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Vereador se diz espantado com secretário que acumula funções complexas em prefeitura

Secretário de Assistência Social também ganhou papel de Assessor de Imprensa. Com múltiplas funções, aparece ainda em TV Online que conseguiu contratos de R$ 50 mil com Prefeitura e Câmara.

Por Redação

20 de agosto de 2021

às 12:00

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 O vereador Eder Ceola (Podemos) manifestou seu espanto com o acúmulo de funções exercidas, em tese, pelo atual secretário de Assistência Social e também Assessor de Imprensa da prefeitura de Taió, no Alto Vale do Itajaí (SC). O parlamentar tenta entender de que jeito Jeferson Kniess (Republicanos) consegue atuar em tantos lugares ao mesmo tempo, especialmente em dois cargos com atividades tão complexas, importantes e absorventes, diretamente ligados ao prefeito Horst Alexandre Purnhagen (MDB).

 Não bastasse a atuação dupla, Jeferson Kniess ainda é presidente do Republicanos, aparece em uma TV Online da cidade e tem tempo até para discursar na Câmara de Vereadores. Na última segunda-feira (16), por exemplo, Kniess teceu autoelogios no legislativo ao falar como assessor de imprensa, sem ser jornalista: “Eu fico muito feliz que ele [Alexandre] reconheceu isso em mim, a capacidade de redação e de produção de textos que eu tenho, muito pela minha experiência em rádio”.

 Clone?

 Oficialmente, Jeferson Kniess possui um único contrato de trabalho com a prefeitura de Taió, o de ‘Secretário Municipal de Assistência Social’. Com essa nomeação estratégica, escapou de ganhar o salário mais baixo de assessor de imprensa. Em julho, a remuneração dele foi de R$ 6.104,37.

 Porém, a carga horária, de 200 horas por mês, levanta a pergunta: como e quando ele arranja tempo para cumprir a outra função, a de assessor de imprensa?

 Apesar da carga horária parecer inconciliável para o exercício de duas funções, Kniess afirma: “Esse meu trabalho [assessor de imprensa] não atrapalha a assistência social”. Ele também ressalta que atende o setor de imprensa “sem cobrar nada”, sem receber “nenhum centavo a mais”, que faz “muita coisa no final de semana e depois do horário de expediente” e “gerando economia ao município”.

 Cadeira vazia

 Formada praticamente pela mesma equipe há cerca de duas décadas, a Secretaria Municipal de Assistência Social de Taió é conhecida pelo seu corpo técnico bem capacitado. A pasta até chegou a ficar dois anos sem ocupante no cargo de secretário durante a gestão do ex-prefeito Almir Reni Guski (PSDB).

 O vereador Eder Ceola reforça que, atualmente, segue dispensando esse agente político. A partir daí, conclui-se que, na secretaria, Jeferson Kniess tem uma posição aparentemente mais figurativa, exercendo, de fato, atividades de assessor de imprensa da prefeitura.

 Grave: ao responder críticas, Kniess entrega esquema absurdo de comércio de notícias “sob contrato”

 Enquanto carrega autoelogios sobre sua capacidade redacional, a atuação de Kniess como assessor de imprensa encontra desaprovação entre profissionais de outros veículos de comunicação.

 De um lado, a crítica é por tirar a vaga de um profissional com graduação em jornalismo. De outro, é que os informes da prefeitura seriam repassados, primeiro, para empresas como a TV Online – onde ele atua e a esposa Brenda Jahn Kniess é “colaboradora” – e, só depois, para outros veículos.

 Questionado sobre suas reprovações, atente para o teor da defesa de Jeferson Kniess, que declara: “O envio do conteúdo produzido pela Prefeitura, é postado nas redes sociais e posteriormente enviado através de link por lista de transmissão no Whatsapp, aos contatos dos meios de comunicação que estão sob contrato, tendo como base, o Facebook/site. O envio é instantâneo a todos, não privilegiando nenhuma empresa.”

 Ao entregar o esquema de envio dos conteúdos aos veículos “sob contrato”, Kniess revela um absurdo; grave e condenável: uma espécide de comércio de notícias.

 Na prática, meios de comunicação que teriam isenção para questionar possíveis irregularidades na administração municipal não são informados de nada do que acontece no executivo. Apenas quem é pago. Mas quem é remunerado para noticiar – nessa amarração antiética – perde a liberdade de fazer cobranças ou críticas à gestão. Dessa forma, neste tipo de pacto, o público é extremamente prejudicado. Em vez de consumir notícias de verdade, é obrigado a engolir propaganda disfarçada de notícia.

 Por tudo isso, jornalismo não pode ser comprado, se quiser ser independente e fiel à audiência.

 Cabresto: R$ 180 mil

 Nos contratos de canais que recebem dinheiro da prefeitura taioense aparecem: Rádio Educadora Taió Ltda (R$ 3 mil/mês), Rede Serrana de Radiodifusão – Demais FM (R$ 3 mil/mês), Fundação Osny José Gonçalves – RBA TV (R$ 300,00/inserção de vídeos institucionais) e Red Web TV Online Ltda (R$ 3 mil/mês).

 Estima-se que, somente em 2021, executivo e legislativo gastem mais de R$ 180 mil com mídia.

 Contratos da TV Online onde Kniess aparece

 A emissora onde o secretário e assessor participa da programação é a “Red Web TV Online Ltda”. Integrantes da empresa trabalharam na campanha política da chapa que venceu o último pleito: Horst Alexandre Purnhagen (MDB), prefeito, e seu vice, Émerson Grunfeldt (Republicanos).

 A TV possui dois contratos de serviços com o poder público que somam R$ 51,6 mil.

 Um deles foi firmado com a Câmara de Vereadores (Contrato Superior: 09/2021. Licitação: 2/2021), no valor de R$ 15.600,00, com vigência de 26 de julho de 2021 a 31 de dezembro deste ano, para transmissão das sessões legislativas de Taió no Facebook e Youtube da Câmara e streaming no site da empresa, além de produção e veiculação audiovisual do “Minuto do Legislativo”. O acordo chamou a atenção, pois a Câmara de Taió foi pioneira na transmissão das sessões por conta própria e sem custo extra.

 O outro contrato foi estabelecido com a prefeitura taioense (Contrato Superior: 23/2021. Licitação: 31/2021). O edital de credenciamento traz o preço de R$ 25 mil, mas o serviço foi homologado pelo prefeito Alexandre com o valor de R$ 36 mil. A fonte dos recursos ordinários citada é o “gabinete do prefeito”. Além da produção e divulgação de materiais de interesse da prefeitura, o termo pede a presença de um “membro” da equipe da TV nas reuniões de pautas da semana realizadas pela assessoria de comunicação. E impõe que todos os materiais deverão ser veiculados “com a autorização e verificação do responsável pela assessoria de comunicação do município”.

 Doze meses; de abril a dezembro?

 Chama a atenção que o termo de homologação do contrato entre a TV Online e a prefeitura prevê a “quantidade” de 12 meses de prestação dos serviços, com valor mensal de R$ 3 mil. Porém, a validação ocorreu em 19 de abril e a vigência prevista no contrato, até 31 de dezembro, dá apenas 9 meses.

 Multiplicando R$ 3 mil por 9, chega-se ao valor de R$ 27 mil, ou seja, R$ 9 mil a menos do que os R$ 36 mil que constam na homologação.

 O rodapé do documento, com data de 27 de abril de 2021, informa: “Emitido por: Carlos Cava”.

 Fonte: Da Redação

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