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MP investiga professor por suposto caso de assédio a alunas em escola de cidade da Comarca de Taió

Docente teria constrangido adolescentes a tal ponto que elas não queriam mais entrar na sala de aula. Fonte contou ao portal Alto Vale Agora que as estudantes relataram olhares insinuantes e piadas sujas dele no ambiente escolar.

Por Redação

18 de maio de 2022

às 08:00

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 Ao menos sete alunas, entre 13 e 14 anos, teriam sido vítimas de condutas irregulares de um professor de inglês do 8º ano de uma escola municipal localizada numa cidade pertencente à Comarca de Taió, no Alto Vale do Itajaí (SC). Uma fonte ouvida pela nossa reportagem disse que as adolescentes denunciaram o docente, de 39 anos, que se insinuava através de olhares e piadas obscenas e de “baixo calão” a estudantes.

 O constrangimento extremo teria feito com que as alunas não quisessem mais sequer entrar na sala de aula. Elas acabaram contando a situação insuportável aos pais e responsáveis, também de acordo com a nossa fonte.

 Indignadas, as mães procuraram a escola e o Conselho Tutelar. Um boletim de ocorrência foi registrado. Como medida administrativa, o professor foi afastado “sem prejuízo à remuneração”. Uma comissão interna foi criada na escola para verificar e acompanhar os fatos e houve a abertura de sindicância.

 O afastamento do professor ocorreu em outubro do ano passado, tão logo o caso foi denunciado pelas alunas, disse a fonte à equipe. Porém, somente agora o fato ganhou repercussão regional.

 Demora

 Apesar da gravidade da denúncia, o docente continuou lecionando em outra escola estadual até a semana passada antes de ser afastado de lá também, conforme relato da nossa informante.

 Procurada, a coordenadora regional de educação, Andrea Leandro Block, disse que não pode dizer nada e nem quem determinou a saída dele “porque o processo está em andamento”.

 Antes do afastamento, o promotor de Justiça teria telefonado e ficado sabendo “que em nenhum momento ele [o professor] foi afastado da rede estadual, somente da rede municipal”.

 Mas esta semana a comissão escolar repassou que o denunciado teve proibido seu acesso à instituição estadual também.

 Não se sabe se houve denúncias de possíveis novas vítimas no local.

 MP: investigação sigilosa

Procuramos a Promotoria de Justiça da Comarca de Taió. A assistente do promotor Otávio Augusto Bennech Aranha Alves confirmou em nota que “há investigação para apuração de supostas condutas irregulares por parte do professor”. No entanto, ainda não é possível informar se há algum tipo de crime.

 De acordo com o texto repassado, “o Poder Judiciário decretou medida cautelar de afastamento do investigado de escolas nas quais atua com o objetivo de permitir a adequada apuração dos fatos.” 

 A assistente do MP ressaltou que “ainda não há qualquer acusação formalizada contra o investigado” e, por envolverem adolescentes, os fatos estão sendo apurados com o sigilo resguardado. Nossa informante disse que “a denúncia não é de abuso físico, mas ele constrange.”

 Os relatos das alunas serão colhidos no “formato de depoimento especial”, procedimento usado “com crianças e adolescentes que sejam vítimas ou testemunhas de crimes a fim de evitar qualquer revitimização.”

 Já o processo interno movido pela comissão criada na escola municipal também está ocorrendo. A diretora já foi convocada. Os pais e responsáveis também serão chamados para tomar conhecimento da apuração. As alunas somente serão ouvidas pelo Ministério Público.

 “Ameaça”

 Comentários de bastidores dão conta que o advogado do docente tentaria achar uma brecha para entrar com um processo de danos morais em favor do seu cliente.

 Falou-se até de uma suposta busca de indenização na ordem de R$ 100 mil.

 Tais conversas teriam colocado medo e silenciado muita gente no município.

 “Coragem”

 De acordo com a nossa fonte, as alunas “tiveram uma coragem muito nobre”.

 Apesar de as supostas condutas irregulares também terem ocorrido em outras salas, as adolescentes que seguiram “adiante [com a denúncia] foram as do oitavo ano”. As demais, segundo a informante, não relataram os constrangimentos.

 Por mais difícil que possa ser, as denúncias são fundamentais para o esclarecimento de abusos contra menores de idade. 

 A postura das estudantes repercute de forma especial neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. A data marca diversas ações em todo o país contra o enfrentamento desse tipo de violência.

 Se você souber de algum caso de assédio, não se cale. Procure o Conselho Tutelar do seu município, ou ligue para o Disque 100, o serviço de denúncias de violações de direitos humanos.

 Espaço

 Por se tratar de uma denúncia em apuração e respeitando as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o portal Alto Vale Agora não citou o nome da cidade, nem das escolas e, muito menos, identificou as supostas vítimas e tampouco o suposto agressor.

 Ainda assim, temos espaço aberto para eventual esclarecimento do advogado de defesa do professor denunciado ao MP.

Fonte: Redação

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