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Ato solene homenageia integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens

A deputada Luciane Carminatti (PT) foi quem propôs o evento.

Por Redação

5 de outubro de 2021

às 10:00

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 Especialistas e integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Santa Catarina foram homenageados, na tarde desta segunda-feira (4), em um ato parlamentar solene semipresencial, em comemoração aos 30 anos de atuação em defesa dos direitos dos atingidos, reivindicando um projeto energético popular. A deputada Luciane Carminatti (PT), proponente do evento, enfatizou que o objetivo foi demonstrar reconhecimento e gratidão aos integrantes e especialistas.

 “Não há motivos para agradecimentos pelo evento, porque nós que temos que agradecer a vocês, ainda mais num mundo que prega o individualismo. Temos que agradecer a coragem da criação deste movimento forte nacional, que mostra à população que a luta é coletiva.” A deputada lembrou ainda que entre as conquistas destes 30 anos, destacam-se direitos de reparação para atingidos, reassentamentos coletivos, programas para produção de alimentos saudáveis e produção de energia alternativa.

 Luciane Carminatti ainda citou o exemplo de Dom José Gomes, falecido em 2002, que foi um bispo extremamente ligado às questões sociais, sendo o primeiro presidente nacional do Conselho Indigenista Missionário e também o presidente, no âmbito nacional, da Comissão Pastoral da Terra, quando bispo da Diocese de Chapecó atuou, a partir das pastorais, para o nascimento dos movimentos sociais do campo no oeste de Santa Catarina, entre eles o MST, o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e o MAB. “Dom José está vivo e nos iluminando.”

 Representando todos os atingidos pelas barragens, Rozilene da Luz Soso agradeceu a homenagem prestada pela Assembleia Legislativa e a deputada Luciane Carminatti, destacando que ela representa um povo guerreiro, que não desistiu. Destacou que os atingidos pela barragem de São Roque, a qual representa, estão comemorando essa semana a decisão da construção de um novo reassentamento, que muitos diziam que era impossível de se conseguir.

 Também representando os atingidos pelas barragens, Roque Theobald lembrou do início das lutas contra os grandes empreendimentos e que em Itapiranga, terra onde atua, há mais de 40 anos há projetos para uma barragem que não saiu devido ao movimento. Também destacou a importância do bispo Dom José Gomes, que ensinou a lutar contra o grande capital e organizar o MAB na região, depois no estado e Brasil.

 Observou que nestes 30 anos, o MAB passou a aprofundar o debate sobre os temas relacionados aos impactos dos grandes empreendimentos na vida das comunidades rurais e urbanas e as consequências para o meio ambiente. “Além disso, ao longo do tempo, os atingidos puderam consolidar propostas para um projeto energético popular para o Brasil.”

 Parcerias e reconhecimento

 A militante do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Adriane Canan, enfatizou que as duas entidades estão juntas desde a fundação do MAB e que veio trazer o abraço das mulheres camponesas, contrárias ao modelo capitalista e que defendem um modelo popular no Brasil.

 A representante da Pastoral Social Arquidiocesana da CNBB em Santa Catarina, Carla Cristiane de Oliveira Guimarães, falou da importância do bispo Dom José Gomes para os movimentos sociais da região Oeste. Disse que, em Chapecó, Dom José se envolveu com os oprimidos, promovendo uma ampla atuação através das Pastorais Sociais, como a Pastoral da Saúde, a Operária, a da Juventude e principalmente a da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da qual também foi presidente nacional.

 A presidente da CUT/SC, Ana Júlia Rodrigues, enalteceu a importância do MAB para os movimentos sociais e lembrou que a entidade que representa sempre esteve junto na luta pela vida, pela mudança social e pela luta pela vida. “O capital destrói a vida.”

 Mariah Wuerges, do MAB nacional, enfatizou que a homenagem é uma conquista, um combustível para o movimento continuar a lutar em defesa dos atingidos e por uma mudança de modelo de sociedade, mais popular e menos individualista. Salientou que atualmente o MAB está em 19 estados e atua até em outros países sempre com os mesmos ideais, valorizando lideranças locais e o movimento participativo e coletivo.

 Trajetória

 O MAB nasceu na década de 1980, por meio de experiências de organização local e regional, enfrentando ameaças e agressões sofridas na implantação de projetos de hidrelétricas. Em 14 de março de 1991 se tornou uma organização nacional, que neste ano de 2021 completa 30 anos. Hoje, além de fazer a luta pelos direitos dos atingidos e atingidas, reivindica um Projeto Energético Popular para mudar pela raiz todas as estruturas injustas da sociedade.

 O que é

 O MAB é uma organização coletiva e se define como um movimento de caráter nacional, autônomo, de massa, de luta, com rostos regionais, sem distinção de cor da pele, gênero, orientação sexual, religião, partido político ou grau de instrução. Se constitui como uma organização com participação e protagonismo coletivo em todos os níveis, com objetivo de organizar os atingidos pela construção, ameaça de construção ou rompimento de barragens.

 Fonte: ALESC

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