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Seminário debate políticas públicas para pessoas com fibromialgia em Itajaí

Dados do Ministério da Saúde revelam que a enfermidade afeta cerca de 3% da população brasileira

Por Redação

13 de novembro de 2025

às 17:00

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Estima-se que cerca de 150 mil catarinenses, em especial mulheres, convivam diariamente com as dores e os desconfortos da fibromialgia. Dados do Ministério da Saúde revelam que a enfermidade afeta cerca de 3% da população brasileira, sendo as mulheres as mais atingidas — aproximadamente de sete a nove em cada dez pacientes.

A síndrome é caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga, distúrbios do sono e outros sintomas, exigindo tratamento multidisciplinar.

O Parlamento catarinense se destaca no cenário nacional com uma legislação inédita que equipara as pessoas com fibromialgia ao status de pessoa com deficiência (PcD), garantindo direitos de atendimento e benefícios.

Para discutir políticas públicas sobre o tema, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, por iniciativa do deputado Maurício Peixer (PL) e em parceria com a Escola do Legislativo, promoveu um ciclo de quatro encontros regionais. O último deles ocorreu nesta quarta-feira (13), em Itajaí, com o Seminário Regional sobre Fibromialgia, que reuniu gestores públicos, profissionais da saúde, pacientes e familiares para trocar experiências e propor ações que melhorem a qualidade de vida de quem convive com a doença.

Doença invisível e dor constante
Autor da Lei 18.928/2024, que reconhece as pessoas com fibromialgia como PcD, o deputado Maurício Peixer destacou a importância dos encontros regionais para fortalecer políticas públicas voltadas aos pacientes.

“São ações como essa que dão visibilidade a essas pessoas. Este ano, o Parlamento promoveu quatro encontros sobre o tema”, ressaltou o parlamentar.

Peixer lembrou que, por muito tempo, a fibromialgia foi considerada uma “doença invisível”. “Quem tem essa doença é invisível aos olhos da sociedade. Agora essas pessoas são vistas, porque o assunto ganhou dimensão estadual e nacional. A própria lei federal se baseou na nossa legislação estadual”, afirmou.

Apesar dos avanços, o deputado reconhece que ainda há desafios. “Precisamos evoluir no tratamento. A fibromialgia não tem cura. A dor não passa. Mas podemos ampliar as formas de cuidado”, disse, citando o trabalho do Centro de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CEPICS), de Itajaí, como exemplo de referência.

Segundo Peixer, a lei também criou a Carteira de Identificação das Pessoas com Fibromialgia, emitida pela Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE). “Até o momento, já foram emitidas cerca de 10 mil carteirinhas”, informou.

Visibilidade e acolhimento
A vice-presidente da Associação Catarinense de Pessoas com Fibromialgia, Andreia Silva Soares, convive com a doença há 15 anos e afirma que o maior desafio é tornar a dor visível.

“A fibromialgia não é aparente. Convivemos com dor crônica todos os dias, mas quem nos olha não enxerga. Somos vistos como pessoas normais”, relatou.

Para Andreia, a carteirinha representa um avanço simbólico e prático. “Ela trouxe conforto e reconhecimento. Ganhamos visibilidade e prioridade no atendimento”, avaliou.

A paciente também reforçou a importância dos seminários para a troca de informações e o fortalecimento da rede de apoio. “Descobri a doença há 15 anos, depois de um acidente doméstico. Passei por uma gestação com dor e tomando medicamentos. Hoje sabemos que há um componente genético”, contou.

Tratamentos integrativos
A homeopata Tami Calil, uma das palestrantes do evento, apresentou as 29 práticas integrativas que podem auxiliar no tratamento da fibromialgia. “Trabalhamos corpo e mente. A ansiedade e a depressão são tratadas junto com as dores físicas, para melhorar a autoestima e o bem-estar das pacientes”, explicou.

O CEPICS de Itajaí oferece diversas dessas práticas como parte da abordagem multidisciplinar:

Terapia Comunitária Integrativa (TCI) – grupo de apoio e tratamento que promove a troca de experiências entre pacientes;

Outras Práticas Integrativas e Complementares (PICS) – como acupuntura, auriculoterapia, meditação e aromaterapia, voltadas à saúde mental, emocional e física.

Fonte: Valquíria Guimarães
Agência AL

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