A comunicação institucional da Prefeitura de Taió, no Alto Vale do Itajaí (SC), atravessa um momento crítico.
O prefeito Aristides Elói Valentini (PSDB) enfrenta dificuldades na hora de se expressar publicamente: suas falas frequentemente se confundem, frases são incompletas e a clareza das mensagens se perde.
Por outro lado, a chamada “estratégia de descentralização” adotada pelo Executivo, que libera secretários municipais para buscar recursos diretamente em Florianópolis (SC) e Brasília (DF), poderia, de certa forma, ajudar a amenizar parte dessa limitação comunicacional.
Porém, na prática, a iniciativa resultou em um aumento expressivo nos custos com diárias e viagens em comparação à administração anterior (veja link abaixo).
Vice-prefeito e liberdade tolhida
Enquanto o prefeito enfrenta dificuldades com o microfone, o vice-prefeito Udo Gutz (PL), adota outro estilo: sem filtro, usa gírias e, em algumas ocasiões, até palavras inapropriadas para transmitir suas ideias.
Ao mesmo tempo, o setor de comunicação da Prefeitura mantém um controle rigoroso sobre os secretários, limitando a liberdade de fala e até dificultando a divulgação espontânea de informações pelos gestores municipais.
Curiosamente, enquanto foca em controlar os secretários, o setor cumpre mal sua função principal: produz pouco material oficial e deixa de informar os taioenses sobre diversas ações e projetos do Executivo.
Contratos com mídia comercial e ‘efeito papagaio’
A gestão municipal taioense segue apostando no modelo tradicional de pagar mídia comercial para repetir informações oficiais.
Esses contratos têm valores significativamente mais caros do que os pactuados com o comércio local.
Além disso, em vez de buscar mais informações, os veículos beneficiados, acomodados pela garantia do pagamento, raramente investigam ou produzem conteúdo adicional sobre as ações do Executivo.
O resultado é um cenário onde o controle interno é maior do que a transparência externa, enquanto o dinheiro público é gasto de forma questionável.
Por que tudo isso acontece?
Ainda não se sabe exatamente o que motiva esse rígido controle interno. Fontes ouvidas pela reportagem sugerem que decisões de comunicação podem refletir interesses e disputas não totalmente identificados.
Uma coisa, porém, é certa: há necessidade de uma assessoria especializada, que inclua técnicas de oratória e comunicação com a imprensa, além de uma ampla revisão das práticas de comunicação da Prefeitura de Taió.
A situação evidencia a urgência de uma gestão mais aberta, capaz de informar a população sem depender apenas de discursos confusos ou de veículos contratados para repetir mensagens oficiais.
Para os taioenses, isso significaria mais transparência e melhor uso dos recursos públicos.