Não batendo o ponto eletrônico no intervalo do almoço durante um ano e sem ser repreendido pela irregularidade, um médico concursado que atua em um posto de saúde da prefeitura de Taió (SC) é apontado por fraudar o registro do horário da sua verdadeira jornada de trabalho. Com a manobra, ele teria embolsado em torno de R$ 7 mil reais a mais por mês de dinheiro público; até o esquema ser descoberto.
A denúncia foi apresentada pelo vereador Eder Ceola (Podemos) na tribuna da Câmara Municipal durante a sessão ordinária realizada na última terça-feira (14).
A base que sustenta o relato do novo escândalo na saúde do município são cópias de documentos extraídos do Portal da Transparência.
Registrando a entrada às 8 horas da manhã e a saída somente às 5 da tarde no relógio da Secretaria de Saúde, o plantonista gerava, mensalmente, 32 horas extras fixas, segundo Ceola. Em tese, seria como se o médico não parasse para almoçar.
O preço da irregularidade recai – perigosamente – sobre pacientes, expõe o vereador: “Gente, dava pra fazer 300 ressonâncias! Quantos tem na fila hoje? Duzentas ressonâncias!”, respondeu ele mesmo referindo-se ao que daria para realizar – com ampla folga – se a soma dos valores pagos indevidamente por 12 meses tivesse sido aplicada na demanda urgente.
Nem o nome do plantonista, nem a unidade de saúde à qual ele está ligado foram divulgados ao microfone no legislativo.
Ao fazer a denúncia, o parlamentar municipal voltou a subir o tom contra a secretária de Saúde, Rozi Terezinha de Souza: “Ela não vê que o médico não bate ponto ao meio dia. Ela brinca com o dinheiro público!”, disparou.

Responsabilidade
Ao revelar a irregularidade, o vereador apontou Rozi de Souza como responsável direta pela fraude: “E sabe o que é o pior? Quem assina a folha do médico é a secretária de Saúde. Engraçado, contrata um funcionário, tu vai pagar no final do mês e não vê que ele não tá batendo ponto ao meio dia”, ironizou.
Com os documentos usados para comprovar sua denúncia na tribuna, Ceola também refutou a crítica de “perseguição pessoal” à secretária; e intimou: “Ela devolva esses R$ 7 mil por mês que o médico fez!”
Após dizer que já pediu “dez vezes” que o prefeito Horst Alexandre Purnhagen (MDB) demita Rozi de Souza, o vereador foi contundente: “Politicamente, pra mim, é melhor que ela fique lá, porque ela é muito ruim. Eu cresço demais com ela lá, mas a gente tem que parar de pensar politicamente e pensar nesse povo que tá na fila… A gente não dá conta, vocês sabem que não damos conta dos pedidos de ressonância. E já podia ter zerado a fila”, reafirmou.
Ceola contou que logo depois da sua fiscalização resultar no recebimento dos documentos pedidos ao setor de Recursos Humanos (RH) da prefeitura, “ele [o médico] começou a bater as horas certas, agora. Ele bate ao meio dia”, informou.
A mudança, de acordo com o vereador, “comprova totalmente que ele estava errado”, finalizou Eder Ceola.

Veja o VÍDEO da denúncia
Espaço aberto
Como já informamos, a assessoria de imprensa da prefeitura de Taió divulga informações de seu interesse apenas em veículos de comunicação contratados e pagos.
Este não é o caso do portal Alto Vale Agora, que faz jornalismo independente.
Ainda assim, como sempre, em respeito à ética, nosso espaço fica à disposição para eventual esclarecimento por parte secretária de Saúde de Taió, Rozi Terezinha de Souza, do médico concursado e do prefeito Horst Alexandre Purnhagen.

Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora