
Torça para nunca adoecer fora do horário de atendimento comercial. O medo disso acontecer passa pela cabeça da maioria dos trabalhadores e suas famílias, em Salete, no Alto Vale do Itajaí (SC).
E não é por acaso. Se a saúde fraquejar depois que o comércio já fechou as portas, é provável que o paciente até conseguirá uma consulta no pronto atendimento durante a noite ou madrugada.
Entretanto, se o médico prescrever alguma medicação, aí, restará apenas uma saída para quem não conseguir suportar a situação, sem o tratamento recomendado, até o dia raiar: chamar um táxi e pagar por uma corrida na escuridão, caso não tenha veículo próprio e alguém para dirigir.
Serão quase 40 quilômetros pela SC-114, para ir e voltar de Taió, o município vizinho.
Motivo do transtorno: a falta de uma farmácia de plantão em Salete.

Em azul, traçado mostra trajeto de ‘maratona’ que pacientes enfrentam entre Salete e Taió atrás de remédios à noite. (Captura de Tela: Google Maps)
Projeto tenta viabilizar plantão
O vereador saletense Odair José Cirico (União Brasil), que é da oposição, cansou de esperar uma resposta da administração municipal e luta para manter acesa a ‘luz no fim do túnel’.
A ideia do projeto é inspirada em iniciativa semelhante que – há quase 13 anos – instituiu o funcionamento em regime de plantão, com atendimento ininterrupto à comunidade pelo sistema de rodízio, nas farmácias e drogarias em Taió.
No entanto, a matéria do vereador depende de apreciação no legislativo para acabar com o transtorno em Salete.

Sem plantão, farmácias saletenses ficam fechadas no período noturno. (Foto: William Vieira Horn)
Uma vez aprovada esta novidade, o paciente saberia, já ao sair do pronto atendimento, qual a farmácia plantonista indicada na escala daquela noite na cidade.
Bastaria dirigir-se ao estabelecimento, apertar a campainha e aguardar um pouco para ser atendido através de uma janela de fácil acesso ao consumidor. Na sequência, levar a medicação para dar início à terapia em casa. Sem perda de tempo. Simples assim.
O mesmo modelo de revezamento poderia ser adotado nos feriados e finais de semana entre os quatro estabelecimentos existentes no município.

Vereador Odair José Cirico, de Salete. (Foto: Divulgação)
Resistência: o tunel e a luz
Estranhamente, apesar do problema dizer respeito à população de 7,6 mil pessoas, há quem demonstra preferir ‘o túnel no fim da luz’, ou seja, acha que a situação pode ficar do jeito que sempre foi em Salete.

População saletense encontra farmácias abertas somente durante o dia. (Foto: William Vieira Horn)
Segundo o vereador Odair Cirico, recentemente, o executivo convocou uma reunião na prefeitura por causa da interferência de um empresário do setor no caso. Ele representa, em Salete, uma grande rede de drogarias em atividade na região.
Ninguém consegue entender como apenas uma pessoa contrária à proposta queira influenciar e decidir o destino de um município inteiro em relação a um avanço que se apresenta como benéfico para o povo todo.
Enquanto a queda de braços é travada, o drama permanece.

Farmácias sem rodízio noturno: transtorno e risco à população. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Reprodução)
Um taxista confirmou à reportagem que leva pacientes a Taió durante a noite com frequência.
Segundo ele, muitas vezes, a corrida acaba custando mais caro do que o próprio medicamento.
Porém, não é só uma questão de dinheiro. A saúde e a própria vida dos doentes é que podem estar em jogo…
Portanto, fica a pergunta: o que precisa acontecer para que os vereadores finalmente aprovem o início do plantão em regime de rodízio nas farmácias em Salete?

Vereadores saletenses da 15ª legislatura. (Captura de Tela: Reprodução)