Quais TVs, rádios, revistas e jornais receberam o dinheiro público? Quanto foi para cada um? E qual serviço foi prestado? Abrir essa suposta “caixa-preta”, agora, está nas mãos dos demais vereadores.
O Portal da Transparência da Prefeitura de Rio do Sul (SC) desmente o dado do ano de 2021 apresentado pela vereadora Sueli Terezinha de Oliveira (PSD) após questionamentos no legislativo sobre os valores gastos pelo executivo com publicidade e propaganda. Com base nos números disponíveis na plataforma, a equipe do Alto Vale Agora constatou que o montante é mais que o dobro do valor informado pela líder do governo na tribuna da Câmara Municipal.
De acordo com Sueli, o custo foi de R$ 300 mil no ano passado aos cofres públicos. No entanto, o valor apurado pela nossa reportagem identificou “empenhos emitidos” e “pagamentos” de R$ 693,7 mil.
Os valores são direcionados à agência oficial de propaganda da gestão do prefeito José Thomé (PSD), a Ezcuzê, de Florianópolis (SC), que acompanha o político desde o primeiro mandato.

Além disso, o vereador Cláudio Azevedo (DEM) contestou a lei que a vereadora citou como base para sustentar a contratação da agência, bem como divergiu da especificidade do serviço prestado pela empresa.
O número inconsistente dos gastos, as discordâncias entre os parlamentares municipais e a preocupação com esse tipo de despesa em ano eleitoral marcaram a sessão ordinária do legislativo rio-sulense na última segunda-feira (30). VEJA!
“Grandes volumes”: com o quê e com quem?
Um grupo de vereadores vem questionando as “altas” despesas com meios de comunicação por parte da gestão do prefeito José Thomé (PSD).
No início de maio, o administrador municipal firmou um novo contrato de 12 meses com a Ezcuzê. O valor estimado é de R$ 850 mil.

No entanto, a agência de publicidade e propaganda já serve o executivo desde 2018. Conforme relatamos anteriormente, os gastos totais apontam para a casa dos R$ 3,2 milhões.
Este ano, os “empenhos emitidos” somam R$ 224,6 mil. Os “pagamentos” já efetuados à Ezcuzê chegam a R$ 196,6 mil, segundo dados consultados no Portal da Transparência em 1º de junho.

Só em maio, há registro de 11 pagamentos. O total atingiu R$ 95,4 mil. A maior transferência, no último dia do mês, foi de R$ 55,8 mil. O valor é quase quatro vezes maior que a média mensal do ano passado apresentada pela vereadora Sueli Terezinha de Oliveira – em desacordo com o Portal da Transparência.
Caixa-preta?
A plataforma não traz detalhes sobre quais foram os serviços específicos prestados, nem em quais TVs, rádios, revistas, jornais, entre outros meios, houve divulgações.
Por conta disso, cresce a pressão para que os vereadores rio-sulenses encaminhem um pedido de informação ao executivo. O objetivo é, finalmente, abrir a suposta “caixa-preta” da publicidade oficial do município.
Somente dessa forma será possível revelar como o dinheiro foi empregado, quais meios de comunicação foram pagos e quais os critérios usados na distribuição do bolo da verba publicitária milionária.
Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora
Máquina de propaganda de José Thomé acumula gastos de R$ 3,2 milhões com agência de publicidade