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Denunciado por fraude, ex-secretário ataca promotora de Justiça – e surge até boi na história

“Me condenaram; e isso vai custar caro!”, diz Aragão ao negar movimentação bancária de R$ 13 milhões, em caso estranho que ganhou como novo personagem animal de quatro patas...

Por Redação

16 de março de 2023

às 17:27

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Denunciado à Vara Criminal por suposta fraude em licitação e divisão de propinas decorrentes do esquema com um ex-assessor, o ex-secretário de Planejamento da prefeitura de Lontras, Geferson Roberto do Aragão, atacou a promotora Viviane Soares, da 5ª Promotoria de Justiça da Comarca de Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí (SC), devido a um erro grave que ela teria cometido na ação penal. 

Atualmente vereador, Aragão (MDB) quebrou o silêncio sobre a acusação, com desenvoltura, durante a sessão da última segunda-feira (6), na Câmara Municipal lontrense.

Geferson durante sessão no legislativo. (Captura de Tela: Reprodução/YouTube)

Aparentando perplexidade, ele apontou o dedo ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC): “A promotora escreveu isso, a promotora de Justiça”, e continuou: ela “afirmou no processo que eu tenho uma conta que movimentou R$ 13 milhões e fazia transferências – [sistemáticas, mês a mês] – ao vereador Glaucio Cristiano Mueller [MDB], então chefe de gabinete”.  

Em seguida, o ex-secretário negou que a conta bancária, da movimentação milionária citada na ação, seja dele. 

“Qual foi minha surpresa?”, perguntou-se, contando, que, ao apresentar sua defesa ao MP, descobriu “o xis da questão”, isto é, “de quem é essa conta – que movimenta tanta grana e faz pagamentos ao Glaucio, mensalmente. (…) É da prefeitura municipal de Lontras!”, suspirou diante dos presentes.

Então, o líder da bancada emedebista partiu para a ofensiva: “Fui acusado pela promotora de Justiça de Rio do Sul – obviamente esse áudio vai a ela –, mas óbvio que estou falando com resguardo jurídico, também não sou tão imbecil, né… Ela resolveu dizer que a conta da prefeitura era minha”. 

Indo além, disparou: “E sabem o que pagaram para o Glaucio de verdade? Para o rapaz trabalhar, precisava receber o salário! Essas eram as transferência mensais feitas ao vereador Glaucio”, contestou.

À esquerda, Glaucio. À direita, Geferson. (Fotomontagem: Alto Vale Agora/Reprodução/YouTube)

Aragão não rebateu a denúncia de combinação de preços entre as concorrentes do setor elétrico que participaram da licitação em Lontras. A manipulação foi citada pela promotoria como uma prova da fraude, pois conduziu a empresa pré-escolhida à vitória no certame. 

Apesar disso, o ex-secretário subiu o tom: “A única certeza que vocês podem ter, absoluta – e gravem o que eu vou dizer –, serei obviamente inocentado, porque não devo nada”. E avisou: “Me condenaram! A Justiça não, mas o grupo de Whatsapp me condenou, e isso vai custar caro, isso vai custar caro. Em algum momento, alguém vai pagar essa conta”. 

O enfrentamento ocorre somente meio ano depois de a ação penal ter sido ajuizada. O acusado sustenta que não se manifestou antes por orientação do seu advogado. OUÇA!

Ação penal aponta movimentação bancária milionária de ex-secretário. (Captura de Tela: MPSC)

O boi e o envelope…

De acordo com o MP, o sócio-administrador da empresa dada como vitoriosa na licitação em Lontras pagou propina aos denunciados, dinheiro que ambos dividiram entre si. 

Além das transferências bancárias a Glaucio – que entre 2018 e 2020 somaram R$ 183,1 mil –, a investigação aponta que Aragão e Mueller obtiveram vantagem indevida paga pelo empresário Adilson Antunes em 8 de novembro de 2019. 

MP relaciona transferências bancárias como indício de pagamento de propina. (Captura de Tela: MPSC)

A promotora Viviane Soares relata que 80 cédulas de R$ 50, totalizando R$ 4 mil, foram entregues escondidas em um envelope.

