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Máquina de propaganda de José Thomé acumula gastos de R$ 3,2 milhões com agência de publicidade

Contrato mais recente traz valor estimado de R$ 850 mil e poderá ter prorrogação e mudança de preço. Não dá pra saber nem o nome dos meios de comunicação que foram pagos, nem quanto cada um recebeu.

Por Redação

27 de maio de 2022

às 14:36

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RESUMO: Contatada sobre quais serviços específicos prestam, diretores da Ezcuzê Agência de Propaganda e Publicidade Ltda não responderam. Prefeitura nega que recursos também paguem reportagens jornalísticas em meios de comunicação.

 A máquina de divulgação oficial de ações da administração do prefeito de Rio do Sul (SC), José Thomé (PSD), já acumula gastos de R$ 3,2 milhões com a contratação da Ezcuzê Agência de Propaganda e Publicidade Ltda, sediada em Florianópolis, capital catarinense. O valor milionário é a soma dos pagamentos de R$ 2,26 milhões já efetuados, empenhos a pagar de R$ 86,9 mil e um novo contrato no valor de R$ 850 mil. O acordo mais recente foi firmado entre as partes no início de maio deste ano e tem vigência de 12 meses.

Despesas já atingem R$ 3,2 milhões. (Captura de Tela: Portal da Transparência)

 Os contratos, aditivos e prorrogações entre a prefeitura e a agência iniciaram em 2018 (R$ 509 mil pagos), ainda durante a primeira gestão de Thomé. Segundo o Portal da Transparência, a contratação vigorou ao longo de 2019 (R$ 659 mil pagos), 2020 (R$ 263 mil pagos), 2021 (R$ 693 mil pagos) e continua este ano (R$ 224 mil empenhados). Somente em março e abril passados, há registros de 12 pagamentos, seis em cada mês.

 Genérico, o histórico da maior parte dos documentos diz: “Contratação de Agência de Publicidade para Divulgação doas [erro de digitação repetido no Portal] atos da administração municipal e suas secretarias e fundações.”

Agência faz silêncio

 O portal Alto Vale Agora contatou a direção da Ezcuzê no último dia 9 de maio. Primeiro, por telefone. Depois, pelo e-mail indicado.

 O objetivo era saber, de modo específico, de quais “pesquisas e instrumentos de avaliação e geração de conhecimento”, “projetos publicitários, de mídia e não mídia” e “formas inovadoras de comunicação publicitária” trata uma das cláusulas de serviço do acordo da agência com a prefeitura de Rio do Sul.

 Nem o diretor-executivo de criação, Cícero Braz de Bem, nem o diretor-executivo e de planejamento, João Paulo Coelho, haviam respondido até o fechamento desta reportagem.

Lema de agência de diretores – que não se manifestaram sobre o caso – é “unstoppable”. Traduzido do inglês, significa “imparável”.  (Captura de Tela: Internet)

 Prefeitura dá explicação, nega e deixa dúvidas

 Há cerca de dois meses, nossa equipe vem tentando compreender o caso dos altos valores contratuais de publicidade e propaganda da prefeitura de Rio do Sul com sua agência.

 Em um dos primeiros contatos, perguntamos sobre o aditivo “048 A/2022” relativo à Ezcuzê. No entanto, a assessoria de imprensa respondeu que “O contrato 048 A/2022 é um aditivo de prazo, para os serviços da empresa Rio Azul, que prestou serviços para a limpeza de ribeirão da Valada São Paulo.” Depois, em nova pergunta, citou a agência, sem se corrigir.

 Fizemos outros encaminhamentos. Num deles, o setor informou que as agências são contratadas para prestar campanhas publicitárias que o executivo não tem condições de realizar por conta própria.

 A Ezcuzê “elabora a estratégia junto com o departamento de comunicação”, conduz serviços necessários à produção dos materiais e faz o “envio para os meios de comunicação selecionados para a campanha desejada”. Além disso, “quando a prefeitura precisa contratar um comercial com rádios, TVs, jornais, revistas, sites, redes sociais, procura a agência de publicidade para estudar qual a melhor forma de realizar este serviço”, acrescenta a nota.

 Sem indicar como o cidadão pode acessar os documentos, a assessoria repassou que a apresentação de notas fiscais, tabelas de inserção e comprovação de realização dos serviços é de responsabilidade da agência “para que a prefeitura possa justificar o pagamento da campanha.”

  Há casos, por exemplo, em que existe uma ‘amarração’ entre a veiculação de comerciais e uma espécie de ‘retribuição’ feita através de cobertura ‘jornalística’. No final, equipes de reportagem acabam sendo acionadas para exaltar ações da administração pública. Contudo, a prefeitura nega, veementemente, gastos antiéticos de dinheiro público para este tipo de ‘compra de matérias’ em meios de comunicação.

  procuramos saber o nome de agências que já fizeram campanhas políticas para o prefeito José Thomé. Em tom elevado, veio a seguinte resposta: “Fazemos assessoria para a prefeitura de Rio do Sul. Perguntas sobre campanha eleitoral do prefeito devem ser direcionadas à coordenação de campanha dele. Empresas contratadas pelas campanhas eleitorais geralmente estão expostas nas prestações de contas no site do TSE.” Verificamos que neste serviço específico não foi a Ezcuzê.

Obscuro

 A assessoria de imprensa do executivo rio-sulense pontuou ainda que “continua sendo exigência do Tribunal de Contas ter a contratação de uma agência de forma licitada”. No entanto, em nenhum momento, fez alusão ao valor milionário gasto até aqui.

TCE legitima milhões destinados à propaganda por José Thomé, alega assessoria. (Foto: Divulgação/Ascom/Arquivo)

 Há muitas dúvidas no ar. Quais veículos de comunicação veiculam “atos da administração municipal e de suas secretarias e fundações”? Que tipo de peças e projetos publicitários são produzidos? Qual o custo de cada um? Quem ganha mais, quem ganha menos; e por quê? Que tipo de “pesquisas” são realizadas? Na prática, o item “formas inovadoras de comunicação publicitária” entrega que tipo de serviço? O contribuinte não encontra nada disso detalhado nas informações disponibilizadas no Portal da Transparência.

 Porém, é um direito de todos saber – exatamente – como o dinheiro foi empregado, centavo a centavo.

Não dá pra saber nem o nome dos meios de comunicação que foram pagos, nem quanto cada um recebeu. (Capturas de Tela: Portal da Transparência)

 Verba pública: vereadores e comunidade

 Afinal, os vereadores rio-sulenses concordam com o valor de R$ 3,2 milhões que a prefeitura destinou à publicidade e propaganda com sua agência nos últimos quatro anos? Falta transparência?

 Você pensa que esse não foi um gasto e, sim, um investimento?

 Preferiria menos ações de mídia e que o dinheiro economizado fosse investido em obras no seu bairro, ou município?

(Contrato Superior: 055/2018; Licitação: 83/2017; Modalidade: Concorrência > Aditivos: 91/2018; 91-A/2019; 015/2019; 019/2020; 019-A/2021; 048/2021; 048-A/2022; 066/2022 | Contrato Superior: 078/2022; Licitação: 167/2021; Modalidade: Concorrência.)

 Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora

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