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MPSC vai à Justiça para que praça de Tubarão não seja transformada em área industrial

As praças são bens públicos de uso comum do povo, importante espaço de uso coletivo dos munícipes e essenciais à qualidade de vida da população, que não foi ouvida sobre a medida que destina a área à iniciativa privada.

Por Redação

11 de outubro de 2021

às 09:00

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 O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ingressou com uma ação civil pública para evitar que uma praça do Município de Tubarão seja destinada à iniciativa privada para ser explorada por empresas ou transformada em área industrial. A 6ª Promotoria de Justiça de Tubarão requer a proibição do uso do espaço para outra finalidade que não a original e a declaração incidental de inconstitucionalidade da Lei Complementar Municipal n. 287/2021, sancionada em 4 de agosto, que altera a destinação da área e possibilita a sua venda.

 Na ação, a Promotora de Justiça Cristine Angulski da Luz contesta a validade da lei municipal que desafetou a praça Brasília, no bairro Aeroporto, e possibilitou que a área de 6.274 m², bem público de uso comum do povo, possa ser explorada por particular. A praça integra o patrimônio público municipal desde 1955, quando a região onde está localizada foi loteada, e, em 1966, por lei municipal, recebeu a denominação de praça Brasília.

 As praças são bens públicos de uso comum do povo, importante espaço de uso coletivo dos munícipes e essenciais à qualidade de vida da população, um direito garantido pelo art. 225 da Constituição Federal. 

 Assim, a mudança da finalidade um bem público – o que é chamado, legalmente, de desafetação – não pode ser apenas por meio de uma lei. É preciso comprovar que um bem público destinado para a população não serve mais à sua finalidade original.

 No caso, a motivação apresentada pelo Poder Executivo municipal em momento algum se baseou na comprovação de que a praça Brasília havia perdido a finalidade comunitária, já que as razões empregadas para a desafetação se limitaram à pretensão de destiná-lo à iniciativa privada para a obtenção de renda, possibilitando a sua exploração por empresas ou indústrias no local.

 A Promotora de Justiça destaca que foi ignorada a gestão participativa e democrática, prevista no Estatuto da Cidade, que assegura a participação da população nas discussões e debates sobre o futuro do município, de modo que os cidadãos possam manifestar sua opinião, influenciando, assim, no destino da cidade.

 “Apesar da importância de sua discussão e das consequências que adviriam da sua aprovação, o projeto de lei foi apresentado sem qualquer debate com a sociedade, em especial com a comunidade que usufrui do local, e tramitou em escassos 25 dias na Câmara de Vereadores até ser aprovado no início de agosto deste ano”, considera Angulski da Luz.

 Segundo a Promotora de Justiça, apesar do histórico e intencional abandono pelo poder público municipal, o local não está descaracterizado, contando, inclusive, com a instalação de área de lazer infantil e de estrutura destinado ao abrigo de cães comunitários, empreendida pela própria população, em evidente cumprimento, portanto, da função social do espaço público.

 Assim, requereu, liminarmente, a suspensão da eficácia da Lei Complementar Municipal n. 287/2021, que desafetou a praça Brasília e alterou o uso do imóvel do Município de Tubarão, e a procedência da ação para que a inconstitucionalidade e a ilegalidade da lei sejam reconhecidas, anulando-a, assim como os atos decorrentes dela.

 “Leis urbanísticas devem buscar o bem-estar da sociedade local, que é a titular dos direitos por ser a diretamente afetada pelas suas mudanças, sendo certo não bastar, para tanto, a edição de norma ritual, formal e rápida, sem a garantia da ampla participação popular em todo o processo legislativo”, completa a Promotora de Justiça.

 Fonte: MPSC

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