“Quem te viu, quem te vê!” – De amigo do prefeito em banquete, com direito a suculentos nacos de costela no espeto, para uma espécie de político ‘lança-chamas’ contra Horst Alexandre Purnhagen (MDB) na Câmara Municipal, em Taió, no Alto Vale do Itajaí (SC). Essa é a ‘versão 2023’ do, até então, cabisbaixo vereador William Henrique Noriller (PSD).
Ao falar na tribuna durante a sessão da terça-feira (21), o parlamentar taioense partiu para o ataque: “A cidade está esquecida, a prefeitura parece que tá acéfala”. Sem cabeça, sem chefe, quis dizer.
“Nosso prefeito tá perdido!”, criticou ele, ao destoar completamente da posição anterior de silêncio em relação às inações do governo municipal.

O discurso, municiado de julgamentos e hostilidade, detonou de vez a fase ‘paz e amor’. E a explosão, que abriu ‘crateras’ políticas entre ambos, foi além.
William cobrou a compra de um carro e uma van com recursos viabilizados por deputados da legenda e pressionou por causa da paralisação de obras de calçamento em três ruas, apesar da garantia do partido de liberação de recursos de R$ 1,6 milhão.
Ao reclamar que não recebeu resposta ao requerimento que pede qual o valor do superávit financeiro da prefeitura em 2022, que imagina ser de R$ 11 milhões, disparou: “Talvez o prefeito esteja perdido também, ou talvez esse dinheiro fica bem guardado. Até porque, ano que vem tem eleição, e começem as obras a acontecer a partir do mês que vem, para que o povo esqueça do que já passou por esses dois anos”. Com “o agricultor esquecido, o comerciante esquecido, a cidade, ela parou no tempo”, alfinetou.
“Ainda mais sabendo que o prefeito tinha dinheiro em caixa”, lombadas e faixas elevadas também deixaram de ser instaladas na cidade, queixou-se.
Depois de pedir “cuidado” aos colegas “porque a prefeitura também joga” ao responsabilizar os vereadores pelo aumento do preço dos alvarás deste ano, Noriller ainda discordou da prioridade dada por Purnhagen na execução de outro projeto: “Começou as obras já aqui nessa Acaf [Associação Catarinense de Amparo à Família] pra educação. Secretaria de Educação tem aqui dentro do Paço Municipal, então, mais importante seria no cemitério”.
Nem a retirada de uma placa escapou da acidez: “Pra vocês ver [sic], como o nosso prefeito tá perdido. Ele trabalha na prefeitura, mas ele não viu que tiraram o nome do seu Harry Leopoldo Gomes da frente da prefeitura”, ironizou.

Decifrando a mudança drástica
Para entender o processo de radicalização que levou Noriller a sair da ‘moita’ e passar a crítico ferrenho do atual prefeito, basta dar uma rápida olhada nos fatos passados.
Conforme acordo estabelecido com Alexandre, William assumiu a presidência da Câmara no período de 2021 e 2022 e, na sequência, emplacou no cargo o seu colega de partido, Ricardo Oenning, o “Kakay”. Apesar disso, há rusgas e mágoas.
Os pedidos de Noriller aos secretários de governo, como cascalhamento de ruas para contemplar sua base eleitoral, sequer estavam obtendo respaldo e atendimento da parte da equipe do prefeito.
Isso representa uma afronta a qualquer político, visto que o legislativo é uma Casa que costuma ser usada pelos seus ocupantes como ferramenta de barganha junto ao executivo. Aliás, já havia até relato de bate-boca dele e lideranças do primeiro escalão dentro de estabelecimento comercial de Taió.
Mas não é só. Ex-presidentes do legislativo sempre ganharam várias oportunidades de assumir como prefeito em exercício; por até quase duas semanas. Foi o caso, por exemplo, de Tiago Maestri (Podemos). Entretanto, o MDB nunca deu tal chance a William, que não teve permissão nem para ser ‘prefeito por um dia’.
Aparentemente, houve outros entraves de bastidores, e Noriller também parece ter ‘engolido sapos’ na reta final da presidência.
O silêncio e o isolamento serviram para afastar o risco de ainda perder “kakay” como seu sucessor. Afinal, se isso tivesse ocorrido, a estrutura de domínio criada em torno do legislativo cairia por terra de vez.

Quem é o ‘coitado’?
O cidadão mais desavisado pode até achar que Noriller é uma pobre vítima. Entretanto, o eleitor atento já conhece esse ‘mecanismo’.
Afinal, entre 2017 e 2020, William havia atuado quatro anos como secretário do legislativo, com alto salário e sem ações práticas, em um ambiente de pouco trabalho. Por si só, tal realidade mina a moral dele de apontar o dedo.
Então, qual seria a real mudança do comportamento de Noriller? Os ataques a Alexandre têm como objetivo fortalecer o partido do vereador, aproveitando-se que a atual gestão não vai bem? Tentam viabilizar uma vaga para sua eventual candidatura a prefeito? Ou seguem a mesma estratégia de décadas: manter o Poder Legislativo taioense nas rédeas do domínio total?
Nesse contexto do jogo político, quem sempre acaba perdendo é Taió. O povo é que deixa de ter um plano de governo sólido e sofre sem ações concretas para beneficiá-lo.
Pelo visto, resta a politicagem, cuja verdade completa, também neste caso, o tempo deverá comprovar.
Porém, enquanto isso, o novo ‘trabalho’ do vereador William Henrique Noriller, este, já é realidade: atacar o prefeito Alexandre, COMO MOSTRA O VÍDEO COMPLETO. VEJA!
E aí?
Como se percebe, a guerra expõe a conveniência do tipo “toma lá, dá cá” na política, inclusive, em Taió.
Se as ambições partidárias são atendidas, tem churrasco compartilhado e até silêncio em troca.
Mas quando a relação azeda por conta dos interesses pessoais frustrados, a artimanha é “mudar da água para o vinho” e disparar saraivada de críticas para demonizar o alvo.
O profissionalismo não deveria ser mantido o tempo todo – sem conchavos e em busca do que é melhor para toda a população?
E, você, acredita que não dá para esperar outra coisa de políticos? No mundo deles vale tudo pelo poder, eles que se ‘entendam’ – e que ‘Deus nos proteja’?
Democraticamente, o espaço no portal Alto Vale Agora fica aberto ao vereador Noriller e também ao prefeito Alexandre, apesar da sua gestão se mostrar avessa à mídia independente.
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(10ª Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores de Taió-SC, em 21 de março de 2023 | William Henrique Noriller, funcionário n. 233; Horst Alexandre Purnhagen, funcionário n. 112845)