Militino Gregório Eising proferiu discurso emocionado durante a sessão solene de sexta-feira (4), na qual recebeu o título de Cidadão Honorário da Câmara de Vereadores de Salete. Em sua fala, o homenageado relatou uma trajetória de vida marcada pela determinação, estudos e dedicação ao município que escolheu para viver.
Origens humildes e primeiros passos
Militino contou que seus pais vieram de Armazém, município de Tubarão, para o então distrito de Ribeirão Grande (atual Taió), quando ainda pertencia a Rio do Sul. A família, com quatro filhos, trabalhou como arrendeiro nas terras de Roberto Jasper, na localidade de Rio Wildy.
“A vida era simples. Tanto que eu ia à escola descalço, na localidade de Rio Wildy, a 3 km de distância”, relembrou. Seus pais, que tiveram 13 filhos e possuíam pouca instrução, sempre incentivaram os estudos: “Nós não temos estudo, mas vocês, se quiserem, podem estudar”.
Determinação pelos estudos
Aos 14 anos, Militino foi para Curitiba em busca de educação, retornando com o segundo grau científico. Seu sonho inicial era cursar engenharia química, mas o destino o levou para as Indústrias Teodoro Hedler em Salete.
Em 1965, através de concurso público, ingressou no serviço estadual, assumindo a Coletoria Estadual de Rendas de Salete, onde permaneceu até 1984. Paralelamente, continuou buscando formação: formou-se no magistério em Taió e lecionou no Colégio Luiz Bertoli.
Pioneirismo na educação superior
Decidido a continuar os estudos, Militino enfrentou o desafio de cursar administração na Unidavi, em Rio do Sul. “Procurei parceiros para irmos ao Rio do Sul, mas não achei. Eu fui o primeiro aluno de Salete a não desistir”, recordou.
Durante quatro anos, dirigiu diariamente seu Fusca até Rio do Sul para cursar a faculdade, demonstrando uma determinação que ele próprio definiu como “quanta aventura!”.
Carreira e promessa de retorno
Com formação superior, trabalhou em Presidente Getúlio, Rio do Sul, Lages e Blumenau. Ao deixar Salete, fez uma promessa aos amigos na lanchonete do Burga: “Até logo. Eu voltarei”.
Questionado sobre por que construía casa em Salete em vez de Blumenau, onde trabalhava, respondia: “Porque quero morar em Salete”. Em 1996, aposentado, cumpriu a promessa e retornou, trabalhando como secretário de administração e finanças na gestão do prefeito Ademir Niehues.
Gratidão e filosofia de vida
O homenageado agradeceu ao Presidente da Câmara Odair José Ferreira pela proposição, aos demais parlamentares pela aprovação e à prefeita Anadir Koch Belli pela homologação. “Há muito tempo eu sonhava em receber um título de cidadão saletense. Pois, modéstia à parte, eu me achava merecedor dessa honraria”, declarou.
Militino encerrou com uma reflexão sobre valores: “Existem pessoas que valorizam Deus, a vida, a família e os amigos. Deus porque nos deu a vida, a vida que é curta e passageira, a família que é única, e os amigos, porque são raros. Por isso vale a pena prestar serviço sem olhar a quem, pois mais se beneficia quem melhor serve”.
Concluindo com orgulho, declarou: “Sou cidadão Saletense”.