação com o setor público de Salete.

Recentemente, Tolfo também apareceu na cidade durante uma visita do governador Jorginho Mello (PL) ao Hospital e Maternidade Santa Terezinha, onde a Seletec presta serviços de assessoria.

Em passagem por Salete, Jorginho Mello cumprimenta Adelar José Tolfo. (Foto: Divulgação)

Operação “Vaga Certa”

Especula-se que a investigação “Vaga Certa”, que paira sobre a seleção à Câmara de Vereadores de Laurentino, possa ter surgido a partir de outra operação do Gaeco no Alto Vale: a “Gabarito”, que apura fraude na licitação e no concurso público promovidos no ano passado para ingresso na prefeitura de Presidente Getúlio (veja link no final).

No caso de Laurentino, havia quatro mandados de busca e apreensão para serem executados na terça-feira (25), no próprio município e em outras três cidades catarinenses: Ibirama e Salete, também no Alto Vale, e São Bento do Sul, no Planalto Norte.

“As investigações iniciaram há três meses e uma série de medidas cautelares já foram deferidas e implementadas”, detalha o Ministério Público.

“O Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado] é uma força-tarefa composta pelo Ministério Público de Santa Catarina, Polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal e Secretaria Estadual da Fazenda, Polícia Penal e Corpo de Bombeiros”, lembra o MP.

Democraticamente, o espaço no portal Alto Vale Agora permanece aberto para eventuais explicações dos citados nesta reportagem.

(Câmara de Vereadores de Laurentino > Contrato Superior: 05/2022; Licitação: 01/2022; Modalidade: Pregão Presencial | Ordem de Compra: 54-0/2022; Empenho: 264/2022 | Diário da Assembleia, Florianópolis-SC, n. 6.680, 14/04/2014, pág.30)

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