- A informação que gera opinião!

Vereador denuncia: Município vai jogar fora mais de meio milhão de reais por ano com abandono da municipação do lixo.

Custo mais alto, contrato com aparente erro grave e prejuízos sociais, aponta vereador Eder Ceola.

Por Redação

13 de agosto de 2021

às 20:02

Compartilhe

 A decisão do prefeito Horst Alexandre Purnhagen (MDB) que enterrou a iniciativa da municipalização do lixo trará prejuízos acima de meio milhão de reais por ano aos cofres da prefeitura de Taió (SC), no Alto Vale do Itajaí. A denúncia é do vereador Eder Ceola (Podemos).

 O parlamentar discutiu a polêmica recontratação de uma empresa privada para fazer o serviço de coleta, nesta quinta-feira (12), com representantes da Associação Recicla Rio do Sul. A entidade operou o sistema da triagem dos materiais durante um ano, em um galpão, na localidade de Ribeirão da Erva, interior do município taioense. O projeto foi abandonado no início deste mês pelo poder executivo municipal.

 Pagando mais caro

 De acordo com a denúncia do vereador, dentro da oferta feita pela associação, a prefeitura de Taió pagaria R$ 280,00 por tonelada de lixo recolhido para reciclagem. Já a recontratação da empresa DML Coleta e Transportes de Resíduos Ltda apresenta custo de R$ 380,00 – R$ 100,00 mais caro – pela coleta e destinação de cada tonelada de materiais. Ou seja, podendo pagar R$ 84 mil, a prefeitura gastará cerca de R$ 114 mil por mês, a partir de agora.

 Com base nesses números, o custo, em 12 meses de vigência do contrato, atingirá R$ 1,36 milhão, valor que aparecia no Portal da Transparência antes de a prefeitura, misteriosamente, mexer e baixar os números do acordo. Por outro lado, se o serviço fosse prestado pela associação, a despesa do executivo poderia ficar em torno de R$ 1 milhão, o que representaria uma economia inicial de R$ 360 mil por ano. 

 Erro de cálculo e mais prejuízos

 O volume médio mensal de lixo produzido na cidade de Taió é de 350 toneladas. Deste total, a associação reciclava aproximadamente 50 toneladas de resíduos por mês, volume que não precisava ser transportado para o aterro sanitário, em Otacílio Costa, na Serra Catarinense.

 Justamente nesse ponto, o atual contrato de recolhimento do lixo apresenta um suposto erro, básico, mas grave, segundo Ceola. É que esses 50 mil quilos de material não teriam sido incluídos no cálculo dos custos da tercerização.

 Portanto, colocando a associação de escanteio, a administração municipal não continuará a pagar pela remoção de 300 toneladas mensais, e sim, terá que voltar a desembolsar, todo mês, com o transporte das 350 toneladas. Quer dizer, custo anual de mais R$ 228 mil.

 Somando o valor mais caro pago por tonelada às despesas com o transporte do lixo que deixará de ser reciclado, os prejuízos saltam para R$ 588 mil.

 Risco de outros custos

 Além de mais de meio milhão de reais de perdas, há a probabilidade de surgir algum aditivo ao contrato para a prefeitura conseguir fechar as contas com a DML ou podem aparecer gastos extras até mesmo com eventual pagamento de alguma empresa de reciclagem de lixo que, inclusive, é uma exigência legal até o ano de 2030.

 Se isso ocorrer, especula-se que o rombo, no período de apenas um ano, possa atingir R$ 1,7 milhão por causa do encerramento do programa de reciclagem em Taió.

 Drama: Prejuízo social

 A Associação Recicla Rio do Sul, que também atua com os mesmos serviços nos municípios catarinenses de Rio do Sul e Pouso Redondo, foi pega de surpresa e sofreu um duro golpe com o cancelamento da iniciativa da municipalização da coleta de lixo em Taió.

 A entidade já precisou demitir 18 dos seus 26 trabalhadores. Os operários atuavam no galpão da reciclagem, na localidade de Ribeirão da Erva, que corre o risco de ser fechado, e três deles também ajudavam a prefeitura correndo atrás do caminhão de coleta na hora de recolher o material nas residências – de graça. Agora, estão desempregados e sem a fonte de renda que alimentava suas famílias.

 Por causa do aumento de gastos provocado com o fim do projeto especial do lixo, o vereador Eder Ceola desabafa: “São R$ 100 reais [por tonelada] que Taió perde, é mais de meio milhão de reais que poderia ser colocado na saúde, onde vemos a falta de exames, a falta de ressônancias magnéticas e pessoas com câncer avançado que só descobriram a doença tarde demais porque os diagnósticos saíram atrasados.”

 Confira mais detalhes do encontro do vereador Eder Ceola com representantes da associação, no VÍDEO.

 Fonte: Da Redação

Últimas notícias

Só em maio de 2022, remuneração dos 28 gestores municipais consumiu quase meio milhão de reais. Saiba quem são os campeões de ganhos na região.
VEJA! Após pressão, governo acaba de anunciar asfalto nas margens Direita e Esquerda, entre Mirim Doce e Taió
Quase meio século depois - mais uma vez em véspera de eleição -, políticos voltam a dividir eleitores que moram às margens de rio. É nova trapaça em busca de votos?