Entretanto, agora, a versão que circula sobre essa história é outra: as notas não seriam provenientes de suborno e, sim, tão somente da comercialização de um boi, isso mesmo, de um quadrúpede.

“Denunciaram criminalmente várias pessoas, donos de empresas, só por causa da venda de um boi”, espanta-se o vereador Revelino Kletemberg (MDB). “A gente entende que a carne tá cara, mas não é pra tanto, né? Meu Deus, podia ter matado um boi e feito um churrasco pra gente…”, ironizou o parlamentar na segunda-feira (13) durante a sessão do legislativo. 

Revelino e Aragão são do mesmo partido político. No entanto, o ex-secretário já tornou público indício de divergências entre os dois: “Não somos amigos, mas também não somos inimigos. Somos vereadores”, revelou.

Demonstrando incredulidade, Kletemberg prosseguiu: “Será que é isso? Se foi isso, cara, a gente tá ferrado, porque tu pensa, com escuta telefônica, pegaram as empresas ali combinando preço em vários municípios, deram busca e apreensão (…), e por causa da venda de um boi, R$ 4 mil…”

Kletemberg, que duvida da ‘versão do boi’, durante sessão legislativa, em Lontras. (Captura de Tela: MPSC)

Banco errado?

Ao desmentir Aragão, o vereador argumentou: “Aí, também, erraram nas contas, pegaram a conta da prefeitura que fazia pagamento para os funcionários, mas os funcionários recebem pelo Bradesco, e essa conta [citada por Geferson em sua defesa oral] é do Banco do Brasil”.

Desconfiado sobre a explicação dos repasses, acrescentou: “Alguém que trabalha na prefeitura recebe o dinheiro fracionadinho assim: R$ 1,7 mil, R$ 900, R$ 500, R$ 300? E assim, dias seguidos, né!?”. 

Aventando tal possibilidade, falou: “Se isso for verdade, a gente tem que dar uma olhada com mais carinho. Até vou fazer um pedido de informação do relatório dos pagamentos dos servidores porque do jeito que tá, tá feio [sic] a coisa. Se a promotoria fez isso, eles têm que pagar e, aí, sim, tem que indenizar essas pessoas”, pontuou.

Sede da empresa sob investigação por suposta fraude em processo licitatório. (Foto: Divulgação/Internet)

“Lascado!”

Ainda especulando sobre a possível ocorrência de “toda essa lambança”, Revelino questionou: “Será que o Ministério Público é capaz disso? Se eles forem capaz disso, a gente tá lascado! A DIC [Divisão de Investigação Criminal] também”.

Finalizando, programou-se: “Eu tenho que ir lá um dia desse conversar com o doutor Daniel, acho que não é ele mais que tá lá, mas se ele fez isso, a incompetência mora ali. Só que eu acho que não…”, intuiu. OUÇA!

Será?

A Polícia Civil, através da DIC, investigou o caso por mais ou menos oito meses, lembrou Rivelino. A operação Curto-Circuito reuniu mensagens de celular dos investigados e contou até com escuta telefônica.

As autoridades, incluindo o Ministério Público, teriam cometido tamanho erro? Não era propina? Era só dinheiro da venda de um boi entregue em um envelope?

Revelino Kletemberg vai solicitar o número do brinco de identificação do animal? Afinal, se o bicho não tinha registro, tratou-se de uma venda ilegal, de um animal considerado clandestino.

Imagem Ilustrativa

Como justificar o montante dos outros “R$ 104.895,50” movimentados na conta bancária do ex-assessor Glaucio Cristiano Mueller?

Por que houve tantas transferências bancárias da conta da empresa Sematel Serviços de Manutenção e Instalações Elétricas Ltda para a de Glaucio?

Foi venda de um boi apenas, ou de uma boiada inteira?

Resta aguardar o veredito da Justiça sobre esse estranho caso de Lontras…

Democraticamente, os espaço fica aberto para eventuais manifestações dos citados nesta reportagem.

Revelino x Aragão: VÍDEOS!

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