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Políticos gastam R$ 1,4 milhão para abrir UTI, unidade atende 8 pacientes e é fechada apenas 4 meses após teatro de inauguração

Governo faz pouco caso, prefeito fracassa e UTI de R$ 1,4 milhão é fechada 4 meses após teatro político de inauguração.

Por Redação

1 de fevereiro de 2022

às 08:00

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 De modo tardio, Unidade de Terapia Intensiva havia sido ativada para tratar pacientes com Covid no Hospital e Maternidade Dona Lisette, em Taió, no Alto Vale (SC). População acreditava que estrutura com dez leitos permaneceria funcionando para suprir deficiência grave da falta do serviço especializado que, até então, nunca existiu para acudir os municípios da região do Vale Oeste. Porém, após atender oito pacientes, sonho foi transformado em verdadeiro ‘elefante branco’ e com viés assassino. Enquanto equipamentos do investimento milionário ficarão desligados e poderão virar sucata, pacientes voltam a correr maior risco de morrer por falta de vaga ou grande distância até socorro em outros hospitais que dispõe de tratamento intensivo.

 Símbolo de desperdício de verba pública por parte do governo catarinense de Carlos Moisés (sem partido) e da falta de musculatura política do prefeito taioense Horst Alexandre Purnhagen (MPB), a recém-aberta UTI do Hospital e Maternidade Dona Lisette teve seu fechamento anunciado para este dia 31 de janeiro, em Taió, no Alto Vale (SC). A Unidade de Terapia Intensiva recebeu investimentos de R$ 1,4 milhão e foi inaugurada sob grande êxtase de exploração política, mas funcionou apenas pouco mais de quatro meses.

 Para fins de ganho político e fazer parecer que era cumprimento de uma promessa propagada durante a campanha municipal, a implementação chegou a ser apresentada como se fosse uma UTI normal quando, na verdade, tratava-se de uma “UTI Covid” destinada a acudir vítimas da doença dos municípios da região.

 Estranhamente, começou a operar somente quase dois anos depois do início da pandemia, quando o número de internações de pacientes já havia caído drasticamente.

 No curto período de atuação, disponibilizou atendimento para oito pacientes, contou o prefeito. A Unidade de Terapia Intensiva tinha dez leitos.

 Agora, parados, os equipamentos de alto custo da “UTI fantasma” poderão virar sucata.

 Além disso, cresce outra vez o risco de morte de pacientes por falta de vaga ou por conta do aumento da distância em busca de socorro para diversas situações de saúde junto a outros hospitais que dispõe de tratamento intensivo.

 “UTI Fantasma”: perguntas que não querem calar

 Além de suspeitas, o fechamento da “UTI Covid” de Taió levanta sérios questionamentos.

 Se era uma “UTI Covid”, por que foi ativada tão tardiamente quando a pandemia já registrava baixa demanda de internação hospitalar?

 O investimento foi apenas uma espécie de ‘torradeira’ do dinheiro público?

 Por que gastar tanto dinheiro para, depois, deixar uma UTI inteira jogada às traças?

 Até quando os equipamentos milionários ficarão abandonados?

 Se as máquinas virarem sucata e forem parar no lixo, quem vai ser responsabilizado?

 Em vez de auditoria, silêncio mortal

 O município de Taió tem nove vereadores. A fiscalização contínua para descartar riscos de anormalidades no município cabe aos parlamentares.

 Mas, até o momento, nenhum deles se manifestou sobre o abre e fecha relâmpago da UTI ou a necessidade de uma ampla auditoria.

 A inação deixa sem respostas concretas diversas outras questões. Entre elas: quem eram os funcionários da unidade, como funcionou a escala de trabalho, como foi aplicado cada centavo recebido, quanto custou o serviço durante esses quatro meses e, claro, onde está a prestação de contas completa e pública da UTI?

 Gastança: abriram para, em seguida, abandonar

 Após aproveitar para explorá-la politicamente, agora, o prefeito de Taió, Horst Alexandre Purnhagen (MDB), tentou se eximir de responsabilidades sobre o fechamento da UTI.

 O gestor público disse, em uma entrevista local, que foi “surpreendido” com a notícia dada pelo governo Moisés duas semanas antes da data marcada para o encerramento do serviço.

 De acordo com o prefeito, o estado comunicou que não se justifica manter o quadro de funcionários e a despesa mensal, sendo que existe retaguarda para Covid em Rio do Sul, Ibirama e Ituporanga, cidades que têm UTIs.

 Segundo Purnhagen, no futuro, o governo do estado pode ser questionado, “e com toda a razão, porquê manteve tal estrutura, tal volume de despesas para uma estrutura subutilizada”.

 Alexandre alega que “no começo relutou bastante, mas com tais argumentos a gente teve que acabar aceitando”. Afinal, a variante ômicron, apesar de mais contagiosa, é mais branda e “a gente tem Rio do Sul e outras cidades” para fazer o atendimento, concordou.

 Fraqueza política de um, pouco caso de outro

 Na prática, o fechamento da UTI de Taió revela que o prefeito Alexandre não tem força política, é totalmente submisso e sem representatividade alguma junto ao governo catarinense.

 Por outro lado, faz interpretar também que – para o governo de Carlos Moisés – basta um show político de inauguração com estardalhaço e propaganda simulando preocupação com saúde pública regional.

 Já ‘as vidas (que poderiam ser salvas), isso a gente vê depois’, pelo visto.

 Promessa para “confortar”

 Enquanto joga toda a culpa pela desativação da UTI de Taió nas costas do governo do estado, Horst Alexandre Purnhagen tenta “confortar a população”.

 Ele diz que os dez leitos de UTI adquiridos, no valor de R$ 1,4 milhão, permanecem em Taió aguardando a futura ampliação do hospital.

 Sem data para início da obra, o projeto prevê a construção de um anexo de cinco pavimentos. O quinto andar abrigaria a UTI, “não mais Covid e, sim, uma UTI geral”, acrescenta Purnhagen.

 De acordo com o prefeito, a promessa do governo do estado é que, em fevereiro, o município seja chamado em Florianópolis para “assinar o convênio” e poder iniciar a construção do anexo hospitalar.

 Desperdício?

 E você, o que acha: o abre e fecha relâmpago da UTI no hospital em Taió foi politicagem e dinheiro público jogado no ralo?

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 Fonte: Redação

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