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ESTRANHO: Prefeito ignora imprensa e esconde prestação de contas da Festa do Mel

Procurado há quase dois meses, Genir Antônio Junckes (MDB) ainda não respondeu pedido de informação do portal Alto Vale Agora. Município de Santa Terezinha (SC) deu ‘ajudinha’ recorde de quase R$ 180 mil à terceirizada – que ficou livre para embolsar todo lucro com evento.

Por Redação

30 de novembro de 2022

às 14:25

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Procurado há quase dois meses, o prefeito de Santa Terezinha (SC), Genir Antônio Junckes (MDB), mantém um estranho silêncio: ele ainda não deu nenhuma resposta ao pedido de informação endereçado à administração pelo portal Alto Vale Agora sobre a prestação de contas da 14ª Festa Regional do Mel e do 31º Aniversário de Emancipação Político-Administrativa do município do Alto Vale do Itajaí.

A prefeitura causou espanto a moradores com o evento realizado de 22 a 25 de setembro no Parque Municipal Mata Nativa.

É que o executivo deu uma ‘ajudinha’ de R$ 179,8 mil à terceirizada, que foi escolhida através de licitação. Foi a maior contrapartida da história à festividade.

Não bastasse ter injetado todo esse montante de recursos públicos na festa, a prefeitura ainda deixou a empresa livre para embolsar todo eventual lucro – sem precisar devolver nenhum centavo. Ou seja, do investimento oficial, houve ‘retorno zero’ para o município.

Genir Antônio Junckes, prefeito emedebista de Santa Terezinha. (Foto: Divulgação/Arquivo)

Pelos termos da contratação que foram publicados no Portal da Transparência, a DCX Eventos, de Indaial (SC), ganhou o direito a 100% da arrecadação com a venda de bebida e da comercialização dos espaços para a praça de alimentação, expositores, parque de diversão e guarda-volumes.

A vencedora do pregão presencial também ficou com toda a venda das cotas de patrocinadores e anúncios em telões, além do valor recolhido com a bilheteria do show nacional do cantor e compositor Amado Batista, que se apresentou no domingo (25/09), único dia que houve cobrança de ingressos.

Show de Amado Batista cobrou entrada. (Foto: Divulgação)

Mudez

Como o contrato entre a prefeitura e a DCX Eventos não continha nenhuma cláusula de confidencialidade, a sonegação das informações requisitadas para fins jornalísticos provoca ainda mais perplexidade.

O acordo definiu a criação de uma Comissão Central Organizadora (CCO) do município. Além disso, o próprio prefeito aparecia como “fiscal” no detalhamento da consulta ao contrato no Portal da Transparência.

Será que a prefeitura de Santa Terezinha custeou lucro alheio e, por esse motivo, existiria o constrangimento de falar sobre o caso?

A comunidade está com a pulga, ou melhor, a abelha, atrás da orelha…

Sede do executivo terezinhense. (Foto: Frederik Pardal/Internert)

Segredismo

O ofício encaminhado ao prefeito Genir Antônio Junckes tem data de 4 de outubro de 2022.

O documento, que finaliza agradecendo a “atenção e o atendimento à demanda”, contém cinco perguntas relacionadas às comemorações.

Abaixo, separamos os questionamentos que, misteriosamente, permanecem ignorados pelo gestor público municipal. Acompanhe:

1)         Qual foi o número de visitantes na edição de 2022? O público superou as expectativas? Foi maior ou menor do que a quantidade de pessoas em anos anteriores?

2)         Qual o balanço oficial do evento no quesito “faturamento” (bruto/líquido)? Houve lucro, ou prejuízo?

3)         A DCX Eventos cumpriu todas as cláusulas acertadas na contratação?

4)         O contrato com a DCX Eventos não estabeleceu nenhuma participação do Município em caso de eventual lucro. Assim sendo, a Prefeitura possui alguma estratégia para reaver a contrapartida oficial dada à festividade que, segundo dados do Portal da Transparência, foi da ordem de R$ 179,8 mil?

5)         Vossa Excelência gostaria de acrescentar algo ao assunto?

Nada disso obteve resposta.

Sem dados fornecidos por Genir, balanço da Festa do Mel é segredo. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Reprodução/Arquivo)

Alô! Alguém aí?

Senhores vereadores e senhora vereadora, vossas senhorias têm o dever de cumprir o seu papel de fiscalizar o executivo.

Portanto, alguém de vocês já solicitou o balanço financeiro da Festa do Mel?

A prefeitura deveria bancar todo esse valor recorde, uma vez que, como dizia o Anexo I do edital, “a empresa contratada obterá considerável lucro”?

Os números serão fiscalizados e comparados com o faturamento dos anos anteriores?

Poderá surgir motivo para exigir redução, devolução – ou até mesmo extinção – de eventual contrapartida municipal já na próxima edição da Festa do Mel?

A prefeitura deve reassumir e gerar receita ao município com a realização do evento por conta própria?

Democraticamente, nosso espaço permanece aberto ao legislativo – e também ao prefeito, caso mude de ideia e decida prestar os esclarecimentos.

Vereadores da Câmara Municipal de Santa Terezinha. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Reprodução/Arquivo)

(Contrato nº. 53/2022; Licitação nº. 16/2022; Modalidade: Pregão Presencial; Forma de Julgamento: Menor Preço Global; Situação: Homologado/Execução | Anexo I: Processo Licitatório nº. 26/2022, Pregão Presencial nº. 16/2022, Termo de Referência | Empenho: nº. 5489/2022, 26/08/2022)

Fotomontagem de Capa: Alto Vale Agora/Reprodução

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