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Prefeito contrata empresa que abriu um dia após assinatura do acordo de R$ 11,2 milhões

Assinado na véspera da data de abertura oficial do empreendimento, contrato de prestação de serviço milionário para coleta de lixo chama atenção em Rio do Sul (SC).

Por Redação

28 de setembro de 2022

às 07:00

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A prefeitura contratou uma nova empresa para fazer a coleta e destinação do lixo domiciliar orgânico e de rejeitos em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí (SC). Até aí, nada de mais. Porém, algo chama a atenção: o empreendimento foi criado um dia após a assinatura do acordo de prestação do serviço – da ordem de R$ 11,2 milhões.

O prefeito José Thomé (PSD) oficializou o negócio com o “Consórcio S.S. Resíduos” no último dia 1º de setembro, conforme a data registrada no documento publicado no Portal da Transparência.

Já a consulta do CNPJ no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Receita Federal revela: a data de abertura da empresa ocorreu apenas no dia seguinte, “02/09/2022”.

O parecer jurídico avalizando a contratação e demais documentos da contratada não se encontram disponíveis ao público na aba “anexos” do Portal da Transparência, apenas o contrato assinado na véspera da criação da “S.S.”

Contrato entre prefeitura e empresa traz data de 1º de setembro de 2022. (Imagem: Captura de Tela)
Data de abertura da empresa contratada é 2 de setembro de 2022. (Imagem: Captura de Tela)

Mesmo endereço

De acordo com o contrato, a empresa “Consórcio S.S. Resíduos” está sediada em Joinville, norte catarinense.

O endereço é exatamente o mesmo da Serrana Engenharia Ambiental Ltda: “Rua Ottokar Doerffel, 841, Bairro Atiradores”.

Inclusive, no Cadastro Nacional os contatos informados trazem o endereço eletrônico e o telefone da Serrana.

Pesquisas na internet mostram ainda que a “S.S.” tem como atividade principal a “coleta de resíduos não-perigosos”.

O “quadro de sócios e administradores” traz, como administrador, Odair José Mannrich, nome que aparece como representante da empresa no contrato firmado com a prefeitura de Rio do Sul.

Já as sociedades consorciadas são três: Saay’s Soluções Ambientais Ltda, Planalto Resíduos Ltda e Serrana Engenharia Ltda. Nenhuma delas é citada dentro do contrato com a prefeitura rio-sulense.

O texto também confirma a data de criação da empresa “Consórcio S.S. Resíduos”: “fundada em 02/09/2022”.

À esquerda, José Thomé. À direita, Odair José Mannrich. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Reprodução)

Contrato: R$ 11,2 milhões

A cláusula primeira do pacto estabelece a quantidade de 18 mil toneladas de coleta manual e mecanizada de resíduos por parte da “S.S” ao longo de 12 meses em Rio do Sul.

Com o custo máximo unitário de R$ 623,04 por tonelada, o valor máximo total atinge “R$ 11.214.720,00”.

Visualizador do contrato detalha finalidade do serviço milionário. (Captura de Tela: Portal da Transparência)

A cláusula nona, das sanções, diz que “ficará impedido de licitar e de contratar com o Município (…) pelo prazo de até cinco anos, (…) o licitante que, convocado dentro do prazo de validade de sua proposta:” não entregar a documentação exigida no edital (II); apresentar documentação falsa (III); fraudar a execução do contrato (VII); e declarar informações falsas (IX).

Uma segunda aba inicial do Portal da Transparência chega a citar como “fornecedor” a “Serrana Engenharia Ltda”. No entanto, o que tem validade é o contrato. E este documento no anexo, assinado por Thomé e Mannrich, é o mesmo – está em nome do “Consórcio  S.S. Resíduos”, com CNPJ próprio e datado de 1º de setembro, véspera da data de abertura da contratada, conforme o cadastro da Receita Federal. 

Sede do executivo rio-sulense. (Foto: Divulgação/Prefeitura)

Dezenas de empresas

Em outra consulta à web encontramos “27 empresas que pertencem ou já pertenceram a Odair José Mannrich” em seis estados brasileiros: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde constam “19” delas (veja no “LINK 1”, abaixo).

Outro endereço na internet informa que “Odair Jose Mannrich é um empresário(a) com participação em 22 CNPJ’s perante RFB [Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil] nos seguintes estados: SC [Santa Catarina], PE [Pernambuco], MS [Mato Grosso do Sul], acumulando um capital social de R$ 52.135.995,00. Odair também possui 14 sócios em outras empresas”, detalha a publicação (veja no “LINK 2”, abaixo).

Com exceção de uma instituição, todas as outras têm o porte “demais”. Basicamente, é quando uma firma excede a expectativa de receita anual, ou seja, não se enquadra como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP).

Estranho

Caberá aos dez vereadores rio-sulenses cumprir o dever de fiscalizar a situação do contrato assinado por Thomé e Mannrich na véspera da criação do “Consórcio S.S. Resíduos” – e elucidar o aparente enigma.

A sociedade merece e aguarda os devidos esclarecimentos.

Ao mesmo tempo, o espaço para eventuais declarações dos envolvidos encontra-se democraticamente aberto no portal Alto Vale Agora.

Vereadores rio-sulenses. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Reprodução)

(*Atenção: As reportagens do Alto Vale Agora refletem o olhar que o cidadão pode ter das ações públicas a partir das informações disponibilizadas nos Portais da Transparência. O serviço é determinado por força de lei. As instituições públicas estão obrigadas a publicar, em meio eletrônico e em tempo real, os dados pormenorizados sobre a execução orçamentária e financeira de suas receitas e despesas. Contratos e licitações, por exemplo, devem aparecer de forma clara e completa. Infelizmente, muitas vezes, a norma é desrespeitada. Ainda assim, nossa equipe deixa espaço aberto para as assessorias de imprensa que queiram esclarecer eventuais questões que lhes pareçam inconvenientes em textos referentes à instituição que defendem.)

(Contrato Superior: 205/2022; Licitação: 124/2022; Modalidade: Pregão Eletrônico; FONTE | LINK 1 | LINK 2)

Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora/Capturas de Tela

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