Na tentativa de sobreviver à precariedade vergonhosa da falta de conservação da BR-470, motoristas já escapam até pelo acostamento em trechos abandonados da rodovia federal na região do Vale do Itajaí, em Santa Catarina. É o caso de quem transita, por exemplo, entre Apiúna e Ascurra, um segmento de asfalto até mesmo mais esburacado que estrada de roça.
‘Panelas e crateras’ formam um verdadeiro ‘queijo suíço’. Inaceitável, a situação representa ameaça de acidentes e mortes de motoristas e passageiros na principal ligação viária entre o leste e o oeste do estado.
Diante de tamanho descaso surgem as perguntas: cadê o Ministério Público Federal (MPF) e a Justiça? Por que não há uma ação mais contundente da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI)? Onde estão os deputados e senadores eleitos para representar os catarinenses? Por que nada faz o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT)?
Vídeo: Cidadão tapa buracos usando pá!
A situação da BR-470 é tão crítica que até moradores próximos à rodovia não aguentam mais o descaso. Já tem gente tomando atitudes impressionantes por conta própria.
É o que mostra um vídeo publicado no Facebook no último sábado (18). As imagens registraram a movimentação de um cidadão que usa uma pá para carregar brita acumulada no acostamento e tapar buracos no trevo da BR que dá acesso ao bairro Canoas, em Rio do Sul (SC).
Arriscando-se junto ao fluxo de veículos para fazer a boa ação da “pequena reforma”, o benfeitor se diz cansado de promessas e alerta que “muitos acidentes aconteceram já” naquele local.
Na gravação, o homem desabafa: “o DNIT está, até hoje, prometendo; e nada acontece”.
É a população, até com pá em mãos, tentando amenizar um problema grave que o poder público – vergonhosamente -, parece ignorar. VEJA!
Políticos vão por cima
Políticos, dificilmente, têm coragem para usar a BR-470 e enfrentar o verdadeiro rally imposto pela precariedade da rodovia. No entanto, enquanto eles dispõem de helicóptero para fazer seus deslocamentos confortáveis em visita à região, os contribuintes de impostos são obrigados a enfrentar os solavancos e todo tipo de riscos.
Com frequência, é possível encontrar veículos parados fora da pista com problemas mecânicos provocados pela via esburacada.
Também é comum ver motoristas trocando pneus que acabaram estourando com as pancadas traiçoeiras na buraqueira sem fim.
Freadas bruscas que espalham cheiro de borracha queimada e invasão da pista contrária para desviar das ‘crateras’ fazem parte do ‘show de horrores’ da BR-470.
O perigo aumenta durante a noite. E também em períodos de chuva quando os buracos ficam cheios de água e o motorista tem ainda mais dificuldade para adivinhar onde estão as armadilhas.
Péssimo; e piorando…
Defasada, a BR-470 não tem previsão para ser duplicada.
E mais: sem os investimentos necessários em melhorias, a deterioração do asfalto avança depressa nos últimos anos, especialmente em direção ao interior de Santa Catarina.
O descaso inclui até mesmo a não realização dos remendos de emergência.
Em alguns pontos que aguardam reparo de massa asfáltica é possível ver até uma situação surreal: barro sendo usado para tapar as ‘panelas’.
Cuidado!
Além de Ascurra e Apiúna, o estado de abandono da rodovia catarinense tem arapucas esperando os motoristas em diversos outros trechos que cortam o Vale do Itajaí.
Os condutores também precisam contar com a sorte – ou proteção divina – nas travessias dos municípios de Rodeio, Ibirama, Rio do Sul, Trombudo Central e Pouso Redondo.
Todo o cuidado é pouco.
DNIT de braços cruzados?
De acordo com nota recente da assessoria de imprensa do DNIT de Florianópolis ao portal Alto Vale Agora, o segmento compreendido de Indaial (km 73,2), passando pelos municípios do Alto Vale do Itajaí e terminando em Ponte Alta (km 199,6), já na Serra Catarinense, estava com licitação marcada para o último dia 4 de agosto de 2021.
Os serviços de restauração deverão permitir sanar os segmentos mais críticos da rodovia, informou o órgão rodoviário da União.
Agora, após novo contato, continuamos aguardando informações do DNIT para atualizar a situação. Desta vez, de Brasília, da assessoria da autarquia federal vinculada ao Ministério da Infraestrutura.
Fonte: Da Redação